A Biografia Autorizada dos Bee Gees.

1_ CRIANÇAS

Nervosamente, eles tropeçam no palco. Três irmãos arrastados por dois amigos. Era uma tarde fria de Dezembro de 1956, e os 5 jovenzinhos estavam prontos para entrar sob os holofotes do Gaumont Theatre em Manchester, Inglaterra.
Barry, aos 10 anos era o mais velho do grupo. E ele carregava uma guitarra de verdade, enquanto seus dois irmãos gêmeos mais novos, Robin e Maurice carregavam instrumentos feitos em casa que não produziam som algum. Não que isso realmente importasse, pois não estavam ali para cantar. Apenas para fazer mímica de gravações que costumavam tocar nas matinês de sábado por toda Manchester. Uma porção de crianças se esforçava pela oportunidade de “cantar” os hits do momento, e os irmãos Gibb certamente não eram excessão. Por isso, lá estavam eles, prontos para fazer mímica de uma gravação favorita de sua irmã mais velha, Leslie. Como um desastre predestinado, um homem correndo pelo Gaumont, responsável pelo sistema de som, deixou cair o disco, e ficaram despedaçadas as esperanças dos Gibb pelo palco. O medo do palco causado pela hesitação anterior ao disco quebrado havia se transformado em pânico. Mas isso não foi nada. Depois de uma rápida reunião, os irmãos e amigos decidiram que iam se apresentar sem o disco. O apresentador pegou o microfone, e com Barry arranhando suas primitivas cordas, e com os gêmeos cantando em perfeita e natural harmonia, os Bee Gees nasceram. Verdadeiramente, a história começou poucos anos antes disso.
Hugh Gibb Jr. era um entusiasmado jovem, mais interessado em seguir seus próprios sonhos do que viver as ilusões do que os outros achavam que ele deveria fazer. Por isso com suas baquetas na mão, ele saiu para fazer um nome por si mesmo como baterista. Por volta de 1940, Hugh encontrou o sucesso como líder de banda tanto quanto baterista. Trabalhando na Inglaterra, no circuito Mecca Salão de Baile, Hugh Gibb e sua banda eram uma familiar e popular presença no norte da Inglaterra assim como na Escócia.

Em 1941, a banda de Hugh estava tocando num salão de baile de Manchester, e assim ele se lembra, “Notei Barbara Pass dançando no salão. Então eu coloquei outro rapaz na bateria, desci, dancei com ela, e depois a levei para casa. Hugh e Barbara namoraram por 3 anos antes de se casarem em 27 de Maio de 1944. Rapidamente os Gibb tornaram-se 3 com o nascimento de uma filha, Leslie, que nasceu em 1945 em Manchester.Vagarosamente depois disso, os Gibb começaram uma longa história de viagens quando mudaram para a Escócia onde a banda de Hugh tocava regularmente no Edinburgh Palais. Depois do fim da II Guerra Mundial, foi oferecido a Hugh um contrato para trazer sua banda para um hotel em Isle Of Man, uma ilha de férias no mar Irlandês entre a Inglaterra e a Irlanda. Os Gibb se mudaram para Douglas, Isle Of Man, onde a saga dos Bee Gees realmente começou.
Barry foi o primeiro a chegar, em Setembro, dia 1, de 1946. E por ser o primeiro filho homem, ele recebeu um bônus em seu nome. O último nome legal de Barry é Crompton Gibb. Sir Isaac Crompton foi um famoso ancestral dos Gibbs. De acordo com HUgh, à Sir Isaac é creditado a invenção da máquina de fiar movida à mula, que revolucionou a indústria de algodão na Inglaterra no Século 19.
Uma garota e um garoto para os Gibbs, Barbara descreve sua família crescendo. ” Leslie era a mais velha e era uma garota, por isso é claro, os avós faziam grande rebuliço ao redor dela. então Barry chegou, e por ser menino, ele teve muito mais rebuliço. Quando os gêmeos nasceram, eles chegaram despojados.” Os Gêmeos não-idênticos, Robin e Maurice ( Pronuncia-se Morris) nasceram nas primeiras horas da manhã do dia 22 de Dezembro de 1949. Robin sendo o mais velho por meia hora. A chegada dos dois Gibbs ao mesmo tempo não foi uma surpresa total. O doutor havia dito à Barbara “acerca de 4 semanas antes deles nascerem que eu is ter gêmeos porque havia dois corações batendo. Eu tive a sensação de que iam ser dois pois eu nem conseguia colocar meus pés no chão.

Eu nem conseguia andar”.
De acordo com Barbara, as 4 crianças eram versáteis.” Eles tinham essa garotinha ( Leslie) que podia conversar com eles como uma jovem dama, os gêmeos bebês, e o pobre Barry no meio disso. Eu acho que ele era meio introvertido no início. Ele costumava andar atrás de mim. Eu me virava depressa e ele caía perto de mim, e ele ficava lá chorando. Nunca fazia um barulho. As lágrimas podiam rolar por sua face, mas ele nunca chorava alto. Foi só por um período, e então ele parou com isso. Ele passou a ser o chefe dos gêmeos e Leslie a chefe de todos!”.

Barry era muito quieto e esse foi o resultado de um acidente
na sua infância que deixou-lhe uma cicatriz pela vida.Barbara lembra, “Ele tinha um ano e meio de idade quando derubou um pote de chá fervente em cima de si mesmo. Ele ficou seriamente doente por cerca de 3 meses, e ele não falou até ter quase 3 anos por causa disso. Isso o transtornou nocivamente. Eu acho que essa foi uma das razões dele ser tão quieto, porque não aprendeu a falar logo”. A carreira inteira dos Bee Gees tem sido incentivada por notável  determinação. Barry acha que o incidente com o pote de chá escaldante pode ter sido sua fonte de determinação.”Quando você fica seriamente
doente enquanto ainda é bem pequeno, isso isso faz algo com o resto de  sua vida. Apesar d´eu não lembrar, devo ter passado por extrema agonia em algum momento. Isso deve ter feito de mim um lutador ou mais determinado à sobreviver ou algo assim. Isso pode parecer macabro mas é o única coisa à qual posso atribuir o meu otimismo. Com todo respeito, eu não conheço ninguém mais em minha família com tanto senso de direção como o que tenho. Eu preciso provar alguma coisa todo o tempo, e não sei o porquê.”

Antes dos Gêmeos nascerem, Barry teve uma outra experiência que não é apenas a sua primeira lembrança consciente mas também um presciente momento assustador, ” Em Isle Of Man, quando eu tinha cerca de 3 anos, eu estava parado nas docas de descarga atrás d uma fábrica de sorvete perto de onde morávamos , em Spring Valley. Minha primeira visão é estar tomando cuidado com uma caixa. E de repente depois disso, nós estávamos parados atrás das docas e era um palco. Lembro-me estar calado, claramente.
Eu não sei se estava cantando, mas eu e um grupo de outras crianças definitivamente
estávamos num palco”. Para ambos, Maurice e Robin, suas primeiras lembranças são
desagradáveis e iDênticas. Os gêmeos, cada um, recordam terem sido picados por uma abelha. A picada de abelha de Maurice, no entanto, teve um final cômico, que foi certamente apropriado pois ele se tornou um talentoso comediante. Maurice lembra que depois de ter sido picado, “Eu saí correndo estrada abaixo. Eu escorreguei e caí na àgua e fiquei com o traseiro das minhas calças todo molhado. Andei todo o caminho pra casa,
de costas.Eu não queria mostrar pra ninguém meu fundo molhado”. A primeira recordação agradável de Robin na infância é estar “Tomando sorvete na praia de Blackpool em Lancashire quando tinha 5 anos”.

Embora os gêmeos fossem parecidos quando crianças, Maurice sente “Nunca fomos realmente como gêmeos. Nós somos duas pessoas diferentes, totalmente. A única coisa em comum, é nosso humor e nosso gosto musical. O único momento que eu lembro que me senti gêmeo foi quando Robin estava na bicicleta do Barry. Os freios não estavam funcionando , e ele bateu num carro, se machucou todo e foi levado pro hospital. Eu não sabia do acidente e fiquei todo machucado e não conseguia entender o porquê. Robin teve o acidente , e eu fiquei com os machucados também. Exatamente nos mesmos lugares. Foi a única coisa que eu senti muito estranha. Depois disso eu sempre andei com dor nas costas.Para Robin, “Ser gêmeos não quer dizer nada de especial nem ter alguma vantagem, mas a única coisa da qual ele se queixa é que “ao nascer perto do Natal , todos os nossos presentes só eram dados no Natal”. Este é um lamento universal compartilhado por todas as crianças que nascem em Dezembro.

Crescendo em Isle Of Man e mais tarde em Manchester , os primeiros anos dos Irmãos Gibb foram cheios de alguns percalços. Primeiro, Barry tinha amigos de sua idade e não se juntava com os gêmeos. Mas, como Barry lembra, “Maurice e Robin sempre se apegavam aos meus parceiros. Irmãos mais jovens sempre querem estar com os mais velhos e além disso, a diferença de idade não importava . Desde a infância, fizemos tudo juntos. A lacuna entre as idades se estreita quando ficamos mais velhos”. Bárbara recorda o quão unidos os irmãos sempre foram. “Eles realmente nunca foram amigos íntimos de alguém fora da família. Eles sempre foram suficientes um pro outro”. O constante companheirismo deles desde cedo criou uma linguagem muda entre os irmãos que muitas vezes é quase espantosa. Bárbara explica que “ Mesmo sendo pequenas crianças, eles sabiam o que um ia dizer pro outro! Eles tinham isso entre eles. Era incrível. Sem estar no mesmo quarto, eles podiam começar a cantar a mesma canção em perfeita harmonia”.

Os Irmãos Gibb não começaram se fazendo notar ao mundo com seu canto harmonioso ainda. De fato, eles estavam quase que se apresentando um pro outro. De acordo com Bárbara, “Robin era um incendiário. Ele colocava fogo em qualquer lugar; debaixo da cama ou lá fora na cerca do jardim. Quando ele tinha apenas 6 anos, Ele saiu da escola sem ser visto .Eu o ouvi chegar pela porta dos fundos, e então desapareceu. O que ele fez foi pegar fósforos na cozinha e sair rápido de novo. Eu costumava correr ao redor da casa para pegá-lo, mas ele não tinha nada (Fósforos) com ele. Um dia, eu encontrei uma grade, por onde escorria a água da chuva, cheia de fósforos. Quando ele me ouvia chegando, ele se livrava deles… ou das ferramentas do pai; qualquer coisa que ele conseguisse pegar. Bondoso Deus, ele era terrível”. Mas não só. Como Bárbara nota, “Barry era o grande homem das fugas. A culpa sempre caía sobre o pobre Robin. Eles eram “fogo na roupa”!
Em sua juventude, os gêmeos sempre encontravam uma maneira de arrumar problemas , alguns dos mais engenhosos ainda. Uma vez, Barbara lembra, “ Hugh deixou algum dinheiro para pagar a conta de luz, cerca de 12 libras em notas, na prateleira sobre a lareira. Depois que as crianças já tinham ido para a escola, eu me aprontei para ir pagar a conta. Quando vi o dinheiro tinha sumido. Tudo o que pude pensar é que “Foram os gêmeos. A escola ficava na esquina cruzando a estrada; eu voei até lá. Estava no recreio,E estavam todos no jardim. Então eu chamei Maurice e disse “Você viu algum dinheiro na prateleira esta manhã ?” “Não!”, ele disse, com os olhos esbugalhados. “Não, eu não vi. Mas Robin está com uns papéis que achou na prateleira . Ele colocou em sua mochila, mas já acabou. Ele deu para todo mundo. Todo mundo está com um pouco”. Eles sempre olhavam para mim muito inocentemente, com os olhos grandes .

Maurice lembra que naqueles dias, ele “era realmente um doce. Nada me aborrecia. Uma vez, eu furtei uma garrafa de suco de laranja no mercado, mas fui pego. Foi a primeira e última vez que furtei algo”. Como em qualquer família, as lembranças muitas vezes são contraditórias umas com as outras e Barbara fala de um acidente quando Maurice junto com Robin “pediu emprestado” mais do que uma garrafa de suco de laranja. “Hugh e eu tivemos uma queixa logo de manhã. O lixeiro havia dado à sua esposa um buquê de flores pelo seu aniversário, e eu disse ao Hugh, “Você nunca me comprou um buquê de flores desde que nos casamos. Eu nunca recebí flores de ninguém “!. Minha mãe vinha aqui em casa todas as tardes para tomar uma xícara de chá comigo. Nós sentávamos perto da janela, observando o tráfego indo e vindo. Do outro lado da estrada ficava o cemitério. Então, estávamos sentadas perto da janela ( Na tarde da briga com Hugh por causa do buquê de flores) e minha mãe diz: “ O que é aquilo vindo pela estrada ?” Tudo o que se conseguia ver era uma grande coroa que eles furtaram de uma sepultura. Nela estava escrito “ Descanse em Paz !” Eles chegaram e disseram, “Aqui está, Mamãe. Agora, você tem suas flores”. Eles estavam muito orgulhosos de si mesmos.

Robin chamava Maurice de “Woggie” e Maurice chamava Robin de “Bodding”. Era sempre: “Não fui eu! Foi o Woggie”. E se você elogiasse qualquer um deles, eles diziam “ Oh Sim! Sou amigo dele!” Se fosse para brigar com os dois , ninguém sabia quem era amigo de quem!” Inconscientemente, Robin inventava palavras. Eu dizia : Onde está “isso” ou “aquilo” ? Ele dizia : “ Despareceu”. Barry sempre foi o mais quieto. Maurice sempre quis ser pintor e decorador. Ele tinha dinheiro de papel que ele mesmo fazia. E ele o guardava em seu escritório. Ele estava sempre negociando. E realmente acreditava naquilo. Ele te colocava na folha de pagamento por 20 libras por semana.”

Enquanto crianças, a personalidade dos irmãos estava começando a se formar. Não havia o amor pela música ainda, mas a origem dos Bee Gees estava lá. Naquela época, Robin era considerado o mais criativo dos irmãos , particularmente quando escrevia contos de fadas. As letras de Robin e seu vibrato choroso ao cantar eram a marca registrada dos primeiros hits dos Bee Gees, e foi Robin quem primeiro demonstrou interesse em escrever. As estórias favoritas dele eram aquelas longas de dar sono e o primeiro que ele leu , “A Pequena Máquina” pode ter-lhe dado inspiração. Delgado e de voz trêmula (Quando cantando), Robin no palco era a imagem de alguém de extrema fragilidade. Como “A Pequena Máquina”, Robin possuía uma persistência e determinação que o levava a dar uma impressão de segurança. Robin recorda os dias em que ele “costumava” escrever estórias na escola, sérias, mas com um senso de humor. “Eu detestava a escola , então enquanto eles faziam contas e tudo, eu ficava escrevendo coisas. Costumavam me castigar por isso, mas eu continuava escrevendo.

Embora os Bee Gees sejam notados por suas letras e habilidade em compor, eles ficaram muito pouco tempo na escola, e eles se orgulham por serem autodidatas. Robin lembra que “Maurice e eu cantamos no coral da escola , no concerto de natal, e quando chegou a vez do “Deus salve a rainha”, nós cantamos juntos e abafamos o coral inteiro”.Apesar disso, Robin explica que “Tivemos que ser dispensados da vida escolar, não muito pela vida escolar afinal. Eu detestava a escola, e ainda detesto”. Robin revela que sentia que podia sair da escola à qualquer momento. Bárbara descreve um típico dia escolar.”Logo pela manhã, Robin não queria levantar até que o fogo estivesse acesso e a fumaça saindo pela chaminé.

Então ele ficava lá tremendo. Eu tinha que levá-los para a escola. Depois, havia uma batidinha na porta, e Robin estava de volta. Ele estava com frio ou o seu nariz estava entupido e ele não conseguia respirar. Estas foram apenas pequenas coisas, porque eu costumava levá-lo de volta para a escola e ele ficava pouco feliz. Ele nunca queria me deixar; Robin sempre quis estar em casa comigo. Os outros dois nem ao menos se importavam se eu estava lá ou não. Eles sempre foram assim. Robin foi sempre um pouco dependente, até cerca de quatorze anos, porque ele era muito dengoso. Ele era brincalhão e fazia muitos estragos, mas você não conseguia pensar nele assim.”

Robin confirma isto. “Eu era um pouco porco na verdade. Eu não sabia disso naquele momento, mas eu olho para trás e agora eu sei que era. Pelas coisas que fiz, eles colocavam crianças na escola reformatória.Assim como Barry também, costumávamos ir pôr fogo em campos de golfe e coisas desse tipo. Nunca fizemos nada que pudesse prejudicar as pessoas. Mas nós causamos uma série de prejuízos. Nós éramos muito jovens e vínhamos de um tipo de lugar, onde éramos as únicas crianças assim … Meu melhor amigo que morava no fim da estrada no Northen Groove , em Manchester, em 57, ia conosco. Costumávamos entrar em casas que estavam desocupadas e causávamos uma destruição. Ele foi encontrado no dia seguinte andando pela rua e foi preso e enviado para a escola reformatória, pois ele tinha um registro anterior. Eu e Barry fomos ao tribunal e fomos postos em liberdade. ”

A família Gibb gastou muito tempo indo e vindo de Isle of Man e Inglaterra,
e eles finalmente voltaram para Manchester “na boa” em 1955. Hugh,lembra que Barbara “sentiu que queria voltar para o continente ” para ficar perto de sua família. O irmão caçula dos Gibb, Andy, nasceu em Manchester antes da família se mudar para Australia.Foi em Manchester, no entanto, que a carreira musical dos irmãos Gibb começou. Rock and roll “era moda, na sua infância em `55, e os pequenos Gibb foram arrastados na empolgação pela irmã mais velha Leslie, que era uma grande fã. Uma típica jovem dos meados da década de 1950 , ela amava Elvis, o Melhor, assim como The Everly Brothers e os ingleses favoritos Tommy Steele e Cliff Richards. Bill Haley e
Os cometas eram o primeiro grande grupo, e tinha uma enorme influência sobre os irmãos Gibb, na medida do interesse em realizar. Barry descreve como “Costumávamos fazer guitarras de caixas de queijo . Gostávamos de pegar a peça redonda do fundo e as pranchas de lado como o pescoço. Usávamos fios de fusíveis de papai para cordas. Eles não faziam muito bem, mas se tornavam Bill Haley and The Comets “.

Os antigos “Cometas” foram, então, residir no Keppel Road, no subúrbio de Manchester Chorton-cum-Hardy. O cinema local, na esquina, uma filial do Garmount, era aos Sábados, moradia para as crianças do bairro onde a emoção se realizava nas aventuras de Dan Dare ou Flash Gordon antes do principal que poderia ser um filme Zorro.

Antes do filme começar, havia frequentemente uma atração extra, e Robin recorda o momento que acelerou os irmãos a se apresentarem públicamente. “Nós estávamos sentados no Gaumont numa manhã de dezembro. Um garoto subiu no palco fazendo mímica de um disco do Elvis com uma guitarra de brinquedo.”
De acordo com Robin,” ele era apenas uma criancinha, mas ele dublava bem. E nós pensamos, “Por que não fazemos isso? “. Crianças fazendo mímica de discos eram comuns aos sábados nos programas do Gaumont, então o gerente do teatro não ficou surpreso quando o irmãos Gibb se aproximaram dele e perguntaram se poderiam fazer mímica de um disco no próximo sábado. Conforme Maurice recorda, “Tinhamos guitarras de brinquedo que pai comprou para nós; Apenas Barry tinha uma de verdade. “Os irmãos, juntamente com os amigos Paul Frost e Kenny Oricks “ensaiaram” a semana inteira. Eles próprios se nomearam “The Rattlesnakes”, e armados com um dos discos de Leslie de 78 rotações, eles caminharam para o Gaumont. Segundo a lenda, o homem que cuidava do som no Gaumont caiu e quebrou o disco que levavam para a mímica, obrigando os irmãos à uma decisão de momento, considerando o que era importante para eles desde o início. Robin: “Eu acho que foi a minha sugestão que nos levou realmente a cantar. Maurice disse: “Você está louco ?”. Barry disse: “Você sabe que nós não conseguiremos por nós mesmos.”
“Eu disse:” Vamos cantar, temos feito isso todos os dias! ”

Como lembra Barry, na semana antes de sua apresentação, foi a primeira vez que os irmãos tinham cantado juntos. “Durante essa semana, por alguma razão, nós começamos a realmente cantar. Nós descobrimos que nós tínhamos vozes … três criancinhas, e éramos capazes de harmonizar um com o outro. Nós começamos a cantar em harmonia desde o início. Isso me estarreceu mais do que ninguém, e eu era apenas um garoto.” Essa única semana não foi suficiente para preparar os Gibbs para sua estréia cantando. O fato de que seu único instrumento era a guitarra de Barry não servia para aumentar sua confiança, por isso, se encheram de convicção e coragem, antes de decidirem cantar.

Barry explica que, após a semana de ensaio e olhando para a frente, “A expectativa era demais para nós. Não conseguíamos subir no palco. Nós apenas tínhamos que subir. Nossa oportunidade estava lá. “Maurice pega a história,” O apresentador colocou um microfone na nossa frente, e nós cantamos “As I walk by the seaside… I love you Baby” de Paul Anka. Ou talvez fosse “Wedding bells” de Tommy
Steele. “Ninguém se lembra ao certo qual realmente foi a música, mas Maurice consegue recordar que o prêmio prometido não estava garantido. Não que isso importasse, “Nós nunca fomos pagos. Costumávamos fazer isso por diversão e pelos gritos. “Robin;” Todas as crianças gritavam “Yeah!”. Fomos sucesso nstantâneo. Mas queriamos fazer algo maior agora.

O gerente da Gaumont deu-nos um par de ingressos, dois shillings, cerca de vinte e cinco centavos, para irmos pela estrada
até o Odeon e fazermos a mesma coisa. E nós pensamos: “Ótimo!” e pegamos o ônibus número 18.
“Apesar do ônibus nada se igualar ao de seus” artistas favoritos “,
os irmãos Gibb já tinham se tornado famosos como Robin recorda. “Nós descobrimos um cartaz no dia seguinte,
e lá estávamos nós, uma foto nossa, cantando no Odeon. A primeira foto tirada dos Bee Gees “.

De acordo com Barry, depois da estréia no Gaumont e Odeon, “toda a nossa meta de vida era sermos descobertos. Ficávamos de pé nas esquinas das ruas , cantando. Era a sensação de estar em frente de uma Platéia que era muito incrível. Nós nunca tínhamos visto nada parecido. Éramos muito jovens, mas deixamos uma enorme impressão. Nós não queríamos fazer mais nada, além de música. Isso colocou uma pressão na nossa educação em grande medida “.

Os irmãos Gibb, agora chamados “Wee Johnny Hays e The Bluecats”, adoravam fazer mímica de discos e cantar nos teatros. Mesmo que fosse no show business, no máximo num nível amador, a realização de qualquer modo era de grande importância para todos eles. Quando eles não estavam cantando em público, Maurice lembra,” Nós costumávamos fingir ter uma estação de Tv embaixo da casa. Nós tínhamos uma velha caixa de papelão, e pegávamos pedaços de binóculos quebrados, e colocávamos em uma extremidade da caixa, cortávamos um furo quadrado na outra extremidade e olhávamos através dele como uma câmera de Tv. Barry costumava ser o jornalista, e nós o filmávamos com a caixa. Era esse tipo de brincadeira que brincávamos quando crianças”.

Foi no inverno de 1957, após seu primeiro desempenho na mímica, que os irmãos começaram a levar a música à sério. Barry: “A primeira vez que prestei mais atenção em música foi quando eu tinha nove anos. No meu aniversário em `55, eu ganhei uma trombeta.Mas no dia seguinte eu não tinha mais; Leslie a quebrou durante uma briga. “Hugh ficava observando seu filho mais velho tocando banjo como” instrumento de corda”, e recorda como
Barry, ” costumava martelar esta coisa pré-histórica. Eu conhecia um rapaz que tinha uma loja de instrumentos músicais em Manchester, e fui para ver se ele tinha alguma guitarra de segunda mão . Por 4 libras, eu tinha uma bela guitarra com capa de couro,que foi o presente de Natal de Barry. Ele costumava sentar-se perto da cerca do jardim , cantando para as crianças na rua. “O presente foi uma surpresa para Barry” porque eu achei que não ia conseguir comprá-lo. Um cara que morava na estrada que cruzava a nossa, tinha acabado de sair do Exército, e ele passou uma temporada no Hawaií. Ele não sabia tocar guitarra, mas ele sabia tocar acordes havaianos .
E ele afinou a guitarra para mim e me mostrou o que eram acordes havaianos. E eu ainda estou tocando os acordes, agora com algumas extensões do que ele me ensinou. Nunca aprendi a tocar guitarra. ” Como Robin observa, “Nós nunca aprendemos música. Nem mesmo podemos ler música agora. Eu posso vir à aprender no futuro, mas não há razão. Nós até fazemos nossos próprios arranjos. ”

Já em 1957, os irmãos não usavam nenhum instrumento de cordas além daquele violão de Barry. Barbara reconta como a família descobriu pela primeira vez sobre os rapazes estarem desenvolvendo um talento musical. “o pai de Hugh teve um acidente vascular cerebral, e costumávamos trazê-lo durante todos os sábados à tarde
para assistir aos jogos de criquete na televisão. Eu costumava sair para fazer compras, e eu chegava, e ele ainda estava lá assistindo a televisão.” Ouvindo música vindo do quarto dos irmãos, Barbara perguntou ao Sr Hugh, se “Os garotos estão incomodando?” Ele disse: “Não, não. Eles estão Só cantando “. Eu disse:” Não. Eles devem ter ligado o gramofone”. Ele disse: “Não. São os rapazes cantando “. Eu Pensei:” Ele não sabe o que está falando “. Então fui para o quarto deles e lá estavam os três, os dois pequeninos sobre a cama e Barry. E eles estavam cantando “Lollipop”! Foi fantástico, e eu não conseguia acreditar. E eles apenas olharam para mim. E ele (Sr Hugh) disse: “Oh, eles ficam cantando assim por semanas.” Ele ficava mais perto das crianças e ouvia isso todo sábado à tarde. Isso foi algo que eu não havia percebido. E depois, é claro,quando Hugh chegou em casa, fizemos eles cantarem para ele e eles estavam emocionados “.

Somada a “Lollipop”dos Everly Brothers, canções como” Wake up little Susie ” eram as especialmente favoritas dos Irmãos Gibb. Maurice explica que ” Nós bastávamos acrescentar uma terceira parte às duas outras da harmonia “. Essa era a mais doce harmonia musical da vida da família Gibb naquele momento. O regresso à Manchester depois de Isle of Man não foi um prazer. Como Hugh recorda, “Depois de passar um feriado numa ilha, Manchester parecia tão sombria e depressiva. A irmã de Barbara, Audrey estava brincando com a idéia de ir para a Austrália e eu disse à Barbara,” O que você acha? Pode ser bom para os meninos “. Barry explica que a mudança” tinha muito a ver com as escapadas enquanto crianças. Nós criávamos um monte de problemas. Nós infringíamos a lei tanto quanto podíamos. Tívemos um polícial em disparada caindo num precipício até um rio, perseguindo-nos em sua bicicleta. Ele ficou apenas ligeiramente ferido. Nós acendíamos um monte de fogos, queimávamos um monte de lugares… todos vazios exceto na vez em que Robin colocou fogo na loja de alguém”. Robin meio sério relata a vez que “um grande amigo polícial entrou e disse ao meu pai:” Olha, se quiser evitar que seus filhos vão para o reformatório escolar, mude-se para a Austrália “.

As passagens de Barry e Robin pela delinquência juvenil, foram apenas uma pequena parte da razão para a mudança. Como Barry observa, “Nosso pai estava realmente tendo problemas face às despesas na Inglaterra. Além disso, o clima era terrível. Lembro-me de ver nossos pais olhando os folhetos de viagem e ficando
muito animados. Eles queriam uma nova vida “. Para Barry, a mudança não era desconcertante. “Eu não me importava onde eu morava. Lembro-me enquanto criança que era escuro e sombrio (O lugar). Para mim, olhar os panfletos (e a viagem) e ver metade do mundo no caminho até lá era a maior aventura da minha vida. Eu tinha doze anos de idade. Você em frente a coisas como essa: Realmente não Pensa onde está indo “.”

Antes da família Gibb deixar a Inglaterra, os irmãos deram uma verdadeira apresentação que Barry caracteriza como “a primeira vez que tivemos um relacionamento com uma platéia. Não éramos crianças que foram ao cinema “. Hugh Gibb explica:” Eu estava tocando no Russel St. Club, onde crianças não eram permitidas nas instalações. Uma noite, o proprietário, Ernie Darbisher, que era amigo meu, deixou entrar escondidos os meninos pela porta dos fundos. Eu estava na bateria, e eles subiram
no palco de calças curtas e cantaram “All I Have To Do Is Dream” e “Lollipop”, e uma outra e colocaram o local abaixo “. Barbara observa que” Estávamos ao passo de mudarmos, e foi realmente uma semana de despedida do clube “. A apresentação dos meninos, Hugh recorda, foi recompensada com uma prenda de “meia coroa,e dois shillings, o que equivale a cerca de cinquenta centavos agora. E meu irmão os retirou escondidos pela porta dos fundos e os levou para casa “.

A apresentação ? Barry lembra que “o público se encantou completamente com o que fizemos, e aplaudiram e ficaram de pé. E isso nos encheu de orgulho. Agora sabemos que foi porque éramos crianças, porque não éramos tão bons assim.” Barbara pondera que “era apenas bonitinho. Foi bom, porque não se encontra crianças que conseguem cantar em harmonia como eles, mas foi atraente. Eu não pensei:” Oh, eu Vou ter grandes artistas “. Não naquele ponto. “Para os irmãos, o show foi bem aceito. Barry sentia que “nós estávamos em nosso caminho. Quando se pensa onde estávamos,
nós não iríamos à lugar algum”. Exceto Austrália.

A família Gibb ia se mudar em breve, mas sempre ansiosa em partir da Inglaterra.
A Austrália ficava mais de doze mil milhas da pátria dos Gibb, por isso era um passo
aventureiro para eles e deixava a cabeça um pouco distante em terras exóticas. Surpreendentemente, havia pouco sentimento envolvido na mudança, não um sentimento de saudade nostálgica que eles pudessem sentir pela Inglaterra, uma vez que a estavam deixando. Foi com um “sem olhar para trás” que eles se despediram de
sua casa e se voltaram para o que eles esperavam que fosse uma nova e melhor vida.

A viagem de navio para a Austrália incluiu algumas atividades extracurriculares dos irmãos Gibb, que eram típicas de seu rápido desenvolvimento nas ambições do show business. Nunca mais perdiam uma oportunidade de se apresentarem, eles cantavam constantemente à sua platéia cativa, desta vez usando o nome de Barry e Os Gêmeos. Barbara lembra que “no barco, tínhamos de ter todas as crianças fora do convés e na cama até 9:00 da noite. Eu costumava colocá-los na cama, e nós íamos até o clube noturno posteriormente. E nós voltávamos às 24h:00 e os víamos de pijamas … no final do convés superior com uma multidão de pessoas à sua volta. E eles estavam cantando. A viagem toda”.

AUSTRÁLIA…

A família Gibb chegou na Austrália, no final de 1958. Maurice recorda que “quando
desembarcamos e vimos as docas, nós pensamos: “Que é isto?” Eu estava esperando ver cangurus pulando pelas principais ruas e aborígenes correndo por todo lado. Era uma grande cidade.” O clima ensolarado, no entanto, era uma grande vantagem sobre os melancólicos dias de Manchester.Instalados em Brisbane, Queensland, Hugh Gibb correu em busca de trabalho de apoio pois a família já numerava sete: Barbara, Leslie, o irmãos cantores, e o bebê Andy .

Naquele momento na Austrália, havia caravanas que viajavam para países desfavorecidos fornecendo provisões e serviços que de outra forma seriam indisponíveis para a população rural. Hugh garantiu trabalho com um desses “centros comerciais móveis”, como fotógrafo. Isso significava que Hugh ficaria afastado de sua família durante longo tempo, mas também significava comida na mesa. Robin recorda o momento em que ” pai teve que partir por cerca de seis meses, deixando-nos para tomar conta de mãe e Leslie. Mas ainda éramos crianças, e as crianças sempre vivem os dias como são; crianças nunca pensam no futuro. ” Segundo Maurice, às vezes, os presentes não eram muito agradáveis. “Pai chegou em casa quase quebrado porque seu trabalho com a fotografia não tinha rendido nada. E ele disse, “se vocês não se importam, rapazes, nós não teremos muito no Natal deste ano. Mas eu tenho 2 libras e 10 e teremos, pelo menos, sanduíches de frango para jantar no Natal.” Nós sempre entendiamos por que isso acontecia e dizíamos, “Não se preocupe, pai. Está tudo bem.” Nós costumávamos sair para ganhar algum dinheiro com algum trabalho e voltávamos e dávamos o dinheiro para pai. Atravessamos um mau período, mas nós sempre tivemos um grande respeito pelos nossos pais.”

Durante esses tempos difíceis, Barry lembra que ainda assim o “show business desde sempre esteve em meu sangue, arrumei um biscate uma vez. Foi em Brisbane, e eu tinha de carregar materiais para um alfaiate no caso. O alfaiate me dava o dinheiro, e eu tinha que levá-lo de volta para o escritório. Fui despedido porque um dia fui para casa e me esqueci do dinheiro por que eu realmente não lembrei, mas eles pensaram que eu peguei o dinheiro. Então eles me despediram.” Barry não tinha realmente o coração no trabalho de qualquer maneira. Eu queria escrever canções, as canções eram como um carrapato em mim. A primeira música que eu escrevi foi “Turtle Dove”. Eu só lembro do título: eu tinha dez anos. A primeira canção concluída “Let Me Love You”, depois “The Echo of you love” e “Twenty Miles To Blueland. “Cerca de quatro anos depois que eu comecei a escrever, Robin começou. Suas músicas se desenvolviam no mesmo sentido que as minhas, e, eventualmente, nós dois escrevíamos juntos . Nós três somos realmente um nesse respeito. ”

Com algumas canções originais em seu repertório, e uma grande dose de coragem, Barry e os gêmeos deram seu próximo passo rumo à se tornarem artistas profissionais. Perto de sua casa em Brisbane havia um lugar chamado Redcliffe Speedway. Uma pequena pista oval, para carros bem pequenos que corriam por divertimento e algum lucro. Os não-ainda-adolescentes irmãos Gibb assistiam as corridas, mas eles não estavam contentes em apenas ficar sentados, assistindo. Num sábado à tarde, em 1959, os irmãos, Barry com guitarra e gêmeos ficaram implorando para cantar na pista de corrida. Como Barry recorda, eles abordaram um homem que estava varrendo a pista e perguntou se podiam cantar uma ou duas canções entre as corridas naquela noite. “Nós estávamos com uma pressa para fazer aquilo.” Foi explicado para o homem que os três cantavam enquanto Barry tocava guitarra. Esse homem não tinha nenhuma autoridade, mas de acordo com Barry, “ele parecia realmente interessado e saiu e falou com alguém. Ele voltou e disse: “Sim, tudo bem! Isso pode ser feito.” Havia um sistema de amplificação de som nas vias para que os pequenos cantores pudessem dar um pouco de entretenimento entre as corridas. Cantar na pista de corridas uma troca, porque disseram ao Gibbs, “Vocês são apenas crianças e são muito jovens para receber um pagamento para tal coisa. Mas se as pessoas jogarem moedas na pista, tudo bem.” Como observa Barry,” Nós não estávamos realmente interessada no pagamento, nós só queríamos cantar. Cantamos três músicas, nossas próprias músicas, que foram “Let Me Love You”, “Twenty Miles To Blueland” e uma outra. Nós arrecadamos cerca de 3 libras e 10 ao longo da pista “.

A estréia dos brothers na Austrália foi um tanto estranha, e eles tornaram-se presentes na pista. Durante uma de suas primeiras apresentações, um piloto de corrida chamado Bill Goode ouviu um monte de comentários da multidão e deixou o fôsso da corrida para descobrir o que estava acontecendo. Ele ouviu as três crianças cantando, e ficou impressionado o suficiente para descobrir onde eles moravam e os deixou saberem que ele queria falar com seus pais.

Nenhum dos Gibbs lembra o momento exato da descoberta de Bill Goode. Barbara lembra que ” Foi semanas antes de eu descobrir o que eles estavam fazendo. Eu pensei que eles estavam apenas indo para assistir as corridas. Até que uma noite eles voltaram para casa com os bolsos de suas calças recheados com moedas de um centavo. Eles nem conseguiam andar. E eles estavam reclamando, “ninguém nos descobriu ainda. ” Por isso, foi provavelmente no final de 1959 que Bill Goode tinha ouvido falar deles. Eles nunca se encontraram com Goode, mas um dos rapazes que
trabalhava nos fossos aproximou-se deles e disse: “Diga à sua mãe para ligar para esse número. É para fazermos uma gravação. “Então, Barry diz:” Quanto dinheiro vamos ganhar? “E o homem disse aos irmãos “2 mil libras”, mas quando cheguei em casa as crianças disseram: “Mamãe, ligue para esse número pela manhã e Nós vamos ganhar 2,000 libras “.

Quando a Senhora Gibb ligou no dia seguinte, ela descobriu que muitas pessoas estavam interessadas em ajudar na carreira dos rapazes. Bill Goode tinha um amigo, Bill Gates, que era um DJ em Brisbane. Goode trouxe Gates para a casa dos Gibb para ouvir os meninos cantarem. Hugh ainda estava fora trabalhando no país de Bush, Barbara não queria ser a única adulta representando seus filhos. Então, um primo de Bárbara veio de sua casa que era perto, para estar lá quando os visitantes importantes chegassem. Como Barbara lembra, “Eles vieram e ouviram os meninos, e eles ficaram absolutamente nocauteados. “Bill Gates, pondera que” o talento nato dos Bee Gees era aparente. As harmonias eram fantásticas. Barry era capaz de escrever uma nova música em cinco minutos. ”

Enquanto isso, naquele país sem recursos, Hugh recebia telegramas dizendo: “É melhor você voltar para casa. ” Quando ele voltou para Brisbane, seus filhos estavam prestes a fazer suas primeiras gravações. Hugh recorda que “Bill Gates tinha um grande programa de rádio na hora do almoço chamado” Midday Platter Chatter. “Ele levou os meninos no estúdio num domingo e gravou uma fita. E todos os dias, ele colocava para tocar. “Hugh Gibb, que tem uma personalidade totalmente voltada para o show business, também tende a romantizar as suas lembranças da carreira de seus filhos. Portanto, não é uma surpresa que seus contos, muitas vezes caiam em contradição direta com os de seus filhos. Segundo Barry, “O programa de Gates na 4BH em Brisbane durava meia hora. Nós sintonizávamos, e ele podia tocar uma de nossas fitas. “O que quer que realmente tenha acontecido, todo mundo concorda com a afirmação de Barry “ouvirnos no ar,fez-nos um enorme bem. “Os Irmãos Gibb estavam começando a fazer nome por si mesmos, e o nome B.G.S foi porque
Bill Gates tinha tomado nota de todas as iniciais “B” “G” (Bill Goode, Barry Gibb e ele mesmo) e batizou o grupo. Assim, os Gibbs tornaram-se os B.G`S . Alguns anos mais tarde, foi alongado para Bee Gees porque significava simplesmente > Brothers Gibb.

Esse nome poderia não ser possível se a irmã mais velha, Leslie, não fosse tímida.
Como ela lembra: ” Quando os meninos estavam bem no começo, Bill Gates queria que eu cantasse com eles. Eu tinha quatorze anos na época, e toda vez que Bill Gates vinha se aproximando de casa, eu costumava me trancar em meu quarto para evitar de entrar no grupo. Eu ficava apavorada com a idéia “. Com a entrada do irmãozinho Andy no cenário pop, Leslie é a única Gibb que não se tornou uma artista milionária.
Naquele ponto da carreira do grupo, Bill Gates resolveu sair, explicando que era apenas um DJ e não um empresário, e não havia mais nada que pudesse fazer por eles. Então, Hugh seguiu adiante, e quando não estava em seu trabalho habitual, ele fazia tudo que podia para promover os B.G´s . Hugh recorda que a próxima oportunidade do grupo surgiu quando a televisão chegou em Brisbane por volta de 1960. ” Nós fizemos um teste para um dos programas de variedades. “Anything Goes” era um programa não-comercial da rede BBC ( Equivalente à BBC australiana). Imediatamente, eles no contrataram”. Hugh reconta como faziam “para obter um equilíbrio vocal, eles tinham um microfone boom, e os gêmeos ficavam em pé em caixas ao lado de Barry para que ficassem da mesma altura”.

A próxima parada era nas redes comerciais, onde os Bee Gees se apresentaram por um mês, no Canal 9, num show chamado “Brisbane Tonight”. O auditório era aberto e atraía ao estúdio muitas crianças e parentes ambiciosos, e se passava dez horas antes que os Bee Gees tivessem uma chance de mostrar seu material. Hugh descreve como “deixava os meninos no estúdio e dizia:” Olha, quando vocês entrarem, não se importem com todas essas pessoas aqui. Cantem para esta mesa, onde estão esses dois homens “. Willbur Kemtwell estava na mesa, ele era o diretor musical. Foi uma apresentação normal. Os meninos subiram ao palco com a guitarra, e cantaram uma de suas próprias composições, enquanto os dois homens ficavam conversando entre si. Depois que eles cantaram, todas as pessoas no estúdio simplesmente aplaudiram. Willbur tirou seus óculos e perguntou: “Você podem cantar uma outra?” . Eles cantaram a noite toda para ele “. As apresentações dos Bee Gees na Tv produziam um grande interesse nas tvs locais de Brisbane, e eles eram tão populares que se tornaram habituais no canal 7, num programa chamado “Cottee` s Happy Hour “,
que era patrocinado pela Cotee, um fabricante de refrigerantes e geléia. Porque os meninos eram muito jovens, tinham que obter permissão do diretor da escola para aparecer no programa a cada semana. Em cada show, o grupo iria cantar três ou quatro músicas dentro do seu próprio segmento, mas nunca era o próprio programa dos Bee Gees.

Os irmãos já estavam trabalhando duro até o final de 1960, mas eles ainda eram
jovem e adoravam se divertir. Tanto que muitas vezes causavam um pouco de confusão, especialmente na televisão. Barbara, “Eles eram desobedientes. Porque Hugh tinha trabalho na época, eu costumava levá-los ao estúdio de televisão sozinha. Antes deles fazerem o show,costumávamos ficar sentados num pequeno hall de entrada. Mas eles não se sentavam. Eles costumavam desaparecer. Num ponto, eles subiam num mastro da televisão Quando todos os executivos chegavam, diziam:” Este lugar fica uma sujeira com Bee Gees “.

Com toda a exposição, o grupo começou a ser requisitado para shows locais “ao vivo”. Suas primeiras apresentações em pessoa foram no circuito de vaudeville. É um costume britânico que, durante a apresentação de peças como “Jack and the Beanstalk” ou “Cinderella”, haja entretenimento no palco entre as cenas. Mauríce lembra que foi lugares como o Teatro Rialto, em Brisbane, que nos destacou na Billboard , “Destacando os B.G` s “. Nós saíamos e cantávamos enquanto eles mudavam o cenário . Nós cantávamos ” Run Samson Run “ou alguma outra canção de Neil Sedaka, e uma outra canção, e uma das nossas. Nós tentávamos enfiar nossas canções entre as deles. As crianças adoravam. Elas aplaudiam gritando ” Hey legal “, e então eles retornavam à “Jack and the Beanstalk” de novo “.

Os Bee Gees começaram a se apresentar em casas noturnas e bares. Era um ambiente muito estranho para as crianças. Os Irmãos Gibb normalmente encontravam-se exclusivamente se apresentando para adultos. Como os compromissos iam ficando mais distantes, muitas vezes, cem milhas longe de casa, Hugh Gibb teve de tomar uma decisão. “É o meu trabalho, ou vai ser o deles? Eu senti que o futuro deles
ia ser melhor que o meu, então, para ser franco, eles cuidariam de nós. Eu desisti do meu trabalho apenas para conduzí-los. Eles eram apenas crianças, eles tinham que ter alguém. Eu nunca quis ser seu empresário, mas pela força das circuntâncias eu tive que ser “.

Melhor empresário os Bee Gees realmente não poderiam ter encontrado. Hugh sempre teve para seus meninos os melhores interesses em mente, e que ele os combinava com a sua experiência do show business para ensaiá-los implacavelmente. Hugh ensinou-lhes tudo, de como caminhar no palco, saber sorrir e ser agradável para com a platéia. E quando ele podia, ele até sentava na bateria para ajudar os meninos com um compasso firme. Ele até mesmo organizava o programa. Como Robin lembra: “Tivemos que apelar para os adultos pois meu pai, que era afinal um grande fã dos Mills Brothers, nos trouxe um monte de canções dos Mills Brothers ao circuito de boates “. As apresentações dos Bee Gees na época incluía algumas indispensáveis de Alexander’s Ragtime Band, como ” My Old Man’s Dustman”, e “Does Your Chewing Gum Loose Its Flavor” . Sempre que podiam, os Bee Gees “escorregavam” para algo que realmente gostavam. Seus favoritos e principais influências na época eram Ray Charles e Neil Sedaka, mais tarde, Roy Orbison e Ottis Redding foram fortes influências vocais. Ao ouvir Robin se rendendo aos Beatles em 1978 com a canção “Oh Darling!”, pode-se ouvir um toque de blues que é descendente direto de Ray Charles

Trabalhando no hotel / Redondezas de vaudevilly , o grupo desenvolveu o que Barry chamou de “uma comédia com harmonia. Foi um grande aprendizado trabalhar em vaudeville, porque você não somente atua sozinho, mas também com os comediantes residentes. Realmente um grande campo de treinamento “. Maurice explica: “Meu pai sabia exatamente o que o público queria, se éramos crianças pequenas e bonitinhas, um pouquinho de comédia faria todos rirem até não poderem, dizendo: “Eles são tão ótimos”. Costumávamos fazer palhaçadas. Por exemplo, nós podíamos estar cantando “Puff the Magic Dragon” e cada vez que Robin cantava “Puff”, eu atirava spray no rosto. Mães e pais adoravam isso. Tínhamos um monte de roteiros cômicos. Fora do palco, Eu sempre fui o mais sério, sempre o homem reto. Robin era o engraçado, o atrevido de olhar bonitinho. Barry era o irmão mais velho, cuidando de nós. Sempre foi uma comédia visual. Parecida como a de Abbott e Costello “.

Musicalmente, os meninos estavam cantando músicas para adultos, e Maurice
atribui ao fato de que “meus pais sempre quiseram que nós fôssemos como os Mills Brothers. Estávamos usando smoking, sapatos sempre polidos, Brylcream no nosso cabelo”. Essa era a parte “Puff …” deles ou uma maneira de nos tornar “Queridinhos”. O objetivo sempre era para os irmãos serem os bonitinhos. Longe de seus shows, as composições dos irmãos eram tão concentradas como sua harmonia em cantar. Mauríce lembra que “nós nunca tivemos qualquer outra ambição de ser nada além de cantores. Era divertido para nós. Nós amávamos fazer as pessoas rirem, adorávamos o som dos aplausos, aplaudindo nosso canto. Barry cantava o vocal principal, Robin a parte baixa, e eu completava a harmonia “.

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As lembranças de Robin daqueles primeiros dias não eram tão positivas quanto as de Maurice. “Tudo o que eu sabia é que eu não gostava da Austrália. Eu era só um garoto, mas eu nunca realmente gostei de lá. Eu também não gostava do trabalho por causa das músicas que estávamos cantando. Eu reclamava mas não fazia nenhuma diferença. Eu tinha que ir e fazer aquilo”. Maurice põe outra perspectiva no sentimento de Robin, “eu diria que ele estava maluco por causa daquilo, mas eu sei que ele não se importava. Eu também não. Nós estávamos fazendo algo que era novo para nós. Naturalmente, queríamos cantar música de adolescentes, mas éramos crianças e não podíamos atrair público adolescente”. Então as músicas que os irmãos realmente queriam cantar, de Sedaka “Breaking Up Is Hard To Do” a “What´d I Say” de Ray Charles, ficaram em segundo plano por causa de outros números como “Dinah” e “Bye Bye Blackbird”.

Mesmo tendo que cantar aquelas músicas, era excitante para os três Gibbs, porque eles tinham sérias aspirações no show business, mesmo com tão pouca idade. Maurice relembra que “quase toda vez que saíamos do palco, a platéia gritava “Mais! Mais! Mais!” ao fundo. Nós dizíamos “Oh!” e nosso pai dizia “Esta noite vocês os mataram”. Nós voltávamos e cantávamos mais uma música e eles adoravam. Papai dizia, “sempre os deixem querendo mais”, e nos escoltava até a porta dos fundos. E na semana seguinte acertamos outra apresentação com aquele clube, justamente porque nós os deixamos “querendo mais”, como nosso pai dizia. Robin costumava adorar quando escutava os “Mais! Mais! Mais!”.

Barbara recorda que suas crianças gostavam tanto de cantar que não conseguiam descansar. “Em todos os anos que tinham trabalhado quando morávamos na Austrália, eu acho que eles tiveram dois finais de semana que não trabalharam. E nesses fins-de-semana costumavam nos importunar para telefonar para todas as agências e ver se alguém tinha ficado doente e precisavam de alguém. Eles não sabiam o que fazer com eles próprios”.
Maurice confirma a recordação de sua mãe. “Nós gostávamos de fazer aquilo. Não podíamos esperar o fim-de-semana para começar a cantar novamente. Fazíamos um show na sexta à noite, um sábado à tarde, um sábado à noite e outro mais tarde no sábado… e mais dois domingo à tarde e à noite. O resto da semana estava livre”.

Durante o começo dos anos 60, os Bee Gees tocavam em festinhas de fim-de-semana na área de Queensland. Algumas vezes, cantavam em nightclubs escuros e hotéis como Sandgate, Bonneville e Oxley; outras vezes faziam seu show em um teatro. Na maior parte das vezes tocavam para adultos. Eles seguiam sua vida, sustentando uma família de sete pessoas, mas, a seus próprios olhos, não estavam indo a lugar nenhum. Como Hugh nota “os meninos queriam ir a Sydney, que era como ir a Nova Iorque”. Eles queriam ter a grande chance. Suas ambições eram enormes. Barry relembra o tempo que “fugi de casa para retornar quase imediatamente. Estava dentro de mim. Eu tinha que ir a Sydney”.

Um dos lugares que o grupo tocava era em Palm Lounge, que ficava em Surfer´s Paradise, um lugar muito frequentado nas férias, na costa de Queensland. Os Bee Gees quase sempre iam lá nos finais de semana para tocar nos vários hotéis. Após um compromisso em Palm em 1961, Hugh e os meninos decidiram viajar até Sydney. Hugh relembra como “iríamos deixar Barbara em Brisbane e levar os garotos. Sentamos no carro. Não sabíamos o que iríamos fazer quando chegássemos lá”.
Os Gibb estavam somente meia hora fora de Brisbane, quando pararam para colocar gasolina. Foi quando Hugh percebeu que tinha esquecido sua carteira, então voltaram para casa. Na sua ausência breve, o dono de Palm Lounge tinha telefonado para acertar mais duas semanas com os garotos. Eles decidiram se apresentar essas duas semanas e então ir para Sydney. Eles ficaram em Surfer´s Paradise por dezoito meses.

O ano e meio em Surfer´s Paradise foi um período sem evolução para os Bee Gees. Não havia nenhum progresso na carreira mas eles estavam se afiando. Virtualmente todo fim de semana, eles poderia trabalhar tanto em Palm Lounge como em Beachcomber, e o trabalho constante os estava tornando profissionais. Mesmo assim eles nunca perderam a chance de pregar uma peça. Barbara conta que “costumavam tocar no Southport Hotel que era na mesma área de Beachcomber. Eles brincavam comigo. Quase na hora de entrarem no palco, desapareciam no toillette dos homens, aonde eu não poderia segui-los, para cantar. E eu ficava petrificada porque seu canto costumava tomar todo o lugar. Todos poderiam escutá-los cantando. E eu não poderia entrar para dizer que estava na hora de entrar no palco. Eles sabiam disso muito bem e por isso iam para lá. Mas eles nunca perderam uma entrada, sempre foram muito profissionais.”.

Barbara relembra outro e mais violento incidente que era um perfeito exemplo do dizer que “o show deve continuar”: “Robin se engraçou com uma das garotinhas do coro. Ele só tinha doze anos. Estava olhando para ela quando ela estava no palco. O gerente havia nos dito que se alguém ficasse nas alas seria multado. Robin insistiu em ficar nas alas vendo essa garota… nós estávamos dividindo o camarim com os dois maiores comediantes da Austrália, homens que estavam nisto há anos.

Barry, realmente, era o chefe e ficou no final das escadas e gritou: “Robin, desça aqui! “. Robin não veio, e ele esperou e esperou… E Barry estava ficando louco. Então correu escada acima, pegou Robin pelo colarinho e levou-o abaixo até o camarim. E ficaram lutando no chão com as roupas da apresentação. E estes dois comediantes ficaram assistindo eles… em um instante, a música de entrada dos meninos começou a tocar (o velho tema de Hugh, “The World Is Waiting For The Sunrise”). Começou e os comediantes ainda os olhavam.
Eles se levantaram, se limparam e entraram no palco, se apresentaram perfeitamente, correram escada abaixo e começaram a brigar imediatamente. Eles estavam realmente bravos. Barry, porque Robin não havia feito o que ele havia dito, na primeira vez. Me dava medo, eu realmente tive maus momentos com eles, mas, olhando para trás, eram tempos engraçados também”.

Nos primeiros anos da década de 60, o principal astro pop australiano era um cantor chamado Col Joye. “Em 1962”, Barry relembra, “Col estava fazendo um giro pelas províncias e aconteceu de passar por Surfer´s Paradise, aonde nós estávamos trabalhando. Nós estávamos desesperados para conseguir encontrá-lo e aconteceu dele estar ensaiando a não mais de 100 metros da nossa casa. Nós pensamos, ‘Este é o próximo passo. Se nós encontrarmos este homem, podemos vender uma música para ele, e estaremos no nosso caminho’. Falamos sobre aquilo, mas ninguém se manifestou. Então eu disse, ‘eu vou, é a nossa única chance’.

Acabei atravessando a rua até a sala onde ele ensaiava, com papai 90 metros atrás com seu diário. Chegamos lá e disse ao homem que eu queria falar com Col Joye. O que eu não sabia é que eu estava falando com Kevin Jacobsen, irmão de Col. Quando eu falei primeiro ‘olá, queremos ver Col Joye’, ele deve ter pensado ‘Que é isto? Vão embora…’ “. Como se fosse um segredo, Barry disse: “nós somos um grupo de cantores e escrevemos músicas”. Para surpresa de todos e de Barry, Kevin respondeu, “aguardem um minuto, Col já está saindo”.

Barry descreve a chegada do astro pop: ” de óculos escuros, como Presley. Todos eram como Presley naquela época. Nós dissemos olá e eu disse ‘eu gostaria de cantar para você algumas músicas que nós escrevemos, com interesse de que você possa gravá-las, se possível’. Então ele disse: ‘ Oh, certo’. Eu não podia acreditar. Ele veio até em casa, nós sentamos e tocamos para ele. Ele não estava totalmente chocado pelo material tanto quanto estava magnetizado pelo modo que cantávamos e harmonizávamos naquela idade. Ele disse ‘ vocês têm que vir a Sydney e gravar um disco! ‘ “. Uma música que Col especialmente gostou, “Straight Of Love”, o impressionou a ponto de tê-la gravado.

De acordo com Barry, “era o primeiro sinal concreto, que nunca tivemos antes, que estávamos indo a algum lugar”.

Foi em 1962 que os Bee Gees foram levados a Sydney por Col e Kevin, que se tornaram agentes deles. Maurice lembra aquela viagem como um ponto de mudança. “Nós queríamos ser bem conhecidos. Era bom ser ouvido no rádio e ser reconhecido e aquele tipo de coisas.
Mas nós nunca vimos aquilo como uma coisa duradoura. Nem meu pai. Estávamos fazendo aquilo por fazer, porque gostávamos. Quando fomos a Sydney, encontrar os grandes astros da Austrália, particularmente Col Joye, então, de repente, o estrelato nos atingiu. ‘Uau ! É bom ser um astro, carros brilhantes e casas boas, piscinas…’ Nós pensamos ‘Isto é para nós’. Eu acho que quando aquilo nos atingiu pela primeira vez, achamos que seria bom sermos bem sucedidos”.

Kevin tinha arrumado para os Bee Gees uma viagem para Sydney e então eles poderiam tocar no concerto de Chubby Checker. Barry se lembra que o show era “inacreditável. Naquela época era espantoso. Milhares de crianças gritando. Não gritando por nossa causa, mas era uma coisa para nós vermos, ser parte daquilo”. Chubby Checker (o rei do twist) era o astro americano do momento e ele fechava o show. Johnny O´Keefe era o astro do rock australiano do momento e era o ante-penúltimo do show. Alguém decidiu colocar os Bee Gees no meio.

Barry descreve que era “uma experiência temerosa. Nós cantávamos algumas músicas de rock´n´roll, mas não éramos um conjunto de rock´n´roll. Então cantamos coisas como “Alexander´s Ragtime Band”… suficiente para nos deixar em profundo problema. Nós não sabíamos o que eles queriam. Nós tínhamos trabalhado em nightclubs. Não achávamos que alguém iria mesmo nos ‘empurrar’ aos garotos. Era o que mais queríamos, mas não achamos que iria acontecer a nós”.

Enquanto suas aparições com Chubby Checker não encontraram nenhuma aclamação da massa, era o primeiro grande passo na carreira do grupo. “Nosso primeiro contrato para gravar”, Robin aponta, “veio em 1963, como resultado do concerto de Chubby Checker em Sydney. Em Sydney, aonde todos os selos estavam. Você não assinaria em nenhum lugar a não ser em Sydney. Então a Festival Records se aproximou de nós com um contrato e”, Robin relembra rindo, “nós gravamos nosso primeiro lado que foi um disco chamado ‘The Battle Of The Blue and Grey’ “.

Com o contrato da Festival veio outra melhora na família Gibb. Havendo mudado de Brisbane para Surfer´s Paradise, eles se mudaram novamente no começo de 1963 e foram para o subúrbio de Sydney chamado Lakemba. Mesmo com seu novo status de artistas gravadores, a carreira dos Bee Gees não era particularmente “quente”. Eles só estavam cantando em clubes maiores. É verdade que eles eram assunto, mas, para os australianos, ser assunto é o fim da linha. Eram só contratos e contratos sem fim nos nightclubs e clubes de soldados, além de shows de variedades na tv. A respeito, era o começo de uma nova etapa na carreira dos Bee Gees, mas se tornou rapidamente um trabalho difícil. O esquema quase brutal dos Bee Gees tornava impossível a continuação deles na escola. Barry tinha desistido dela em 1961, quando fez 15 anos e Maurice e Robin seguiram seu exemplo em dezembro de 1963. Maurice explica “que era o tipo de coisa errada, quando nós sabíamos que isto (a música) ia ser nossa carreira. Por causa disso não estávamos interessados na escola e a deixamos. Queríamos ficar juntos da nossa carreira. Na época era o mais importante. Não ser apreciado era uma coisa horrível e ser apreciado era uma grande coisa. Naturalmente, nós sabíamos o que era melhor e fizemos acontecer”.

Como a carreira dos Bee Gees mudou suas vidas, tambéu abrangeu a família Gibb inteira. Hugh os dirigia e Barbara cuidava do guarda-roupa. Aonde a carreira dos Bee Gees os levassem, a família seguia, dando apoio. Em retorno, os Bee Gees eram os provedores. Maurice não “achava vergonhoso demais dizer que sustentávamos nossa família. Nós o fizemos por muitos anos. Nosso pai se envolveu tanto tempo quanto nós. E nossa mãe fez muito, sempre cuidando de nossas roupas e nos mantendo juntos. Sempre cuidamos de nossa família porque ela sempre cuidou de nós. Leslie deve ter se sentido esquecida, porque os três meninos eram o sonho de nosso pai”.

O sonho de sucesso dos irmãos como artistas, tinha tido um pobre começo com a queda do primeiro compacto lançado por eles “The Three Kisses Of Love” e “The Battle Of The Blue And Grey”. Como Robin nota, “ele fracassou. Mas não nos importava, nós só queríamos ver nosso nome em um disco. Não nos importávamos se era sucesso ou não. Ele era ‘quente’ com um rapaz na 2SM (estação de rádio) em Sydney, e ele o estava tocando o tempo todo. Não aconteceu nada. O seguinte foi “Timber” (em junho de 1963), e ele fez exatamente o que o título indica, caiu. Então nós voltamos ao estúdio, nove meses mais tarde, e gravamos um disco chamado “Peace Of Mind”, que fez exatamente o que os dois anteriores haviam feito.
Então começamos nosso estágio experimental, porque os Beatles estavam acontecendo, então pensamos que poderíamos conseguir alguma inspiração desse grupo, ‘eles estão indo tão bem do outro lado do mar…’. Eram um grupo britânico, nós somos britânicos vivendo na Austrália, certamente podemos fazer algo. Escrevemos uma música chamada “Claustrophobia”, e eu não vou contá-los o que aconteceu a ela. Depois dos primeiros quatro ou cinco discos fracassados, começamos a acompanhar mais os discos que eram sucessos”.

O desapontamento dos Bee Gees começava a crescer quando eles olhavam uma lista, depois de outra queda nas tabelas. A chegada dos Beatles na cena australiana em 64 só serviu para aumentar o sentimento de derrota dos Bee Gees. Como Maurice recorda, “podíamos ver todos os adolescentes malucos por causa daqueles rapazes. Dizíamos ‘cara, quem me dera ser como eles’, coisas assim. Eles tinham garotas gritando e os atacando e tudo o mais. Nós nunca tínhamos visto algo como aquilo antes. Mas também era importante a nossa admiração por eles; naturalmente todos nós fomos influenciados por eles”.
Hugh aponta, com raiva, que os australianos estavam cegos para os seus próprios Bee Gees, uma vez que os Beatles chegaram. “As pessoas nunca notaram que os Bee Gees estavam gravando há mais tempo que os Beatles. Mas quando os Beatles se tornaram grandes, então os Bee Gees começaram a ser comparados com os Beatles, como se eles estivessem copiando. De fato, eles alteraram o estilo de gravação deles, mas não funcionou. Os meninos estavam ficando muito bons. Nós costumávamos dizer: ‘eles não notaram que eles têm os Beatles australianos aqui?’ “.

Enquanto a frustração dos Gibb era compreensível, os Bee Gees de 1964 não estavam na mesma linha dos Beatles. Enquanto os irmãos Gibb eram, certamente, profissionais, seus próprios discos e composições da época não se comparavam com o que os Beatles estavam fazendo. E, além disso, os Beatles eram bem mais velhos que os Bee Gees. Em 1964, os gêmeos ainda tinha somente 14 anos. Eles eram precoces sim, mas não eram os Beatles australianos. Considerando a idade deles, até que eram bons e tinham um pouco de sucesso.

Os primeiros discos dos Bee Gees tinham ido para o vácuo. Sendo um grupo de adolescentes tocando para adultos, eles não eram facilmente vendáveis. A chave para se vender discos naqueles dias era aparecer para o público adolescente, e os Bee Gees não estavam tocando para eles. Era um público de “pais e mães” que vinham ver suas apresentações no nightclub, e este não era o público que comprava discos. Robin, que é um estudioso das tabelas de discos e provavelmente conhece tanto sobre os trabalhos da indústria do disco como qualquer executivo do ramo, explica que nos dias australianos “eu costumava examinar as tabelas e as programações das rádios. Por causa disso eu queria ter discos de sucesso. Mas eu tinha uma atitude errada, por ser um garoto. Garotos são muito impacientes, e embora eu conhecesse muito sobre os sucessos, nunca sabia por onde começar. Quando você é criança, embora viva todo dia, você acha que o tempo é muito curto. Estávamos nos apresentando em nightclubs e coisas assim. Mas era engraçado o modo que os australianos costumavam tratar os Bee Gees. Em retrospecto, quando olhei para trás e toquei alguns discos daquele período, acho que eles deveriam ter sido sucessos. Mas o fato era que ninguém tomava os Bee Gees seriamente, o que era um crime. Para mim, é criminoso ignorar um disco por causa do que você pensa (do artista). Nossa primeira gravadora era rigorosa e indiferente”.

Em uma pequena defesa da Festival Records, Barry aponta que “Festival estava sob a mesma situação que nós estávamos. Não agradávamos crianças porque éramos crianças, e era difícil para o pessoal da Festival nos vender. Mas Fred Marks (o presidente da Festival) tomou o caminho errado na minha opinião. Não nos deu tempo no estúdio para desenvolvermos. Nos era permitido duas horas em uma tarde de sábado porque os grandes astros estavam usando o estúdio todo o resto do tempo. Nós não estávamos vendendo discos e eles diriam ‘está feito meninos. Não vai ser sucesso mesmo…’. Esta era a atitude. Eu me lembro disso claramente”.
Hugh relembra, “uma vez, os meninos tinham doze minutos para fazer um vocal porque o engenheiro tinha que pegar o seu trem”. Maurice adiciona: “se nós quiséssemos cordas no disco, eles diriam ‘que diabos vocês pensam que são, Kruschev? ‘ “.

Durante 1963 e 1964, a carreira dos Bee Gees floresceu, apesar da falta de uma melhor qualidade nas gravações. Faziam aparições frequentes na televisão no programa “Bandstand”, e, em abril de 1964, eles participaram de seu próprio especial de tv. O produtor do programa era Nat Kipner, um homem que retornaria à história deles um pouco mais tarde, como um dos primeiros apoiadores dos Bee Gees dentro da indústria do disco.

Os Bee Gees continuaram gravando discos. Também continuaram a não ter sucesso. Tendo fracassado com músicas de composição própria, os irmãos decidiram gravar músicas de outros. O resultado foi uma produção de outubro de 1964, “Turn Around, Look At Me” com um tema de TV, “The Travels Of Jamie Mc Pheeters”. Em abril de 1965, eles tentaram novamente com uma versão que imitava Steve Alaimo, “Everyday I Have To Cry”. O outro lado, de Barry, “You Wouldn´t Know”, mostrava uma importante estreia, de Robin, como vocalista principal.
Entre aqueles dois discos, os Bee Gees também fizeram uma gravação com Trevor Gordon. Barry escreveu as duas músicas “House Without Windows” e “And I´ll Be Happy”. O disco foi realizado sob o nome Trevor Gordon e os Bee Gees. Nenhum disco fez uma aparição notável nas paradas australianas, mas existia um ouvinte muito intrigado…

A primeira pessoa ligada à gravação que teve um interesse ativo nos Bee Gees foi Bill
Shepherd, um arranjador inglês que havia emigrado para a Austrália. Ele foi o primeiro a notar o potencial do grupo, e, como produtor na Festival, ele começou a ajudá-los. Barry nota que “Bill viu que existia mais em nós do que outra pessoa pensava que existia e disse: ‘quero produzir vocês’. Ele falou com Fred Marks para deixá-lo ser nosso produtor”.
Maurice relembra a noite que Bill entrou com eles no estúdio para gravar “Wine And Women”. A Festival não estava interessada em produzir ou gravar nenhum outro material dos Bee Gees, mas, de acordo com Maurice, “Bill levou ‘Wine And Women’ para eles e disse: ‘Esta é a última música que os meninos fizeram’. E eles disseram: ‘ É melhor lançarmos’. Aquele foi o começo do nosso novo som”.

Era suposto aquele ser o último disco deles, mas “Wine And Women”, realizado em julho de 1965, estava destinado a se tornar um sucesso, mesmo que fosse preciso um pouco de esperteza, por baixo dos panos, para ele chegar às paradas. Barry começa contando: “Robin tinha gavetas cheias de pilhas de tabelas. Nós as deciframos, com nossa experiência nas tabelas… quantos discos você teria que vender para chegar no 40º posto”. Barry aponta que “nós não tínhamos tido um sucesso, e não iríamos tê-lo. Mas no que se referisse a nós, nós iríamos tê-lo, de um modo ou de outro. Não sabíamos quando seria. Nós só gravávamos discos, e olhando uns para os outros falávamos: ‘um dia este será um sucesso. Este é ele’ “.

Robin admite que “estávamos muito desesperados para ter um disco nas paradas. Primeiro, procuramos as lojas em que as rádios faziam seus levantamentos… Walton´s, Woolworth´s, mais ou menos umas seis. Era tudo o que precisávamos. Você não precisava vender muitos discos para chegar às paradas de Sydney. Nós combinamos com nosso fã clube de nos encontrar nos degraus da prefeitura de Sydney. Não era difícil vê-los, nem conversar com eles, porque eram só seis. Nós nos encontramos com eles com nossos duzentos dólares, e demos o dinheiro para eles irem àquelas lojas”. Barry vai além: “nós sabíamos que se vendêssemos 400 discos naquela tarde de sábado, na próxima tabela de quarta-feira estaríamos em 35º. Nós
só tínhamos 200 dólares, então não poderia ser mais do que 35º. Tudo certo, na semana seguinte o disco estava em 35º, como uma bala. Nós iríamos chegar lá eventualmente, mas tivemos que achar um modo de fazer isto acontecer, e nós achamos”.

“Uma vez no Top 40”, Robin conta, “nós não teríamos que nos preocupar mais, porque a estação de rádio daria atenção a ele. Então o disco seria tocado, mas o ato de tocar não necessariamente vende discos. Se o público gosta do disco, ele sai e o compra. Mas não podem comprá-lo, a não ser que o escutem primeiro”. “Wine And Women” chegou a 19º nas tabelas, mas, como Barry relembra, “ele foi de uma enorme importância para nós. Foi o momento para nós no país, porque as pessoas estavam começando a conhecer os Bee Gees, mesmo que não fosse muito. Mesmo que só fosse um sucesso, já era alguma coisa”.

Os Bee Gees tiveram seu sucesso, mas eles ainda tinham o velho problema de tocar para público adulto. Agora adolescentes, eles estavam realmente com vontade de tocar mais rock´n´roll. Hugh relembra, “Nos apresentamos em um clube uma vez, um público de soldados retornados da guerra, na maior parte com idades entre 40 e 50 anos. Se apresentaram como de costume, tiveram aplausos. Barry veio e disse ‘Eles não querem isto, você sabe. Eles querem rock’. Eu disse ‘Desista, olha a idade deles’. Na segunda parte, Maurice colocou sua guitarra e eles começaram a dançar rock. O lugar se agitou, os velhos pés estão em ação”.

Todos os irmãos se tornaram músicos, e então começaram a incorporar seu novo talento nas apresentações. Maurice explica que ele “costumava tocar violão em nossas apresentações, um pouco. Eu adoro o baixo porque ele sempre adiciona profundidade… mais baixo do que cantávamos sempre. Eu me tornei mais interessado no baixo do que outra coisa. Violão primeiro, depois piano e o baixo foi o terceiro”. Robin estava também tocando órgão, mas o maior objetivo dos Bee Gees era dirigido à composição e gravação. Quando era tempo de se apresentar, era, a maior parte das vezes, os três em harmonia em volta do violão de Barry.

Barry diz “nós continuamos a tocar para adultos e aí estava nosso defeito, o porque de não termos sido um grupo pop mais cedo. Você tinha que estar visível aos garotos. Você tinha que estar lá o tempo todo e nós não estávamos fazendo aquilo”.

Suas apresentações em nightclubs se deviam ao seu encanto de garotinhos, mas, embora as apresentações não tenham mudado muito, os irmãos tinham. Eles eram adolescentes agora e porque estavam rodeados de adultos a maior parte do tempo, pareciam mais velhos que sua idade real. Maurice diz que “se xualmente, mesmo fisicamente, avançamos um pouco mais rápido, peitos cabeludos e tudo o mais. Nunca fizemos alarde do fato que tivemos uma ótima vida se xual”. Barry era um conquistador. “Quando eu tinha 15 ou 16 anos, eu estava namorando 6 garotas ao mesmo tempo. Minha vida era agradável até que elas todas descobriram. Você tem realmente que afastar uma das outras todo o tempo. Dá certo, mas não abuse da sorte, garoto. Eu não era muito bom para as minhas namoradas”. Robin relembra que ele “se apaixonava todo o tempo. Meu primeiro amor foi uma menina chamada Margaret, e ela morava em um lugar chamado Lidcombe, em Sydney”. Sempre o romântico, Robin adiciona “nos amassávamos toda noite”.

Os Bee Gees estavam crescendo rápido porque, como Maurice aponta “nós fomos adultos toda nossa vida. Acho que éramos um pouco francos em algumas ocasiões e naturalmente as pessoas pensavam que nós éramos um pouco “obnoxious” (ofensivo, insultante em português). E eles pensavam ‘ô, pequenos cabeçudos “obnoxious” ‘. Meu pai costumava dizer ‘eles acham vocês uns pirralhos ‘obnoxious’. Eu nunca soube o que a palavra ‘obnoxious’ significava, fosse o que fosse, eu falava ‘êi, grande, nós somos ‘obnoxious’ “.

“Nós crescemos na televisão, como os Osmonds, e os australianos nos viram crescer. Nós éramos conhecidos como os favoritos das mães e dos pais. Nós íamos à TV e eles diziam ‘Aqueles três garotinhos de novo. Não são uns amores? Não são lindos?’ Eu acho que as pessoas nos chamavam de pirralhos ofensivos porque nós fazíamos sucesso e suas crianças não”.

Barbara acha que seus filhos “eram precoces às vezes porque eles estavam no meio de pessoas mais velhas todo o tempo, mas eles gostavam disso. Eles não eram envergonhados. Até hoje, nenhum deles me respondeu mal. Eles não fariam isso. Fazem graça ou piadinhas, mas nunca nos responderam ou questionaram”. Algumas vezes, alguns anos antes, os meninos foram muito longe. Maurice relembra, “um dia nós estávamos andando rua abaixo em Surfer´s Paradise. Eu tinha escutado uma piada e tinha que contá-la. Estavam só Barry e meu pai, e eu estava no meio deles. A última frase da piada tinha um palavrão. Eu não sabia o que significava, só pensei que era engraçado. Meu pai se virou, bateu na minha cabeça, meu deu um bom puxão de orelhas. E eu disse: ‘o que está errado? Você não riu? ‘ E Barry disse: ‘Vem cá seu bobão. Você sabe o que aquilo quer dizer? ‘ Eu disse: ‘Não, mas fez todos rirem’. Ele
me disse o significado, e aquela foi a única vez, a primeira e a última vez que eu xinguei.

Existiu uma outra vez. Nós estávamos indo de carro pescar e algum idiota passou correndo por nós e um carro de polícia o estava seguindo. Quando chegou na curva, o carro saiu da pista. Um outro rapaz, na calçada, pulou quase 1 metro do chão porque tinha se assustado. Eu disse: ‘Nossa! Quase fez m…. nas calças’. Tomei outro tapa no ouvido porque eu tinha dito a palavra m…a. Nunca fomos autorizados a xingar. Esta era a única coisa que meu pai realmente exigia. Quando você é criança, você não respeita os mais velhos. Agora que sou pai de família, detesto ver minhas crianças responderem. Até você ter seus próprios filhos, você não sabe o que seus pais passaram. Hoje você nota como eles eram uma graça divina – o que eles devem ter passado com 5 crianças… Felizmente, três de nós e papai estivemos sempre
sintonizados, com atenção ao trabalho. Mesmo assim, meu pai nos tratava como ‘vocês são minhas crianças, não me respondam, mesmo que vocês trabalhem e sustentem a família’. A coisa mais importante que ele ensinou foi o respeito aos mais velhos, mesmo que nós é que ganhássemos o dinheiro. Obrigado Deus, por isso”.

Um sucesso em sequência provou ser difícil para os Bee Gees e “I Was A Lover, A Leader Of Men” não foi um sucesso. Foi de considerável atenção ao grupo porque a música deu a Barry o prêmio de “Compositor do Ano” da Rádio Adelaide 5KA em 1965. Os Gibbs ainda não tinham realmente ganho o respeito da sua gravadora. O contrato de 5 anos deles ainda tinha 3 anos pela frente e não existia um grande desejo por parte da Festival em continuar gravando discos dos Bee Gees. Um LP, o primeiro deles, foi lançado em novembro de 1965 e foi chamado “The Bee Gees Sing And Play 14 Barry Gibb Songs”. Apesar daquele LP, a Festival estava relutante a empurrar o grupo. Um compacto final na Festival, “Cherry Red”, caiu nas tabelas e parecia que suas relações com a Festival tinha acabado.

Era março de 1966. Os Bee Gees, de acordo com Hugh, tinha ofertas firmes da RCA e da EMI, e eles estavam prontos para fazer a troca. A Festival, no entanto, não os deixariam cancelar o contrato. Isso levou a uma discussão acalorada, um dia, entre Hugh e Barry de um lado e Fred Marks do outro. Os gritos podiam ser escutados acima e abaixo dos corredores da Festival. Como Barbara relembra “Eles ainda se alteram quando falam sobre isso”. Ao final, no entanto, os Bee Gees não foram liberados de seu contrato, mas foram sublocados à Spin Records, que era chefiada por Nat Kipner. Hugh acha que esta foi só “a maneira com que a Festival deixou os Bee Gees fora do caminho”.

Embora Nat Kipner acreditasse que os Bee Gees poderiam ser bem sucedidos, foi um homem chamado Ossie Byrne que realmente mudou a sorte do grupo. Byrne tinha um pequeno estúdio nos fundos de sua casa de carnes, no subúrbio de Hurtsville, em Sydney, e ele permitiu que os Bee Gees gravassem lá de graça. Robin lembra que Ossie “tinha sempre sido nosso fã, mas achava que devíamos ser trabalhados um pouco melhor, então ele disse ‘venham ao meu estúdio; você podem ter todo o tempo que quiserem’. E nós estávamos lá dia e noite e pudemos fazer experimentos pela primeira vez. Nós nos sentimos grandes. Escrevemos todas nossas próprias músicas. Era como se uma nova porta inteira tivesse sido aberta”. Barry explica que essa oportunidade de gravar por horas, enfim “era o que nós queríamos. Ele foi como um guia espiritual enviado para dar certeza que o que queríamos acontecesse. Ele queria nos ajudar a desenvolver”. De acordo com Robin, “Ossie disse; ‘Seu maior inimigo tem sido que ninguém tem dado a vocês tempo de estúdio’. Então nós falamos: ‘tudo que queremos é ir lá por dois meses. Se nós investirmos nosso tempo no estúdio, nós podemos conseguir um disco número um’. Nós sabíamos disso, então fomos lá”.

Foi o verão de 1966 que os Bee Gees passaram, fazendo seu aprendizado no estúdio de Ossie, aprendendo não só como fazer discos, mas também descobrindo que, dado o tempo e oportunidade, eles poderiam ser compositores prolíficos, tanto em grupo como individualmente. Foi também nessa época que eles começaram a notar que queriam deixar a Austrália. Barry lembra que “nós três e o Ossie conversamos ‘nós temos que sair daqui para conseguir’. Nós discutimos por semanas e então fomos e contamos a nossos pais como nos sentíamos. Mamãe e papai não gostaram muito da ideia de voltar, pois já sabiam que, de onde tinham vindo, não era bom de todo”. Hugh lembra de “ser contra no começo. Pensei que seria muito cruel”. Em certo ponto, ele até mesmo tratou de tirar os passaportes dos garotos, entendendo que seus filhos estavam determinados a ir. Barry lembra como seus pais tentavam desencorajá-lo dizendo, ” ‘existe a chance de que ninguém vai querer conhecer você. A chance de que vocês vão querer voltar’. Os irmãos responderam, dizendo ‘nós sabemos, mas se não tentarmos, nós detestaremos um ao outro toda nossa vida por não empurrarmos um ao outro para conseguir isso’. Eventualmente, depois de poucos argumentos e reapreciações e tudo o mais, decidimos ir para a Inglaterra”.

Entre aquela decisão e a partida dos Gibbs em janeiro de 1967, os Bee Gees, ironicamente, tiveram o sucesso na Austrália que tinham procurado por tanto tempo. “Spicks and Specks”, uma das várias músicas gravadas no estúdio de Ossie Byrne, foi lançado como um compacto em setembro de 1966 e se tornou um sucesso em todo o país. Barry nota que “nós provamos algo a nós mesmos, que, dados tempo e inspiração por outras pessoas, éramos capazes de fazer muitas coisas. Mas nós tínhamos que ir para a Inglaterra porque lá estava a porta para o sucesso internacional. A Austrália não podia nos dar aquilo”. Examinando sua carreira australiana, Robin acha que “nós nunca conseguimos o real ‘estrelato’, considerando como os Bee Gees eram tratados na época. Se tivéssemos conseguido algum, na nossa carreira profissional, poderíamos até ter ficado. Mas do modo que éramos tratados, o único remédio para os Bee Gees era deixar a Austrália”.

Justamente quando eles estavam prontos para dizer adeus, a Austrália estava finalmente começando a dizer ‘olá’. Em 1966 eles foram eleitos Grupo do Ano e Barry ganhou o prêmio de melhor compositor do país, pela imprensa nacional. Aos 17 anos, Barry já tinha uma impressionante história como compositor. Hugh relembra que um escritor deve ter pensado: “como é possível para um garoto de 17 anos escrever tais músicas quando ele nunca experimentou essas emoções. Ele escrevia músicas de amor tão profundo”. Ao final de 1966, Barry tinha escrito músicas que foram gravadas por cantores australianos como Col Joye, Ronnie Burns, Lonnie Lee, Reg Lindsay e Noleen Batley, e grupos de rock como The Twilights, The Vibrants e Steve & The Board. O último grupo era comandado por Steve Kipner, o filho de Nat Kipner. O baterista do grupo, em uma época, era um jovem rapaz chamado Colin Petersen, um futuro Bee Gee.

Com “Spicks and Specks” subindo nas paradas, o segundo LP australiano dos Bee Gees, “Monday´s Rain”, foi lançado com o sucesso incluído como o segundo título. O álbum consistia, em muito, de material gravado com Ossie, músicas que eram as primeiras gravações do grupo que são escutadas até hoje. O grupo enviou aquele álbum (e fitas de outras músicas daquelas sessões, como “Mrs Gillespie Refrigerator”, “Deeply Deeply Me” e “Gilbert Green”) para algumas companhias na Inglaterra. Incluídas na lista delas estava a NEMS, a organização que era chefiada por um tal de Brian Epstein, empresário dos Beatles.

Antes de deixar a Austrália, os Bee Gees também, finalmente, deixaram o seu Brylcream de lado e o cabelo crescer. “Pouco antes de irmos”, Barbara lembra, “Hugh os autorizou a deixar os cabelos encompridarem. Eles tinham estado atormentando por um longo tempo”. Hugh perguntou a seus filhos na época, “isto faz vocês cantarem melhor, com o cabelo comprido?”.

Falando seriamente, os Bee Gees não escaparam da Austrália solteiros. Barry diz
“conheci Maureen Bates em Sydney junto com seus pais, em um clube da Liga de Soldados. Namoramos firme desde os 16 anos e então nos amarraram com um casamento que eu acho que nenhum dos dois queria. Eu acho que ela só queria ter segurança, nós estávamos deixando a Austrália e indo para a Inglaterra. Ela não queria enfrentar a situação de esperar eu voltar e pensar que eu poderia não voltar. Ela me pôs em uma posição de ‘vamos casar agora, antes de você ir’. O começo foi bem, mas o que havia funcionado como namorado e namorada, não funcionou uma vez pronunciada a palavra ‘casamento’. Se tornou uma prisão depois daquilo, para os dois. Causou a ela muito mais tristeza do que a mim”. O casamento terminou em separação depois de pouco mais de um ano, e oficialmente, com o divórcio em 1970.

A família Gibb cresceu, antes deles irem embora: Leslie tinha dado à luz a uma menina, Bernice. Quando os Gibb deixaram a Austrália para viajar para a Inglaterra, seu grupo era de sete pessoas: Hugh, Barbara, Maurice, Robin, Barry, Andy e Ossie Byrne. Outro amigo dos Gibb, Bill Shepherd, havia mudado de volta à Inglaterra na mesma época. Leslie ficou para trás com seu marido, Keith Evans, embora tivessem mudado para a Inglaterra mais tarde, em 1967, onde ficaram poucos anos antes de retornarem definitivamente para a Austrália.

Uma coisa que os Bee Gees não fizeram antes de deixar a Austrália, foi fazer grande alarde da sua partida. Eles tinham assistido muitos australianos partirem para a Inglaterra, com enormes despedidas e manchetes nos jornais, dizendo que esta seria a viagem que o fariam grandes no mundo inteiro. Ninguém, com exceção dos Seekers, tiveram algum sucesso, então os Bee Gees saíram sem serem percebidos. Como Maurice admite, “nós sabíamos que se não conseguíssemos na Inglaterra, poderíamos sempre voltar à Austrália e ainda trabalhar. Não saímos com uma grande festa. Ninguém sabia que tínhamos ido”. Hugh relembra como ele insistia para que não houvesse alarde: “enviamos cartões-postais para os disk-jockeys, da primeira parada na viagem que foi em Thursday Island. Os cartões diziam: ‘estamos a caminho da Inglaterra’ “.

A família Gibb, com apenas a ausência de Leslie, estava na metade da viagem de retorno, que tinham iniciado em 1958. Embora eles tenham achado um modo de vida agradável “lá no sul”, as ambições dos Bee Gees ordenaram um retorno à pátria-mãe. Infelizmente, suas condições financeiras eram quase as mesmas de quando eles tinham deixado Manchester em 58. Foi o dinheiro ganho com o sucesso “Spicks and Specks” que pagou parte da viagem. Hugh conta os detalhes: “Nós descobrimos que os Seekers tinham trabalhado, em sua ida para a Inglaterra, em um navio chamado ‘Fair Sky’. Nós não tínhamos o dinheiro para a passagem, então fizemos um trato com a companhia do navio. Os meninos e eu viajaríamos de graça, e, em retorno, nós entreteríamos o navio”.

No momento da partida do grupo, aconteceu um fato que resumiu o tratamento que eles tinham recebido todo o tempo da Festival Records. “A Festival”, Robin relembra, “trouxe uma ordem para tentar nos impedir de deixar o país. Festival Records que uma vez disse: ‘troquem seu nome e mudem para Melbourne’. Festival Records que uma vez disse: ‘Esqueça, se vocês não podem fazê-lo aqui, o que faz vocês pensarem que podem fazer em qualquer lugar mais’. E Festival Records que uma vez disse: ‘Desistam, está terminado’. Não tinha sequer começado e eles diziam que tinha terminado”. Era um acontecimento amargo, que terminava sua estada australiana, mas era o tipo de tratamento que fez com que os Bee Gees fossem
mais firmes, com a decisão de quem fala “nós mostraremos a vocês”.

Somente quando eles estavam no navio é que souberam que “Spicks and Specks” tinha chegado a número 1. Robin lembra sentir que “isto era um sinal. Nós sabíamos porque era número 1, porque pessoas como Ossie tinha nos dado tempo, nos salvando. Se a Festival tivesse dado o tempo, não teria sido tão frustrante, mas acabamos tendo que fazer nós mesmos”. Os irmãos também tinham quase certeza que se não tivessem sucesso como grupo pop, eles podiam conseguir como compositores. Como Robin nota, “nós todos escrevemos nosso próprio material, e estávamos sempre interessados em ser os maiores compositores. Isso era nossa maior meta”.

O tratamento que os Bee Gees receberam na Austrália foi uma das razões-chave para
decidirem viajar. Não é possível realmente exagerar a amargura e a frustração que sentiram. Os irmãos Gibb sempre se consideraram merecedores de serem ouvidos pelo público, e eles acham que nunca conseguiram. Mesmo depois de terem ido, Barry conta, as cutucadas não terminaram. “Quando nós estávamos no navio, continuamos recebendo notícias dos amigos sobre “Spicks and Specks” ser um sucesso enquanto estávamos no caminho da Inglaterra. Os jornais australianos locais tinham estórias como ‘Bee Gees abandonam a Austrália’. Eu acho que não era justo”.

Deixando um sucesso para trás na Austrália, os irmãos Gibb foram para casa na Inglaterra e para um futuro incerto. Deixaram para trás uma vida certa de astros australianos. Agora realmente não havia escolha. O grupo tinha que ir, se eles quisessem ser sinceros a eles mesmos. “Col Joye foi o único camarada na Austrália que me disse: ‘Hughie, você tem a única coisa aqui que fará sucesso além-mar’. Ele foi o único que disse isso”. Só levaria uns poucos meses para os Bee Gees provarem que Col Joye estava certo e que o resto da indústria musical australiana não.

3 – INGLATERRA E ESTRELATO

Barry: “Nossa mãe lê cartas. Antes de deixarmos a Austrália ela disse, ‘eu não posso dizer se serão 5 anos ou 5 meses, mas dentro de 5 você terá o que quer, dentro de 5 meses de sua chegada na Inglaterra’. Ela nos falou sobre Robert (Stigwood) antes de conhecê-lo. Ela disse, ‘um tipo de homem loiro, de meia-idade, entrará na sua vida’ “. As previsões de Barbara Gibb, todas, se tornaram realidade, mas foi mais do que uma sensação, um sentimento.

Em 3 de janeiro de 1967, seis Gibbs e Ossie Byrne deixaram a Austrália no “Fair Sky”. Hugh relembra que no primeiro dia a bordo, foi ao comissário de bordo “que não sabia ainda que nós estávamos no navio ou que iríamos tocar. Todos os planos de entretenimento tinham sido feitos. Então ele disse, ‘Bem, se nós tivermos um show alguma noite, será que os meninos se importariam em tocar vinte minutos? ‘ Eu disse que estava certo”. Hugh estava um pouco aliviado porque ele “tinha analisado apresentações deles toda noite e que eles poderiam tocar todo o material. Em cinco semanas eles só apareceram três ou quatro vezes”.

Aquelas apresentações, de qualquer modo, foram um presságio do que viria depois. “O barco estava cheio de jovens australianos que iam para a Inglaterra”, Hugh lembra. “Eles conheciam os Bee Gees, e os meninos tiveram uma recepção fantástica. Eles faziam vinte minutos de apresentação de nightclub, e então Maurice ligava sua guitarra elétrica. E eles começaram a tocar rock´n´roll. O lugar estava repleto. Os dedos de Barry sangravam; ele nunca usou uma palheta. Eles tocaram “Twist and Shout”. Eles descobriram que se tocassem músicas dos Beatles, o povo ficava maluco”. Durante a viagem, Maurice relembra que quando o navio parou no Ceilão, ele comprou uma cítara, “e quando eu saí com ela, todos estavam gritando, ‘George! Beatles! ‘. Eu disse, ‘Não, desculpe. Ele tem mais cabelo que eu’. Naquele dia nós aprendemos ‘Norwegian Wood’ (uma música do álbum Rubber Soul, dos Beatles, no qual George Harrison tinha introduzido a cítara ao rock). Nós praticamos como loucos enquanto o barco seguia, sentados em umas poucas almofadas. A cítara foi a primeira coisa que vendi quando chegamos na Inglaterra”.

Foi durante essa viagem que os irmãos, principalmente Robin, satisfizeram sua paixão em contar estórias. Maurice lembra como “todo dia, as atividades do dia eram colocadas em um painel de vidro e ao lado da lista de atividades, no canto do painel, sempre havia um poema escrito pelo poeta fantasma do ‘Fair Sky’. E ninguém sabia quem era. Era Robin datilografando em uma máquina de escrever lá na nossa cabine. Todos aqueles poemas como “A casinha na colina”:
A casinha na colina
Aonde tudo era vermelho
Com uma adorável cerca vermelha em toda sua volta
E ela sumiu
E ele continuava. Ele tinha uma carga boba de poesias inúteis. E todos ficaram fascinados por este rapaz”.
E todo dia Robin parava ao lado com um sorriso tímido e maroto, e assistia as pessoas lerem seus poemas, sabendo o tempo todo o segredo do poeta fantasma do “Fair Sky”. Durante aquela viagem, Robin e Barry também escreveram um livro inteiro de pequenas estórias. Existiam planos para publicá-los, mas depois, como tantas ideias dos Gibbs, não foi realizado por motivo de problemas internos que o grupo experimentaria no final dos anos 60.

A jornada de volta à Inglaterra levou 5 semanas. Com espírito de aventura, os Gibbs e Ossie Byrne desceram do navio quando ele chegou a Suez e foram por terra até o Cairo. Eles viajaram através do deserto do Saara de ônibus, viram as pirâmides e se juntaram ao navio em Port Said. Mais tarde, eles visitariam Pompéia e Nápoles.

Depois de uma ausência de quase nove anos, a família Gibb chegou à Inglaterra em 7 de fevereiro de 1967, quando o “Fair Sky” alcançou as docas em Southampton. A primeira parada dos Gibbs, Hugh relembra, “foi em hotel grotesco em Hampstead. Naquela sexta-feira alugamos uma casa mobiliada, para duas famílias, em Hendon”. Uma ou duas semanas desencorajantes se passaram enquanto os Bee Gees tentavam achar emprego na Inglaterra. Hugh relembra que “pessoas na Austrália enviaram uma ou duas cartas a nosso favor. O empresário dos Seekers, Eddie Jarret, estava no escritório de Sir Lew Grade, das Organizações Grade, o grande complexo empresarial. ‘Muito interessado’, ele diz”, até que os Bee Gees realmente chegassem à Inglaterra e fossem vê-lo em seu escritório no Palladium. De acordo com Hugh, “ele parecia muito mal-humorado. Ele conhecia a cena pop e disse ‘não existe nada lá’. ‘Spicks and Specks’ não significava nada para ele. Ele disse, ‘Tentarei arrumar algum trabalho nos clubes para vocês garotos, tentar manter vocês trabalhando’. Aquilo foi o que aconteceu, e então voltamos para casa”.

Enquanto isso, na casa dos Gibbs em Hendon, um misterioso Sr. Stickweed estava tentando entrar em contato com os Bee Gees durante todo o dia. Hugh disse, “Stickweed? Eu não sei quem ele é”. Barbara respondeu, “Eu também não, mas se ele não telefonar hoje à noite, ele telefonará de novo amanhã”. Hugh lembra de ter pensado que o misterioso Sr. Stickweed era “um dos empresários de Eddie Jarret com algum trabalho de clube para nós”. Às 8:20 da manhã seguinte, todos ainda estavam na cama quando o telefone tocou. Era o Sr. Stickweed. A família inteira se juntou a Hugh no telefone, escutando. “Ele fala, ‘meu nome é Robert Stigwood, sócio de Brian Epstein’ “. Os meninos estavam na escada e perguntaram “Quem é?”. Como Hugh relembra romanticamente, ele sussurrou triunfante, “É Eppie! ” se referindo a Brian Epstein. Era, certamente, a mesma coisa. Sr. Stigwood continuou, “olha, estamos fazendo uma grande arrumação aqui no escritório, e encontramos o acetato que vocês nos mandaram, e nós o tocamos. Vocês poderiam vir e encontrar-nos esta tarde?” “Eu disse, ‘está bem. Você quer ver os garotos?’ ‘De qualquer maneira, traga-os’. Foi como tudo começou”.

Por mais de 10 anos, Robert Stigwood tem sido o empresário dos Bee Gees(*), e ele relembra a cadeia de circunstâncias que o trouxe para junto dos Gibbs. ” Eu era o empresário associado e diretor da NEMS com Brian. Eles enviaram um acetato e fitas das músicas, e eu os escutei. Eu não podia acreditar na harmonia deles e suas composições. Então eu descobri que eles estavam em um navio, mas eles não me deixaram nenhum endereço aonde encontrá-los na Inglaterra. Acho que eu cheguei até eles quase no dia seguinte da chegada deles e os convidei para vir ao meu escritório e se encontrar comigo. E eles vieram e entraram. Eles eram pessoas
inacreditavelmente engraçadas. Agradáveis. Quase sempre, quando as pessoas estão começando em um trabalho, elas ficam razoavelmente nervosas quando encontram com chefes. Eu estava espantado com sua desinibição. Eles eram educados, mas totalmente desinibidos, fazendo muita graça. Costumávamos brincar muito porque eu adorava o humor deles. Aparte de lançar suas carreiras, nós todos nos tornamos bons amigos. As personalidades que você vê hoje são exatamente as mesmas que tinham na época”.

(*) escrito em 1979.

Molly Hullis, que é agora também a Sra. Robin Gibb (* em 1979), era a recepcionista na NEMS e lembra o encontro memorável. “Eles chegaram no final da tarde parecendo meio sujos, com roupas antiquadas, pelo menos no que se referia à Inglaterra. Pensei, ‘oh, outro grupo que vem argumentar’. Eles eram tipo tímidos e nervosos e não sabiam como se apresentar. Então eu disse, ‘Quem vocês querem ver?’. Eles disseram, ‘nós viemos ver Robert Stigwood. Nós somos os Bee Gees’ “.

Depois de uma curta conversa com o “Sr. Stickweed”, os Bee Gees logo fizeram sua primeira apresentação inglesa. Robert “queria ver e ouvir como eles cantavam ao vivo, antes de assinar todos os contratos. Eu disse a eles para não ficarem nervosos por causa disso. Era só uma coisa formal que eu queria passar”. Um taxi foi despachado a Hendon para pegar as guitarras dos Bee Gees, e todos se juntaram na calçada do teatro Saville, o teatro que havia sido utilizado para filmar as sequências do show para “A Hard Day´s Night” dos Beatles. Robert continua: “Eu tinha estado em uma festa a noite anterior e estive acordado a noite toda, então estava com um sono terrível. Eles acharam que eu não estava gostando da música deles, e eu expliquei que não era aquilo, que eu realmente os achava muito bons”.

A própria audição não foi impressionante. Barry relembra que “nós cantamos três ou quatro músicas incluindo ‘Puff, the Magic Dragon’, um segmento de Peter, Paul and Mary. Terminava com Maurice beijando Robin no rosto. Isto costumava ser engraçado. Quando você fica mais velho, não é mais engraçado”, Barry brinca. “É altamente suspeito e não deve ser repetido. Robert viu por ver. Com seu sono e tudo, ele parecia terrível e sentia-se terrível. Isto fez com que ele fosse embora”. Os Gibbs voltaram para casa, para uma ansiosa Barbara que perguntava “como foi?”. “Não sabemos”, responderam. “Ele somente se levantou e foi embora antes que terminássemos”. Hugh lembra de ter dito, “É melhor voltarmos à Austrália”. Não foi de todo ruim. Como Maurice lembra, quando “ele foi embora, disse, ‘estejam no meu escritório às 5’. Nós fomos lá, Ringo saiu e nós quase trememos”.

O maior momento nas jovens vidas dos Gibbs estava por acontecer. De acordo com Barry, Stigwood disse, “Estamos preparados para oferecer a vocês um contrato de cinco anos”. Robert chamou de “um contrato bastante especial. Eu sempre fiz contratos com artistas pelo prazo de um ano com opções de estender, mas o trato que eu fiz com eles foi um trato firme de 5 anos”. Com uma velocidade inacreditável e com não mais que sua intuição no ramo,Robert Stigwood tinha em um dia, se encontrado, escutado e assinado com três rapazes que estavam para se tornar um dos mais populares e bem sucedidos times de compositores e grupos pop desde os Beatles. A experiência inteira foi um sonho que se tornou real, e era realmente uma chance em um milhão. Quando alguém nota quantos discos e fitas de demonstração são feitos e enviados todos os dias, é loucura pensar que um grupo australiano esforçado enviou um pacote de suas músicas para a companhia que dirigia os Beatles e terminou com um contrato de 5 anos. Os Gibbs tinha chegado na Inglaterra com apenas algumas centenas de libras em seus bolsos; em três semanas, eles tinham assinado um contrato exclusivo que os faria milionários.

Com toda a excitação, haviam duas perguntas não respondidas: a primeira continua um mistério até hoje. Quando os Bee Gees enviaram suas fitas à NEMS, não incluíram um endereço inglês porque eles não tinham ideia aonde seria. Ninguém sabe como Robert conseguiu o número de telefone deles. Barbara, entretanto, aponta que ‘ele é tão astuto, tão rápido, que imediatamente descobriu aonde estávamos. Robert pode achar qualquer pessoa que ele queira; ele é este tipo de homem”. A outra pergunta era como Robert escutou suas fitas. De acordo com Barry, “Brian e Robert estavam sentados uma noite e tinham essas fitas por perto, e disseram ‘vamos tocá-las e ver o que está nelas antes de jogarmos fora’. E eram nossas fitas”. Barbara relembra que “Robert me falou que os acetatos estavam na mesa de Eppie, e ele disse a Robert ‘você está interessado em ouvir isto? É bom, mas eu estou muito ocupado com os Beatles. Você deveria escutar isto’. Robert os levou para casa com ele e ficou na mesa dele por duas ou três semanas. Uma noite, quando não estava fazendo nada, ele sentou-se e escutou. E foi a nocaute”. Robert explica que “a sua harmonia em cantar, aquela qualidade natural que você só consegue com irmãos, e com sua habilidade em escrever, seria muito difícil para eles não acertarem”.

A apresentação foi no dia 24 de fevereiro de 1967. Em uma entrevista à imprensa naquele dia, Robert Stigwood disse “os Bee Gees fizeram um dos mais excitantes shows que eu já vi. Eles têm uma tremenda versatilidade, e um profissionalismo increditável. É impossível superar seu potencial internacional tanto como cantores quanto como compositores”. A máquina da publicidade estava começando a espalhar a palavra sobre seu novo grande grupo; na mesma época a Polydor lançou “Spicks and Specks”. Não fez sucesso na Inglaterra, mas foi um pequeno sucesso em alguns países da Europa Ocidental e ajudou a abrir caminho para um grande sucesso no futuro. Para os Bee Gees, suas poucas semanas de desemprego na Inglaterra haviam acabado bem rapidamente. Maurice lembra, “Robert nos falou mais tarde que Brian tinha seus rapazes, e ele queria os seus Beatles. Realmente, ele estava atrás da nossa música, da nossa composição. Então ele falou ‘vão em frente! ‘. Ele disse, ‘ vocês podem estar no estúdio na próxima sexta-feira para começar a gravar seu primeiro álbum?’ “. Se era uma pergunta que os Bee Gees queriam ouvir, era esta.

Então, os irmãos Gibb foram aos estúdios da Polydor para escrever músicas e gravar demos antes de irem aos estúdios principais da IBC. Foi na Polydor que os Bee Gees estavam para escrever seu primeiro sucesso internacional. Durante todos os anos, os irmãos procuravam lugares para cantar onde tivesse um grande eco, tanto um banheiro, um corredor ou um estúdio de gravação. Barry relembra que “estávamos nos degraus, nos fundos da Polydor Records, perto de um elevador. As escadas davam a volta no elevador por uns quatro andares e tinha muito eco. Estava muito escuro e era noite. Não podíamos ver uns aos outros. Mas o eco era agradável. Foi o que nos inspirou a escrever aquela música. Inspiração também veio do desastre na mina de Aberfan, no País de Gales, que aconteceu na mesma época”.

“Aquela música” era “New York Mining Disaster 1941”, uma balada elaborada que foi a música absolutamente perfeita para lançar o grupo. E como outros primeiros trabalhos britânicos, “Mining Disaster” tinha um som similar ao gosto popular. “Nós fomos basicamente influenciados pelos Beatles, acima de tudo. Algumas de nossas músicas eram influências diretas das músicas dos Beatles”.
Para os irmãos, um dos aspectos mais excitantes de gravar Bee Gees 1st foi que eles
estavam prontos para usar cordas. “Na Austrália”, Barry explica, “o que nós realmente
queríamos escutar eram cordas, mas não podíamos conseguir isto lá. Então, quando viemos para a Inglaterra, sabíamos que queríamos escutar nossa música com uma orquestra atrás. Robert nos perguntou o que nós queríamos fazer com nossa música, e nós pedimos a ele uma orquestra”.

Enquanto vários grupos pop têm incorporado cordas em seus álbuns, os Bee Gees eram os primeiros a usar realmente uma orquestra como parte integrante de sua música como oposição às cordas usadas para ‘suavizar’ o som. E mesmo que não tivessem estudo formal de música, os irmãos, como Robin nota, faziam “todo o nosso próprio arranjo para cordas. Nós sentávamos com o gravador, com o som de fundo que tínhamos gravados anteriormente, tocávamos, e anotávamos as linhas que queríamos escutar. Era como compor uma música separada, mas ainda é compor.Nós tínhamos alguém para escrever as notas por nós”. De 1967 a 1973 essa pessoa era Bill Shepherd, um dos poucos que trabalhavam com música na Austrália que tinha fé nos Bee Gees.. Barry lembra que “nós sempre quisemos cordas nos nossos álbuns. Quando encontramos Bill Shepherd e descobrimos que ele era um arranjador, nós dissemos, ‘você quer voltar à Inglaterra conosco?’. Nós nunca pensamos sobre suas
habilidades, nunca pensamos realmente. As pessoas sempre agradavam a gente ou não”.

Quando Robert Stigwood falou aos Bee Gees que eles poderiam usar instrumentos de cordas, a pessoa que eles chamaram foi Bill Shepherd. Durante sua carreira, a família tem sido de suprema importância e não somente por relações sanguíneas. Bill Shepherd tinha acreditado nos Bee Gees na Austrália, tinha empurrado suas carreiras e os Gibbs não tinham esquecido. Como um dos poucos que acreditavam neles, Bill Shepherd foi parte da família dos Bee Gees por muitos anos, fazendo os arranjos nos álbuns e conduzindo a orquestra nos shows.

Naturalmente, outro velho amigo australiano que estava no estúdio com o grupo era Ossie Byrne. Como co-produtor de Bee Gees 1st, é difícil determinar sua contribuição para aquele disco, mas a contribuição de Ossie para o primeiro grande sucesso deles não pode ser subestimado. Um terceiro australiano se juntou ao time, logo depois de Bill Shepherd. No mesmo prédio de apartamentos que Shepherd morava, vivia um jovem baterista, Colin Petersen. Colin era um ator infantil, mais conhecido pelo seu papel no filme “Smiley”, mas ele era um baterista completo, que tinha estado em vários grupos da Austrália, notavelmente em “Steve and the Board”. Bill trouxe Colin para os Bee Gees, e ele foi contratado.

Foi durante as últimas semanas do inverno de 1967 que a “primeira” carreira internacional dos Bee Gees estava tomando forma com grande velocidade. Na época, na única vez na carreira deles, os Bee Gees pensaram em trocar de nome. Robin: “Nós falamos a Robert que gostaríamos de trocar nosso nome para ‘Rupert´s World’. Ele olhou para nós muito estranho. Não era um nome tão mau para 1967. Naquela época os nomes não eram muito longos, apenas o suficiente para estar na moda. Então ele disse, ‘nós faremos seu primeiro disco como Bee Gees e se ele fracassar, então trocaremos de nome e ninguém vai notar”. Como Barry relembra, “era como trocar seu nome de Charlie S.h.i.t para Fred S.h.i.t”.

De volta ao estúdio, os Bee Gees estavam completando rapidamente o trabalho no seu LP. Com exceção de “Mining Disaster”, “Holiday” e “Every Christian Lion Hearted Man Will Show You”, todas as músicas tinha sido escritas ou na Austrália ou durante a viagem para a Inglaterra, então levou somente três semanas para gravarem o álbum. As músicas são cheias de ideias que estavam brotando da imaginação fértil dos Gibbs. Satisfeitos em escrever músicas de amor ou estórias comuns, Barry e Robin, especialmente Robin, estavam começando a criar algumas fantasias pouco comuns. “Mining Disaster” era o primeiro passo nessa direção.
Um dos primeiros discos que os Bee Gees escutaram na sua volta à Inglaterra foi “Strawberry Fields Forever” dos Beatles. O efeito daquele disco nos Bee Gees em termos de imaginação visual e sonora foi considerável. Em Bee Gees 1st, o som do mellotron, um recém-chegado ao rock em “Strawberry Fields”, se tornou parte do som dos Bee Gees.

Em abril de 1967, Robert Stigwood começou a preparar o público para a chegada dos “novos Beatles”. Realmente ele o fez muito espertamente, ainda que de modo dispendioso. Com uma festa enorme em uma discoteca de Londres, e uma campanha publicitária que custou milhares de dólares, Stigwood lançou ” NY Mining Disaster 1941″ com a legenda que aqui estava um grupo que, aparentemente, era o herdeiro dos Beatles. Na modéstia de sempre, Robert disse, “Eu fiz um grande lançamento deles”. Na época, se a palavra “hype” tivesse sido usada, teria se aplicado perfeitamente. Com um tremendo oba-oba, Stigwood acabou usando os Beatles para puxar o grupo. Apesar de quanto favorável ou não as comparações provassem ser, Stigwood fez, em dias, o que levaria anos para outros grupos. Ele tinha todo o mundo musical britânico falando sobre os Bee Gees. Ninguém sabia nada deles, mas isto não importava. As línguas estavam à toda, a carreira inglesa deles estava começando a decolar.

Durante a gravação de Bee Gees 1st, um rapaz com um problema tinha ido visitar Robert Stigwood. Dick Ashby era o empresário de viagens de um grupo britânico chamado “Birds”, e quando aquele grupo se desfez, Ashby se viu com uma caminhonete cheia de equipamentos, mas ninguém para tocar os instrumentos. Quando ele falou a Stigwood sobre suas qualidades, Stigwood imediatamente comprou “a corda e a caçamba” e contratou Ashby para ser o empresário de viagens dos Bee Gees. Ashby tem estado com os Bee Gees desde então, se tornando seu empresário pessoal do dia-a-dia em 1970. Hoje (*1979), ele é a ligação principal entre os Bee Gees e o mundo.

Ashby relembra os primeiros shows britânicos dos Bee Gees com um sorriso e uma balançada de cabeça. “Nós fizemos algumas datas em clubes, algumas vezes dois clubes por noite. Eu me lembro do Nottingham Boat House e o Nottingham Beachcomber, os dois em uma noite. Eu estava remanejando todo o equipamento sozinho. Os Bee Gees não eram conhecidos na época, ‘Mining Disaster’ estava recém lançado, então a reação do público era virtualmente nula. Era um pouco melhor que um conjunto de bar porque Robert tinha começado sua campanha, começado a espalhar seu dinheiro, então eles sabiam quem estavam vendo, mesmo que não tivessem a menor ideia do que estavam escutando. O público sabia que o nome estava começando a significar alguma coisa”. Não significava muito porque, como Barry relembra, “nós tínhamos que cantar cerca de uma hora de músicas de qualquer um, porque ninguém conhecia nosso repertório. E nós tínhamos ‘Mining Disaster’, então esse era o nosso show. Em Nottingham Boat House, nosso camarim tinha 30 centímetros de água”.

A primeira aparição dos Bee Gees na Inglaterra, fora de nightclubes e bares foi como parte do show de Páscoa no Saville Theatre de Londres, aonde eles tinham feito uma apresentação para um sonolento Robert Stigwood. Desta vez, Barry relembra, sua recepção foi até pior. “Vince Melouney tinha se juntado a nós como guitarrista principal, e nós tivemos só uma tarde para ensaiar. Eles pensavam que éramos um grupo de rock´n´roll, e nós tínhamos acabado de formar o grupo e ele não estava realmente pronto. Não tínhamos nem trabalhado um show. Era a primeira vez nas nossas vidas que éramos um conjunto. Até então, tinha sido só nós três com um violão. Nós fizemos um ensaio de quatro horas com Vince e Colin, entramos no palco, e eles nos odiaram”.

Não era os Bee Gees que o público odiava. Era qualquer um que retardasse a chegada do homem que eles queriam ver, Fats Domino. Gerry and the Peacemakers também tinham se apresentado e eles tinham realmente uma porção de sucessos, mas ninguém realmente queria vê-los. Barry aponta que “tudo o que eles queriam era Fats Domino. Eles eram todos “Teddy Boys” e nos odiavam. Robin teve um ovo atirado em si, que o acertou bem no peito”. Aquele show obviamente não é um dos assuntos favoritos de Robin, por ser o que ele poderia chamar de um “soco no queixo”, mas ele tenta explicar a hostilidade do público. “Você sabe, musicalmente, nossa direção estava muito dispersa, na época. Nós não sabíamos qual seria nossa imagem ou como ela podia aparecer. Era um grande público de rock pesado. Nós tínhamos que cantar alguma coisa de rock´n´roll, senão eles teriam atirado facas em vez de ovos”.

Naquele dia, a apresentação dos Bee Gees incluíam o segmento de Peter, Paul e Mary e também versões de “Strange Brew”, “You Keep Me Hanging On” e “High-Heeled Sneakers” do Cream. Robin acha “que foi errado para nós, termos cantado ‘Puff, the Magic Dragon’ para um público de rock pesado. Teria sido errado para Peter, Paul e Mary ter andado no palco em frente de uma multidão como aquela. Aquele show era errado para nós, não fazíamos rock pesado”. Mas os Bee Gees não culpam o rock´n´roll pelos ovos. Como Barry lembra quase rindo, “Robin tem sido sempre propenso às ovadas. Aquela foi a segunda vez que um ovo foi exatamente em Robin. O outro foi em Toowoomba, perto de Brisbane”. Dick Ashby tem somente uma lembrança de todo o evento, de “Robin ter sido acertado por um ovo, e ele foi em frente, com essa coisa pingando nele”. As condições não eram as melhores, mas os sempre profissionais Bee Gees terminaram seu programa. Foi uma das primeiras e últimas vezes que eles tiveram problemas em conquistar um público.

Em 14 de abril de 1967, a Polydor lançou o primeiro disco dos Bee Gees “Made in England”, o compacto com “New York Mining Disaster 1941” e “I Can´t See Nobody”. “Naqueles dias”, Barry nota, “a única maneira de um grupo vender era dizer que eles seriam os próximos Beatles, ou que eles bateriam os Beatles. A comparação se tornou publicidade. Robert dizia originalmente, “o maior talento significativo desde os Beatles”. Aquilo foi colocado em todo lugar. Aquilo nos dava muito medo porque como poderíamos sobreviver com aquela declaração?”. Temível ou não, uma vez que a campanha começou e o disco sido lançado, os Bee Gees se tornaram parte de uma bola de neve de publicidade que, nas palavras de Robin, “era preponderante, na época. Mas quando eu olhei para trás, era mais do que uma grande publicidade, uma grande vendagem de discos. Era uma grande abertura, uma publicidade muito esperta, graças a Robert Stigwood. O rapaz era e é um gênio. Naqueles dias, a ajuda de Robert não teve preço”. Sobre a comparação com os Beatles, Maurice diz que “é uma honra. Aqueles rapazes fizeram mais pela música do que qualquer um”. Para Robin, “na época era um tipo de lisonja, e na época isto era também necessário para expor um novo nome. Que melhor maneira senão usar o maior conjunto do mundo como veículo?”.

Na Inglaterra, Robert Stigwood comparava os Bee Gees aos Beatles. Nos Estados Unidos, ele fez muitas pessoas pensarem que os Bee Gees eram os Beatles. Robert lembra que depois de “tê-los lançado na Inglaterra, e por causa da particular natureza da música ‘NY Mining Disaster’, descobri que o pessoal do rádio britânico começou a compará-los com os Beatles. Eu queria realmente estourar rápido nos Estados Unidos, então eu usei este esquema de só enviar o disco, e todos pensaram que eram os Beatles”. Cópias de “Mining Disaster” foram enviadas às estações de rádio e para o pessoal da indústria do disco, e os discos tinham a etiqueta em branco. Como Maurice relembra, “eles tocaram ‘Mining Disaster’ por aproximadamente 2 semanas sem dizer quem era. Eles só diziam que era um grupo inglês, e seu nome começava com ‘B’. Naturalmente, todos pensaram que eram os Beatles. E John (Lennon) fez bem em negar isso”. Robert: “E então foi anunciado, ‘não, não são os Beatles. É um novo grupo chamado Bee Gees’. Este foi o lançamento americano”. Dick Ashby: “Eu não sei quanto Robert gastou na sua campanha inicial; eu diria que foi algo entre 30.000 a 50.000 libras esterlinas, quanto foi gasto no primeiro grande lançamento de Bee Gees 1st e ‘NY Mining Disaster’. Não muito dinheiro nos padrões atuais, mas, para a época, era uma quantia enorme para gastar”.

“New York Mining Disaster 1941” chegou a vigésimo lugar nos dois lados do Atlântico e décimo na Alemanha. O frequentemente tocado lado B do compacto, “I Can´t See Nobody”, é uma música importante para os Bee Gees. Esta balada, cantada com a alma por Robin, era mais do que um exemplo de versatilidade dos Bee Gees. Era um primeiro sinal em relação ao tipo de canção favorita do grupo. “Sempre, desde que começamos”, Robin aponta, “música ‘soul’ tem sido nossa inspiração e ainda é. Música negra, para mim, é a pulsação da música”.

Se alguém ainda pensava que os Bee Gees e os Beatles eram o mesmo grupo, o segundo compacto dos Bee Gees terminou o debate. “To Love Somebody”, outra canção movimentada e cheia de emoção, foi um grande sucesso nos EUA e Alemanha e se tornou o primeiro estandarte do grupo, uma música que vários artistas gravaram. Maurice nota que “as pessoas a tomavam como soul, como country, como rhythm and blues. De Janis Joplin a Frank Sinatra existia uma grande e selvagem diferença. Você poderia cantá-la em qualquer ritmo. A letra era muito comovente”.

Enquanto “To Love Somebody” conseguia altas posições nas paradas fora da Inglaterra, dentro era uma história diferente. Em parte, isto foi atribuído à chegada do “acontecimento” musical da década. Barry: “Pouco antes do nosso álbum sair, Robert trouxe para casa ‘Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band’. Ninguém podia acreditar. Nos deu pavor”. Maurice: “Era inacreditável. Ele só colocou o disco no seu estéreo e falou ‘Jesus’ “. Barry: “Nosso álbum estava todo pronto. Nós só desejávamos poder ter voltado ao estúdio depois de ter escutado o álbum deles”.

O verão de 1967 foi o “verão do amor” em São Francisco e, no mundo musical, foi o verão de “Sgt. Pepper´s”. Naquele julho, os Bee Gees fizeram sua primeira viagem aos EUA, que incluía sua estreia na tv americana, com a apresentação no “American Bandstand” de Dick Clark. Aquela foi a única vez que os irmãos tocaram nos EUA em 1967. O resto do tempo eles estavam promovendo também seu novo lançamento, Bee Gees 1st, ou ocupados escrevendo músicas para o seu segundo álbum. Durante aquela viagem eles também conheceram Otis Redding, um ídolo deles e em especial de Barry. Como cantor ‘soul’, Otis tinha sido uma grande influência ao forjar o estilo vocal de Barry, e tem sido dito que “To Love Somebody” tinha sido escrita na esperança que Otis a gravasse. De acordo com Robin, “Otis iria gravá-la, mas morreu em um desastre aéreo antes que tivesse chance”.

Como qualquer outro turista em sua primeira viagem a Nova York, os Bee Gees fizeram um passeio pelo porto de Nova York, Com o agradável horizonte de Manhattan ao fundo, os Bee Gees escreveram seu próximo compacto, sobre um lugar próximo mas aonde eles nunca haviam estado, “Massachusetts”. Barry explica, “nós estávamos escrevendo uma música, pensando no movimento ‘flowerpower’, porque estávamos ficando cansados daquilo bem antes que qualquer outro, e então pensamos porque não escrever sobre alguém que estava voltando para casa, que tinha estado em São Francisco e não tinha gostado”. Para Maurice existe uma lembrança dolorosa associada à música. “Foi a última vez que eu vi Brian Epstein… era uma sexta-feira e ele foi encontrado morto no domingo. Ele ia se juntar a nós em Cannes no dia seguinte. Ele saiu do seu escritório e disse que ‘Massachusetts’ seria primeiro lugar mundial. Ele disse, ‘É bonita’ e foi embora. Estas foram as últimas palavras que ele falou para mim”.

“Massachusetts”, a balada modelo da primeira fase dos Bee Gees, foi lançada como compacto em setembro de 1967. Ela se tornou o primeiro sucesso monstro deles, indo a número 1 na Inglaterra, Alemanha e vários outros países no mundo todo. Nos EUA foi décimo-primeiro. No mundo todo, o disco vendeu 5 milhões de cópias, um número extraordinário em 1967. Mais do que um disco, foi “Massachusetts” que solidificou o sucesso do grupo. E, como Barbara Gibb havia previsto, foram precisos somente 5 meses para os Bee Gees se tornarem astros internacionais. E tão rápido que eles quase perderam 2 membros.

Os dois, Vince e Colin, eram australianos natos e estavam na Inglaterra com vistos temporários. No segundo semestre de 1967, foi dito a eles que teriam que deixar o país. Robert Stigwood, um mestre em manipulação da mídia, planejou “uma mudança na política governamental”, como ele lembra. “Eu dependia do governo britânico para isso. Eu tinha acabado de lançar o grupo e eles foram incrivelmente bem sucedidos, mas o governo disse a Vince e Colin que eles não podiam ficar no país por mais tempo. Eu apelei ao Escritório de Imigração e não consegui nada. Então eu pensei, ‘tenho que usar a mídia, focalizar o público e forçar o governo (a mudar de ideia)’. Então planejei uma série inteira de eventos. Haviam fãs se acorrentando nos portões do Palácio de Buckingham. Fiz um elefante marchar no Setor de Imigração no Whitehall, uma procissão que parou o tráfego de Londres por um dia. Aterrissei um helicóptero cheio de fãs nos jardins da casa do Chanceler do Tesouro. Os fãs correram, o alcançaram e falaram para ele que coisa terrível era isso. Fiz um piquete na casa de férias do Primeiro Ministro. Era um lugar muito remoto, então mandei fãs em helicópteros e os coloquei a três metros da sua janela com posters ‘Salve os Bee Gees’. Nós tanto fizemos que, no próprio Setor de Imigração, todos os secretários começaram a colocar os posters “Salve os Bee Gees’ “.

Os próprios irmãos Gibb disseram ao governo britânico que se os dois integrantes do grupo fossem deportados, todos eles deixariam a Inglaterra e se fixariam nos Estados Unidos ou Espanha ou Alemanha. “Finalmente”, Stigwood recorda, “existia tanto tumulto na imprensa que o Primeiro Ministro teve que intervir, declarou os Bee Gees um bem nacional e Colin e Vince conseguiram seus vistos de imigração”.

Quando Brian Epstein morreu, naquele verão os Beatles e a NEMS Organization ficaram sem comando, e Robert Stigwood se viu com dois grandes grupos sob sua direção. Ele também tinha que escolher entre eles. “O que aconteceu foi que eu tinha uma opção na maioria das ações da NEMS, o que colocou os Beatles sob meu controle. Na época eles estavam sonhando com a Apple, e eles queriam manter Stigwood, NEMS e Apple, juntos como uma grande companhia, e para eu dirigi-la. Mas nunca chegamos a um acordo sobre quem teria a maioria das ações. E então quando John (Lennon) começou a me falar sobre alguns planos da sua Apple, eu realmente fiquei muito nervoso… especialmente quando eles tinham seu famoso ‘Magic Alex’ a reboque”. “Magic Alex” era um dos mais bizarros elementos da entourage dos Beatles naqueles dias ‘ácidos’ de 1967, e como Robert nota, ” ‘Magic Alex’ iria computadorizar tudo, e John me falou que tudo o que eu teria que fazer era sentar atrás de uma mesa com um computador e fazer o serviço. Comecei a ficar ainda mais nervoso, então decidi, realmente, seguir sozinho, levar os Bee Gees e o Cream comigo e focar meus esforços em construir suas carreiras. ‘Magic Alex’, a propósito, depois de uma fortuna ter sido gasta, veio com uma invenção… uma maçã verde de plástico com um rádio transistorizado dentro”.

O resultado da decisão de Robert foi a fundação da Robert Stigwood Organization – RSO. Como Dick Ashby conta, “com a ajuda dos recursos vindos de Robert e de seu contador David Shaw (principal acionista da Polydor), Robert se organizou e fundou a RSO com os Bee Gees e o Cream como únicos bens da época. Tendo deixado a NEMS, ele estava determinado a ter um Beatles só dele, e estes seriam os Bee Gees. Naquela época, Robert deu sua total atenção à carreira deles. Ele era um empresário no verdadeiro sentido da palavra. Ele fazia tudo. Estava no estúdio com eles, viajava com eles. Ele só tinha os Bee Gees e o Cream. Aqueles eram seus dois amores, realmente”.

Em vários aspectos, 1967 e o primeiro semestre de 1968 foram os melhores tempos para os Bee Gees. Depois de anos de trabalho duro, seus sonhos de sucesso tinham todos se tornado realidade. Eles eram verdadeiramente astros pop internacionais com todos os benefícios relacionados a seu status e, pela primeira vez, estavam aptos a gratificar a si mesmos e começar a viver luxuosamente. Enquanto sua carreira tinha tomado seus anos de adolescência, eles agora tinham dinheiro para se tornar crianças novamente. E todo dia era Natal. Eles tinham sucesso, fama, fortuna… eles tinham os fãs e a imprensa e as vendas de discos. Coisas excitantes estavam acontecendo todo o tempo. Maurice: ” nós estávamos fazendo uma apresentação em um daqueles palcos giratórios, aonde um conjunto está tocando e o outro, no outro lado, está se aprontando. Os Merseybeats estavam tocando e nós estávamos nos aprontando para entrar. Dick (Ashby) correu escada acima e disse, ‘Massachusetts’ chegou a número um’. E justamente naquele momento o palco começou a girar e nós só tremíamos”.

Em novembro de 1967, “World” chegou a décimo lugar na Inglaterra e segundo na Alemanha. Naquele mês, mais tarde, em 19 de novembro, os Bee Gees fizeram um dos concertos mais empolgantes de sua jovem carreira. Eles voltaram triunfalmente ao Saville Theatre, local da sua desastrosa apresentação de estreia, no show de Fats Domino. Desta vez, com Bill Shepherd conduzindo uma orquestra de 30 instrumentos ao fundo, era ‘Bee Gees’ o nome que estava em letras grandes na fachada. E, como Hugh aponta, “Como disse a imprensa na época, ‘as ruas estavam todas bloqueadas, como toda a Beatlemania de volta, para ver os Bee Gees’ “.
Barbara se lembra daquilo, naquele show, “nós sentamos no camarote com Paul McCartney e Jane Asher. Ele estava entusiasmado com os Bee Gees. Quando saímos depois do show, todas as garotas estavam lá fora, e todas afastaram Paul para chegar aos meninos. E Paul me disse, ‘Oh, bem, é a vez deles agora. Nós tivemos nosso dia’ “.

Os Bee Gees começaram 1968 com outro primeiro lugar alemão, “Words”. Era Top 20 na Inglaterra, o terceiro seguido em casa, e Top 20 nos EUA, seu quinto lançamento consecutivo nos Estados Unidos a alcançar o Top 20. “Words” se tornou também uma das músicas mais gravadas, entre as compostas pelos Bee Gees. Dezenas de artistas, incluindo Elvis Presley, gravaram sua versão desta balada.
Em 27 de janeiro de 1968, os Bee Gees fizeram seu primeiro concerto americano no sul da Califórnia, no Anaheim Convention Center. Para duas apresentações, os Bee Gees receberam a então astronômica soma de 50 mil dólares. Como um escritor disse, era “idêntica à soma dos Beatles por seu primeiro concerto no Hollywood Bowl”. Coincidindo com a sua breve visita americana, o segundo álbum do grupo, Horizontal”, foi lançado. Além da faixa título, no LP figuravam dois sucessos, “Massachusetts” e “World”, bem como uma coleção diversa de músicas e contos apreciáveis dos Gibb.

Depois de voltarem da América, os Bee Gees embarcaram em uma viagem para seu primeiro show na Alemanha. De todos os compromissos, foi a mais selvagem tournée que eles fizeram. Molly Gibb, que como funcionária da NEMS tinha visto sua parte da Beatlemania, acha que “os fãs alemães eram mais selvagens que os fãs na Inglaterra no auge da Beatlemania. Mas eu também digo que a polícia alemã combatia os fãs com cães de guarda e armas. Em um momento, eles deram de cassetete nos garotos, para abrir a rua. Eram grandes shows, muito selvagens”. A selvageria não era apropriada para o estilo sensível da música dos Bee Gees. Como Barry aponta, “para nossa música, eles eram muito agressivos. Não podíamos passar as mensagens das músicas”. Maurice: “Eles ficavam berrando loucamente, gritando e berrando e nós cantando uma melodia calma e eles gritando, ‘Barry! Robin! ‘ “.

Junto com os gritos adolescentes que quase sempre estragavam as músicas, os Bee Gees descobriram que o impeto dos fãs frequentemente se tornava perigoso. De acordo com uma reportagem de jornal, milhares de fãs investiram na chegada do avião dos Bee Gees em Bremen, “pulando sobre as barreiras e a polícia, com várias pessoas feridas (inclusive Robin)”. Isto sugeriu aos fãs em Hamburgo a reagir, cobrindo cada polegada do aeroporto com pétalas de flores. Em Frankfurt, 7000 fãs dos Bee Gees receberam o grupo usando máscaras dos vários membros. Os fãs em Colônia tinham a impressão que laranja era a cor favorita do grupo, então a multidão no aeroporto estava vestida de laranja, dos sapatos às camisas. Robin teria dito: “Isto sempre nos dá algo extra para olhar, nos lugares onde vamos. Nunca sabemos o que esperar a seguir”. Infelizmente para os Bee Gees nem todos os alemães estavam usando flores no cabelo. Hugh relembra que “toda apresentação era uma batalha. Uma vez os meninos tiveram que me puxar para o palco quando os fãs pularam as barreiras. Nós tínhamos que ter uma escolta policial todo o tempo, para sair dos hotéis”. E em mais de uma ocasião, Maurice relembra, as vidas dos Bee Gees estiveram em perigo. “Suíça foi a mais aterrorizante. Lá estavam mais de 5000 garotos, no aeroporto de Zurique. A viagem inteira até Berna, os garotos estavam acenando bandeiras britânicas. Quando chegamos ao hotel, a polícia não estava lá para nos encontrar. E os fãs amassaram o carro. Nós estávamos dentro e as janelas estavam todas se estilhaçando para dentro, e nós fomos para o chão do carro. O motorista decidiu tirar o carro do meio da multidão e para fora da cidade. Tivemos muito disso na Europa. Uma vez, cantamos quatro músicas e tivemos que sair do palco. Os fãs quebraram as barreiras, racharam todo o palco, amassaram todo nosso equipamento. Nós saímos com uma pressa enorme, com escolta policial, direto para o aeroporto, e pegamos o avião para Londres”.

Os fãs britânicos não ficaram para trás, receberam o grupo com uma enorme mensagem escrita no céu. Cinco aviões, um para cada Bee Gee, recepcionaram o grupo em casa escrevendo o nome de cada um deles com letras de 30 metros de altura.

A histeria dos fãs estava no auge na época do que tem sido chamado de “o concerto mais espetacular da história do rock”. Dick Ashby: “Era o último show da sua terceira tour inglesa. Robert concebeu um plano completo para tentar fazer algum agito com o concerto”. Robert: “Era um estágio particular em suas carreiras e eu queria criar um grande evento”. Então, a 27 de março de 1968, os Bee Gees tocaram no Royal Albert Hall tendo atrás de si uma orquestra com 67 integrantes, uma banda da Força Aérea com 50 pessoas e um grande coro. Robert: “Eles tinham escrito uma música, ‘I Have Decided To Join The Air Force’. Eles a cantaram uma vez, e em seguida todas as portas do Hall, em todas as direções, se abriram e a banda da Força Aérea entrou marchando entre o público, tocando uma reprise da música. Eu tinha um coro de quarenta ou cinquenta pessoas junto ao público, para uma música chamada ‘Birdie Told Me’. Eles pareciam público porque não havia nenhum equipamento em volta deles. Quando começou a reprise da música, sons de explosões foram produzidos e esta seção da platéia se levantou e apresentou o refrão. Uma senhora noite! ”

Molly Gibb relembra aquela noite porque “era uma apresentação de como se fazer um show, um dos primeiros shows pop com direção. Foi o primeiro grupo a ter uma orquestra no palco… muito impressionante ver o grupo lá, jovens e um pouco nervosos, porque foi o maior concerto que fizeram até então. Foi realmente um show incrível”. Como Robin descreve brincando, aquela noite “nós tínhamos tudo lá e os Bee Gees. Era como um espetáculo romano, um pouco exagerado. Mas foi excitante… a costumeira habilidade de Robert em fazer um show”.

Pouco depois de um ano do maior evento da carreira dos Bee Gees, eles iriam se separar.

É também curioso que, logo após um de seus maiores momentos, os Bee Gees tiveram um dos poucos fracassos no final dos anos 60. Tendo conseguido o Top 10 com três baladas seguidas, os Bee Gees decidiram que o próximo disco teria que ser um pouco mais animado. “Quando começamos a ter sucesso com baladas como ‘Words’ “, Robin explica, “nos sentimos um pouco claustrofóbicos. Achamos que as pessoas ficariam cansadas de escutar aquele tipo de balada melosa, o que não queríamos. Mas as pessoas diriam sim automaticamente, ‘lancem aquela’, porque é uma balada. Eles identificam você com baladas. Nós ficamos aborrecidos no fim”. Não tão aborrecidos quanto ficaram quando uma não-balada fracassou.

O disco era ‘Jumbo’ e de acordo com Maurice, “a única vez que Robert esteve errado foi quando disse para lançar ‘Jumbo’ como lado A, em vez da outra música, ‘Singer Sang His Song’. Nós pensamos que iria ser o lado A, mas a Atlantic convenceu Robert, que também tinha sido convencido por Vince e Colin, porque eles gostavam de tocar as músicas de um modo mais ‘blues’ . Robert falou, ‘nunca mais irei deixar alguém me dizer algo’ “. “Jumbo” foi só relativamente um fracasso na Inglaterra, aonde chegou a Top 30. Na Alemanha chegou a Top 5, mas foi nos EUA que o disco não teve muito impacto nas tabelas.

Depois daquele compacto, os Bee Gees resolveram ter um pouco de férias. Mesmo assim era difícil de escapar, como Robin conta brincando: “Eu estava de férias em Nairobi. ‘Obrigado’ em Nairobi é ‘jumbo’. Eu me lembro de ter descido do avião – estava meio desapontado com o sucesso quase nulo desse disco, eu estava descendo do avião e um rapaz veio a mim e pegou minhas malas. Dei uma gorjeta e ele disse ‘Jumbo’, aí eu falei, ‘não precisa jogar na cara…’ “.

De acordo com a imprensa britânica, o fracasso de “Jumbo” era algum tipo de sinal. Um jornal escreveu que “os fãs tinham desertado desde o lançamento de ‘Jumbo’ e em seu recente tour britânico, aonde não foram recebidos calorosamente como esperavam”. Os Bee Gees responderam as críticas com seu maior sucesso desde “Massachusetts”.

“I´ve Gotta Get a Message To You” foi outra balada forte na tradição de “Mining Disaster”, com um nova trama de morte nela. Desta vez, o personagem que cantava a música não estava preso em uma mina, estava amarrado em uma cadeira elétrica. Os primeiros álbuns dos Bee Gees sempre tiveram sua parte de músicas tristes, desde a desolação pessoal de “Craise Finton Kirk Royal Academy of Arts”, à imaginação bizarra de “Lemons Never Forget”.
Combinando uma astúcia lírica com o vocal choroso de Robin, sempre se produzia um som emocional que era preponderante. A voz principal e forte de Barry dava uma solidez à música, como se o cantor tivesse certeza do que estava dizendo. Quando Barry e Robin começaram a incorporar a harmonia vocal, as músicas poderiam muitas vezes ter uma alternância de sentimentos. E acima de tudo, eram os três irmãos fazendo uma bonita harmonia. Em “I´ve Got Get A Message To You”, todos esses elementos se juntaram em uma mistura perfeita, que foi possivelmente seu melhor compacto dos anos 60. “Message” foi o segundo 1º lugar britânico, seu quinto disco consecutivo Top 5 na Alemanha e seu primeiro disco a chegar no Top 10 nos EUA.

Tinham sido realmente dezesseis meses incríveis para os Bee Gees desde o retorno à Inglaterra em fevereiro de 1967 e, junto com toda a fama e fortuna, vieram uma incrível coleção de prêmios. Eles foram escolhidos “Nova Expressão Musical – Melhor Grupo Novo 1967”, “Melhor Grupo Promissor do Mundo – Sixteen Magazine” e receberam o Prêmio Valentine como a “Mais Brilhante Esperança do Mundo”. Em um curtíssimo espaço de tempo eles tinham alcançado mais de duas dúzias de sucessos em primeiro lugar, em 15 países diferentes. E eles ganharam o maior prêmio da Bravo Magazine, o “Otto Dourado”. É interessante notar que com toda a aclamação mundial, os Bee Gees ainda não tinham ainda ido ao Top 5 das paradas americanas, nem sequer feito uma tournée pelos EUA. Quando eles fizeram a tour no verão de 1968, a recepção foi um tanto desapontadora, embora essa tour tivesse um momento incrível no Forest Hills Stadium de Nova York, em 10 de agosto.

“Para os ingleses”, Hugh Gibb explica, “Nova York é difícil. Se você vencer em Nova York, você é bom”. Com aquilo em suas mentes, os Bee Gees se prepararam intensivamente para seu primeiro concerto na “Grande Maçã”. Hugh: “Estava chovendo aquela noite, mas os meninos entraram com uma orquestra de 30 instrumentos, fizeram o show e tiveram aplausos por 15 minutos. Foi espantoso. Mesmo o pessoal experiente dos bastidores disseram, ‘Sinatra nunca teve isto’ “. O que era mais espantoso era a recusa da multidão em permitir que a chuva os desanimassem. Durante a hora e meia do concerto, a maior parte do público do estádio ao ar livre havia sido encharcada por uma tempestade de verão. Robert Stigwood não podia acreditar nisto. “Eu acho que nenhuma pessoa no público se moveu. Eu nunca tinha visto uma reação a um show como aquela. O público não os deixavam sair do palco. Era realmente tremendo de se ver. Sua estreia original nos EUA foi a coisa mais excitante”.
Maurice lembra que naquele ponto, quando “começamos a cantar ‘Holiday’, começou a chover. O público não se mexeu. Eu notei de rabo-de-olho, meu pai no canto com os olhos vermelhos enquanto assistia aquilo. Ele nunca admitiu isso, mas eu vi. Ele tinha lágrimas em seus olhos. E logo que terminamos a música, a chuva parou. Eu fui ao microfone e disse: ‘Eu gostaria de agradecer a Deus pelos efeitos especiais’ “.

Em grande parte, no entanto, nas palavras de Barry, “a primeira excursão aos EUA foi fraca. Forest Hills foi um bom momento, Los Angeles também. Acho que os dois shows foram proporcionais à publicidade. Não era um bom show musicalmente; não fazíamos um bom show na época. O conjunto ainda não estava pronto; nós não tínhamos os anos de experiência para tocar como um conjunto deveria funcionar. E todos os shows entre Nova York e Los Angeles tiveram que ser cancelados. Ninguém comprou ingressos. Eles tentaram fazer parecer bom. Nós passamos o tempo nos escondendo em L.A. enquanto Robert estava fazendo a publicidade, fazendo parecer que estávamos invadindo o país. Eles fizeram Robin ir para o hospital por duas semanas e fazer ‘o jogo’ “.

‘O jogo’ que Barry se refere, que o empresário dos Bee Gees inventou, foi a estratégia que eles usaram mais de uma vez. ‘O jogo’ só tinha uma regra e não era agradável. A única coisa que os Bee Gees tinham que fazer era não dizer nada. Foi anunciado que a maior parte da excursão teve que ser ‘adiada’ porque Robin estava hospitalizado por causa de esgotamento nervoso. Então, um jornalista, Harley Madison, repórter em Hullabaloo, descobriu a verdade. Ele escreveu: “Um fato econômico básico de uma excursão é que você tem que vender ingressos para fazer dinheiro. Imaginem porque Robin Gibb ficou com esgotamento nervoso somente horas antes do grupo começar a excursão. Eles perderam quatro datas, e então Robin ficou doente novamente, uma recaída, e teve que voar de volta à Inglaterra para uns poucos dias de descanso. Somente mais shows perdidos ou mais ingressos que não foram vendidos?”. Como Molly admite, “Não existia esgotamento nervoso. Foi só uma coisa que Robin fez pelo grupo, uma forma de acabar com a excursão. O que alguém dizia a eles, eles faziam. Eles não sabiam nada disso, não conheciam nada do mundo dos negócios. Se é bom para o grupo, então você faz”. Dick Ashby: “Os contratos foram tão desastrosos que o grupo se escondeu. Eles não estavam muito preocupados com a imprensa americana, mas não queriam que a imprensa britânica descobrisse que eles tinham fracassado”.

O verão de 1968 trouxe o lançamento do terceiro álbum britânico, “Idea”. Foi também seu terceiro trabalho em pouco mais de um ano. Bee Gees 1st é amplamente tido como um clássico, e Barry tem uma teoria do porque aquele álbum ser considerado muito melhor que os dois que o seguiram. “Naqueles dias, nós estávamos ‘crus’ e talvez seja esse o porquê de muitas de nossas melhores ideias aparecerem. Nós não estávamos tão conscientes do público ou dos discos vendidos porque não havíamos vendido discos. Aqueles personagens saíram e pensamentos apareceram, o que nós nem mesmo sabíamos o que estávamos pensando. Como ‘Turn of The Century’ do Bee Gees 1st. Porque, em nome dos céus, escreveríamos sobre a virada do século? Na nossa idade era um pouco estranho. Nós costumávamos ter pessoas que eram usuários de ácido, vir à nossa porta quando estávamos em Los Angeles, durante aquela triste excursão. Eles bateram na porta e disseram: ‘Êi, cara! Eu ouvi aqueles versos e sei o que você quis dizer’. Nós falamos, ‘Você sabe? Ótimo’. Nós não sabíamos”.

Depois de Bee Gees 1st, Barry explica, “os próximos dois álbuns que escrevemos, nunca realmente soubemos o que significavam. Eles se tornaram imagens, se tornaram letras e foram feitos”. Na época do quarto álbum, como Barry relembra, as músicas “estavam obviamente saindo sob pressão”. Para o público, as composições seriam a última coisa a mostrar uma tensão interna. Foi na imprensa que os sinais de uma separação apareceram.

Desde a época do incidente da deportação, existiam histórias sobre a separação dos Bee Gees. No outono de 1968, aquelas histórias começaram a ter um pouco mais de fundamento, embora as notícias sobre o fim dos Bee Gees parecessem pouco reais. Como exemplo, a Barry foi creditado dizer, “Certo, estou deixando os Bee Gees. Vou fazer filmes”. Com um pouco mais de atenção, o leitor descobriria que Barry acrescentava, “mas será pelo menos daqui uns dois anos”. Infelizmente, aquelas declarações não ajudaram as relações do grupo.

Na realidade, foi Vince Melouney o primeiro a desistir do grupo, dizendo que “agora é a hora em que eu preciso tentar minhas próprias tendências musicais”. E foi tão simples assim. Não houve maiores atritos. Vince só queria prosseguir sua evolução e seguir no ‘blues’. Seu estilo nunca combinou com a música dos Bee Gees. Enquanto os Bee Gees estavam perdendo um velho amigo, estavam ocupados no estúdio ajudando outro. Trevor Gordon, um cantor com quem eles haviam trabalhado na Austrália, tinha vindo à Inglaterra e junto com Graham Bonnet formou um grupo chamado “The Marbles”. Os Gibb escreveram e produziram um compacto para eles, “Only One Woman”, que chegou a Top 10. O que aconteceu em seguida foi um pouco desagradável, Barry relembra, “Aconteceu um fato, que sempre acontece conosco, isto é, se você chega neste ponto que está e ajuda alguém, eles se desentendem com você mais tarde, porque não querem estar vinculados ao que você é. Eles querem ter sua própria identidade musical, e foi isto que aconteceu com os Marbles”. Foi o único sucesso que os Marbles tiveram.

Naquele outono, os Bee Gees (já sem Vince) foram para o estúdio gravar seu quarto álbum. Originalmente intitulado “An American Opera” e depois “Masterpeace” (um trocadilho com a cena política americana), o disco duplo foi chamado, após um de seus maiores cortes, “Odessa”. Um conceito ambicioso, foi também um trabalho deliberado do grupo para expandir seu público. Até aquele ponto, eles tinham sido, de acordo com Robin, “apenas vendedores de compactos, e queríamos entrar no mercado de álbuns. Você não se realiza até entrar no mercado de álbuns”.

Enquanto o clássico Bee Gees 1st tinha sido um trabalho de maior colaboração com Ossie Byrne, Robert Stigwood e o grupo trabalhando como um time, na época que o grupo foi gravar “Odessa”, não existia muito espírito de grupo. De acordo com Robin, “existia uma divergência entre Robert e Ossie. Robert queria mais direitos de produção nas músicas. Como Robert era nosso chefe pessoal, Ossie teve que ceder. Nós realmente não tínhamos opinião nesse caso, na época. Não queríamos que Ossie fosse embora, mas tínhamos colocado tudo nas mãos de Robert”. Robert havia estado presente durante “Horizontal” e “Idea”, mas na maior parte do tempo eles estavam sozinhos na gravação de “Odessa”. A maior parte das grandiosas ideias que fariam parte de “Odessa”, foram depois estraçalhadas por causa da disputa crescente e falta de cooperação entre os irmãos. Os repórteres, que haviam ajudado a criar o sucesso dos Bee Gees, pareciam adorar falar dos seus problemas. Os artigos começaram a se alimentar deles. Um irmão diria alguma coisa e outro irmão responderia através da imprensa, sem primeiro procurar a verdade da declaração. Então as brigas continuaram e as feridas entre os irmãos cresciam. Em uma época, era impossível pegar uma revista de rock britânico e não ler algo sobre algum acontecimento negativo sobre eles, e era óbvio que o furacão do sucesso havia atingido completamente os Bee Gees. A irmandade que havia criado a magia dos Bee Gees estava sendo destruída. O único aspecto positivo daquele tempo de problemas é que, enquanto os irmãos seguiam seus caminhos separados, nenhum deles estava só. Durante o caminho, cada um tinha achado uma amiga ou um amor com quem dividir sua vida, alguém que ajudaria a aproveitar o sucesso e ajudaria ainda mais quando os irmãos tiveram que suportar a dor da desintegração do relacionamento.

Robin foi o primeiro, em virtude do fato que a mulher com quem casou foi Molly Hullis, a recepcionista da NEMS que havia recebido os Bee Gees em sua primeira ida aos escritórios. Naqueles primeiros dias, Molly relembra, “Robin vinha e se sentava na área da recepção, e conversava. Na época ele estava muito preocupado sobre eu estar saindo muito tarde à noite. Eu só tinha talvez umas duas horas para dormir e voltar ao trabalho no dia seguinte e continuar. Um dia, Maurice me convidou para uma festa. Quando eu cheguei lá, Maurice estava com outra pessoa. Então eu pensei, “Muito bem, estou só”. Robin me falou, “não vá. Você deveria ficar, já que está aqui”. E aquela foi realmente a primeira vez que nós saímos. Fomos da festa a um clube, e então começamos a sair regularmente”. Não foi certamente “amor à primeira vista” por parte de Molly. “Foi algo que cresceu”. Robin, pelo que parece agora, estava apaixonado. Molly: “Robin é um sonhador, uma pessoa romântica. Então ele tornava uma situação romântica mesmo que não fosse. Ele é muito sensível. As pessoas dizem que ele é tímido, mas ele não é. Ele só é muito sensível a tudo, seja bom ou ruim. É terrivelmente bom e considerável. Não somente a mim e à família, mas a estranhos também. Sempre preocupado, sempre preparado a dar tempo aos fãs. Todos os irmãos são assim”.

Molly e Robin moraram juntos por quase um ano antes de se casarem em 10 de dezembro de 1968. Antes disso eles passaram uma aventura triste que parecia exemplificar os problemas dos Gibb naqueles primeiros anos de sucesso. Os irmãos estavam sempre entrando em apertos, mas também acabavam sempre saindo deles. Em um fim de semana de novembro de 1967, Robin e Molly estavam em um trem, voltando de Hastings, onde eles haviam visitado a família de Molly. “Robin teve duas noites de folga nas sessões de gravação (de ‘Horizontal’), e nós tínhamos ido ver meus pais. Mas Robin quis voltar”. O que aconteceu a seguir foi uma coisa que não estava em suas músicas.

Robin: “Eram 10 horas da noite, e é engraçado porque justamente estávamos chegando em Londres. Íamos a cerca de noventa milhas por hora, e era uma área construída, uma área real da cidade, e estávamos conversando sobre nossos objetivos naquele instante. De repente, ouvi um tipo de barulho surpreendente como pedras sendo atiradas no lado do trem, e as luzes começaram a piscar dentro do vagão. Eu pensei instintivamente, ‘algo está errado’, mas Molly disse que isso sempre acontecia nesse trecho da linha. Eu ainda achava que alguma coisa estava errada, então eu me levantei para puxar a corda de emergência. Eu não cheguei a fazer isso. Enquanto eu me levantava, as luzes se apagaram e o trem tombou de lado, a noventa milhas por hora. Existia muita gente no corredor, e quando o trem tombou de lado, essas pessoas também caíram”. O trem de carreira continuou em seu curso de destruição “por aproximadamente dois minutos, até que ele parou. Nós estávamos de pernas para cima e existia um buraco no vidro da porta. Imagine se a porta não estivesse fechada. E eu olhei para fora e vi vagões virados em todo lugar, à frente e atrás”. Mais de cinquenta pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas no que viria a ser conhecido como o Desastre de Trem de Hither Green. Milagrosamente, Robin e Molly só estavam com algumas escoriações e com medo. “Eu saí do vagão e puxei Molly para fora. Nenhum de nós estava preso no trem”.

Foi saindo de um momento como este que Robin criou uma de suas baladas mais tristes, Molly relembra. “Ele disse, ‘eu tenho esta música saindo’, ele tinha comprado um acordeão em Paris poucas semanas antes. Essa música, ‘Really and Sincerely’, saiu do modo que ele se sentia por causa do acidente do trem”. Molly também lembra o nascimento de uma das mais populares músicas do grupo. “Nós tivemos uma terrível discussão e não estávamos nos falando. Robin se esquece muito rapidamente de uma briga. Em um minuto, ele tem uma discussão acalorada, mas no momento seguinte, para ele está esquecido. Era como se nada tivesse sido dito, nem acontecido. Mas comigo não. Eu tenho tendência a ficar brigada. De qualquer modo, ele estava todo alegre de novo e queria falar. Eu não. Nós tínhamos um pequeno apartamento de dois quartos, então eu estava em um quarto e ele estava no outro. Ele pegou um violoncelo e trabalhou o começo de ‘I´ve Gotta Get a Message to You’ porque era um modo de tentar se comunicar comigo. Originalmente, aquela música foi escrita com o cantor soul Percy Sledge em mente”.

Barry havia se separado da sua primeira esposa logo depois que os Gibb chegaram na Inglaterra, e ele estava aproveitando o estrelato ‘solteiro’. Dick Ashby: “O papo de Barry para levar as garotas para a cama era que ele tinha se apaixonado instantaneamente e que queria se casar com a garota. Assim ele tinha a certeza que elas iriam para a cama com ele aquela noite. Ele realmente levou alianças em sua carteira na excursão à Alemanha. Então, no final da excursão, eu tinha seis ‘noivas’ na entrada do palco. Horrível”. Finalmente, a mulher que se tornou prioridade na vida de Barry foi uma, que em suas próprias palavras, “nunca caí no truque da aliança. Quando ele veio com aquilo para mim, eu disse ‘Oh, não. Eu posso ser escocesa e muito ingênua, mas não tanto’ “.

Linda Gray foi uma rainha da beleza escocesa, tendo sido escolhida Miss Edimburgo em 1967, com 17 anos. Seu futuro com Barry parece ter sido predeterminado, como ela lembra. “Quando eu tinha 15 anos, eu e todas minhas amigas na Escócia fomos a uma espiritualista. Ela me disse muitas coisas diferentes… vencer algum concurso, isso e aquilo. Eu nem pensava naquilo. Era besteira; você vai só como distração. Então ela disse, ‘Eu vejo você com esse homem. Ele tem uma boa cabeça. E ele tem qualidades musicais. E ele tem uma irmã Leslie. Você nem conhece este homem. Eu nem sei se ele está no país (ele não estava). E existe uma mulher loira que ficará no seu caminho’. A primeira mulher de Barry era loira. Mais ou menos, aquela espírita me falou sobre Barry”.

Depois de vencer o concurso de beleza no verão de 1967, Linda foi “a Londres para ser a apresentadora do ‘Top of The Pops’. Nós éramos amigos de Jimmy Saville e ele sempre foi o DJ do show. Eu conheci Barry naquele dia. Eu não sabia quem ele era, naquela época. Eu era muito, muito tímida e muito inocente. Nos ensaios, eu estava com outras garotas e elas disseram, ‘Esse rapaz continua olhando pra você’. Eu estava ficando constrangida. Ele veio e se apresentou, e eu falei quem eu era. Ele me olhava um pouco estranhamente como quem diz, ‘oh, ela não sabe quem eu sou’. Fomos ao restaurante e tomamos um café. Ele me convidou para a festa que eles iriam aquela noite, na casa de Robert em Adam´s Row. Eu disse que gostaria de ir mas Jimmy não me deixaria. Ele era mais ou menos como um acompanhante para mim. Jimmy disse: ‘Estou cuidando de você para seus pais e você é minha responsabilidade’ “.

“Depois do show, quando voltamos ao hotel, eu vi um taxi esperando lá. Então eu saltei para dentro dele. O assistente de Jimmy entrou no taxi que estava atrás do meu. Eu disse, ‘Fuja daquele carro !’, como nos filmes. Eles estavam me seguindo e eu chorava todo o tempo. Eu não sei porque; eu tinha esse sentimento forte por Barry. E eu estava tão desapontada. Eu pensei que nunca mais o veria novamente. Cheguei a Adam´s Row e Victor, o empregado de Robert, atendeu a porta. Eu disse, ‘vim ver Barry’. A maquiagem estava toda descendo pelo rosto e Victor disse, ‘Eu não sei quem você é’. Só então, Barry veio correndo escada abaixo e disse, ‘Tudo certo, estou esperando ela’. Não fomos direto para a festa; nós fomos para o escritório. Barry estava no telefone com sua mãe, e sua esposa estava ameaçando vir para a festa. Eu pensei, ‘Meu Deus, ele é casado. Oh, não! ‘ “.

Quando Barry deixou o telefone, olhou para uma Linda muito perturbada e disse, “Não fique preocupada. Você me conta seu problema e eu vou contar o meu”. “Ele me falou sobre seu relacionamento, sobre estar separado. E então eu falei para ele que eu não deveria estar lá”. Mas Linda ficou. A festa daquela noite era para celebrar “Massachusetts” que tinha chegado a número 1. Como Linda relembra, “Ele me deu a cantada costumeira, ‘Oh, eu te amo’, isto e aquilo. E eu disse, ‘É? Para quantas pessoas você já disse isso hoje? ‘ Nós nos vimos poucas vezes depois daquele dia, quando ele vinha à Escócia. Quando eu tinha 18 anos, fui para Londres trabalhar como modelo. Nos encontramos de novo, e logo depois começamos a viver juntos. Parei de trabalhar na época, porque Barry me disse que não queria me ver no meio de fotógrafos. Ele disse ‘É melhor tomar cuidado com os rapazes em Londres’. Eu pensei, ‘ele é tão amável, ele é realmente bom’. Ele era muito bom. Era tão educado e cortês, o que você não encontra sempre em jovens garotos. Ele era muito romântico, abria a porta para mim e coisas assim”.

Um dos mais divertidos dias na vida de Barry e Linda, aconteceu antes deles se casarem, e quase termina seu relacionamento. “Depois que eu comecei a viver com ele”, Linda relembra, “as garotas costumavam vir bater à porta. E todas elas estavam noivas. Uma vez, Barry estava fazendo alguma coisa na TV. Eu estava em casa limpando o apartamento, então estava com um vestido velho e sem maquiagem. Como geralmente fazemos o trabalho de casa. A campainha toca. Era uma cobertura e a porta não se abria até que eu apertasse o botão. Você podia olhar pelo ‘olho mágico’ e ver quem era. Eu vi essa garota lá e pensei ‘oh! ? ‘, porque parecia como se ela estivesse sendo esperada. Eu abri a porta e perguntei ‘No que posso ajudá-la? ‘ Então ela disse (imitando o jeito da garota), ‘oh, sim. Eu vim ver Barry’. Eu sabia que a imprensa viria aquela tarde, então eu disse ‘Entre, ele não vai demorar’ “.

“Ela ficou bem à vontade, como se estivesse em casa, tirou seu casaco e o colocou sobre a cadeira. Sentou na cadeira e disse, ‘Barry e eu, nós estamos tão apaixonados’ “. Mordendo sua língua, Linda disse “ok, verdade?” “Ela disse, ‘ nós tivemos um momento tão maravilhoso ontem à noite no “Top of The Pops” ‘. Eu disse, ‘é mesmo? ‘, já ficando muito brava. Ela disse, ‘é você a garota que atende o telefone e faz as coisas para o Barry? ‘. Eu disse, ‘bem, pode-se dizer que sim’. Ela perguntou, ‘há quanto tempo você trabalha para o Barry? ‘. Eu disse, ‘acabei de parar’. Ela falou, ‘eu não entendi’. Eu disse, ‘Não? Você vai entender”. E ela olhava para mim muito estranhamente.

“Telefonei para Barry. Keith (marido de Leslie, que estava trabalhando como assistente pessoal de Barry na época) atendeu o telefone e disse “Linda, você parece um pouco nervosa”. “Quem é esta garota?”, eu gritei. “Sobre o que você está falando?”, ele perguntou. Eu disse, “a garota que teve momentos maravilhosos com Barry”. Ele disse, ‘oh não, você está transtornada? ‘. Eu disse, gritando, ‘eu estou transtornada?’. Keith disse, ‘não faça nada’. Eu respondi, ‘eu não estou fazendo nada, Keith. Eu só vou fazer minhas malas e ir embora’. Então Barry veio ao telefone, ‘Tudo bem com você, amor? ‘. ‘Barry’, eu disse, ‘existe uma garota sueca me falando sobre ela e você ontem à noite’. Ele falou, ‘oh, ela chegou no “Top of The Pops” ontem à noite. Não foi minha culpa. Aconteceu em uma excursão antes de você aparecer. Eu disse, como eu costumo dizer, ‘Quando você for à Inglaterra, venha me ver’ ‘. Eu falei, ‘eu não acredito em você’ “.

Linda continuou fazendo as malas enquanto Keith e Barry corriam para casa. Linda: “Depois daquele incidente, Barry começou a me levar nas turnês. Ele disse, ‘você vai na turnê; assim você não vai achar que alguma coisa está acontecendo’. Eu disse OK e desempacotei as malas”. O divórcio de Barry aconteceu na primavera de 1970 e ele e Linda se casaram em 1º de setembro de 1970. Linda escolheu aquele dia para que “ele nunca esqueça nossa data de casamento, porque é seu aniversário”.

Maurice, enquanto isso, estava construindo sua reputação na cena noturna de Londres. “Eu era um estúpido, com Richard Harris, Michael Caine, Peter O´Toole, Oliver Reed, Alan Bates e Albert Finney. A nossa turma toda, a máfia de Londres, costumava sair juntos e beber bastante”. Bebida e carros eram as paixões de Maurice no final dos anos 60. Como Hugh lembra, “Maurice não era alto bastante para dirigir seu Rolls. Ele costumava sentar em uma lista telefônica para poder enxergar à frente”. “Mo” também tinha uma tendência para amassar e dirigir seus carros caros sobre as árvores que pareciam sempre estar pulando para o meio da rua. Enquanto Maurice faz saber que ele era meio maluco naqueles dias, ele insiste que sua fama de doido era grandemente exagerada pela imprensa.

Sendo o mais sociável dos irmãos, Maurice está sempre fazendo amigos com todos que ele encontra. Naqueles dias, ele também estava fazendo seu papel de astro de rock ao máximo, estando em todos os pontos quentes. Uma noite no Speakeasy Club foi especialmente memorável. Cream estava tocando, e os Bee Gees tinham ido ver seus colegas de gravadora se apresentarem, já que o Cream era o outro grupo que tinha assinado com Robert Stigwood.

“John Lennon estava lá aquela noite”, Maurice relembra, “e ele nos disse ‘benvindo ao
escritório’. Nós falamos, ‘Obrigado John, é bom ver você’ e saí andando. E ele veio a mim e disse ‘Posso lhe pagar um drink? Eu não sei o que é, mas gosto de você’. Eu falei ‘Porque?’ Ele disse, ‘todos lá querem lamber minhas botas. Você é o primeiro a não fazer isso’. Eu disse, ‘quando eu falei “Bom ver você” e você falou “Naturalmente”, claro que eu pensei que você fosse um bastardo inteligente’. Ele disse ‘Bom para você. Saúde!’. E nós nos tornamos amigos desde então”.

Outra estrela que Maurice conheceu em suas andanças sociais foi Lulu, uma cantora pop, mais conhecida nos EUA por seu sucesso “To Sir With Love”. Na Inglaterra, ela tem sido uma estrela por anos, a querida da imprensa e do público. Então, qualquer romance dela era prato cheio das conversas que cobriam a Inglaterra, como o fog. Seu romance com Maurice era assunto de primeira página e eles foram um assunto ‘quente’ por anos. Pelo fato dos Bee Gees terem se tornado grandes astros na Inglaterra em um relativo curto espaço de tempo, existia um grande interesse neles como pessoas, porque ninguém conhecia muito sobre eles. Os Bee Gees entraram na ‘máquina’ como virtuais desconhecidos, e com sua inclinação para a publicidade, Robert Stigwood criou uma bem sucedida unidade de venda de discos. Mas era uma faca de dois gumes. Uma vez que os Bee Gees foram ‘criados’ pela imprensa, eles então perderam todas as características de uma vida privada. Toda ação deles ficava sob a mira da opinião pública. Então quando Barry chamou Maurice para uns conselhos de irmão, era mais do que um incômodo pegar a revista da semana seguinte e ler que Barry havia dito a Maurice para não casar com Lulu. Como Barry explica, “Eu nunca disse ‘ela não é boa para você’. Eu nunca disse ‘Você não é bom para ela’. Eu só disse ‘Você ainda é novo. Porque vocês não ficam juntos por um tempo?’. Eu sou o irmão mais velho, e se eu acho que ele é muito jovem para se casar, eu tinha que falar para ele. Foi tudo”.
Barry só estava tentando passar a experiência de seu fracassado primeiro casamento, mas o monstro faminto da imprensa agarrou o episódio inteiro como uma maior evidência da discórdia que abalou os irmãos e os Bee Gees. As menores discussões e desacordos eram manchetes até se tornarem problemas maiores, e até mesmo os irmãos começaram a pensar que eles estavam realmente guerreando. Por fim, as discussões públicas fizeram com que se separassem.

Embora as esposas não tenham sido, de modo algum, responsáveis pela separação do grupo, o fato de que os irmãos já não moravam mais juntos, era parte do processo de amadurecerem separados uns dos outros. A proximidade que construiu seu sucesso estava desaparecendo rapidamente. No final de 1968, tudo o que realmente restava dos Irmãos Gibb era o enorme sucesso que eram os Bee Gees. Os Bee Gees não eram mais irmãos em afeto e amor, no verdadeiro sentido da palavra.

Dick Ashby lembra como era uma época louca para eles “no sentido dos meninos serem capazes de lidar com o que acontecia com eles, tanto que o que eles faziam acabavam se tornando primeira página de revistas na Inglaterra. Barry foi pego uma vez trazendo algumas jóias escondidas para o país; outra vez, ele atirou para o alto com uma arma, por causa de um intruso. Em vez do intruso ser preso, ele foi. Era, em verdade, culpa do dinheiro, sua juventude, e não saber como lidar com as coisas”.

Enquanto os Bee Gees tinham a mais alta gratidão pessoal a Robert Stigwood e tremendo respeito pelo que ele tinha feito pelas suas carreiras, Barry admite que “o fato de termos aquela quantidade de dinheiro, naquela idade, era cômico. Nunca deveria ter sido permitido. Esta é a única crítica que faço a Robert. Naqueles dias, o que ele deveria ter feito era nos dar a certeza de uma quantia por semana e nos mostrar exatamente o que tínhamos na nossa conta, e que nós não a teríamos até um determinado dia, no futuro. Daquele modo, o dinheiro estaria sendo protegido. Nos era permitido ter tanto quanto podíamos gastar. Eu ganhei um prêmio por me vestir, um prêmio da Carnaby Street, baseado no fato de que eu havia gasto mais do que qualquer outro naquela rua, naquele ano. Eu saía do meu apartamento em Eaton
Square e todos os carros na rua eram meus. Eu dizia, ‘Qual deles irei dirigir hoje, o Rolls ou o Lamborghini? ‘. Era ridículo”. Meio séria, ao lado, Linda aponta que “era somente uma pequena rua. Só existia espaço para quatro ou cinco carros”.

Os gastos, particularmente em relação a Barry, saíam de controle. Linda lembra de ver Barry “ir à joalheria e voltar com 10 mil dólares em jóias. Eu pensei ‘eu nunca vi alguém gastar dinheiro assim na minha vida. Meu Deus, ele é louco?’ “. Outra vez, Linda voltava a seu apartamento e encontrou Barry na sala de visitas, “atirando com sua arma BB nos lustres. Eles eram malucos às vezes; eles faziam coisas tolas”.

Foi o dinheiro, o ego, o sucesso e a publicidade que mudaram a vida dos Bee Gees. Enquanto Barry gastava sem limite, Maurice ficava bêbado e amassava os carros. Robin, “comecei a tomar estimulantes. Depois comecei a tomar tranquilizantes. Eu costumava ‘mergulhar’ em todas aquelas pílulas”. Para Barry, “aquele período todo era só velocidade constante. Eu não consigo me lembrar muito, com dexedrine e tudo mais. Era difícil saber que hora do dia era. Saíamos de uma coisa e entrávamos em outra. Naqueles dias, um grupo que estava sendo promovido nunca parava. Nós devemos ter viajado em turnê por dois anos a fio. Por causa disso, os Bee Gees não fizeram outra turnê por anos, porque nós estávamos exaustos”.

Foi durante a gravação de “Odessa” que os problemas do grupo chegaram a um estado crítico, e o projeto ambicioso do álbum afundou no mar de dificuldades dos Bee Gees. Barry explica que o conceito original era “a história de um homem que naufragou e ficou flutuando em um iceberg, e ele veio de Odessa. Ele falava sobre todos seus amigos, e todas as pessoas que ele conhecia. Essa era a ideia da história. Mas ela nunca desenvolveu-se. Ficou muito estranho. Nós não sabíamos que direção tomar. Perdemos a sequência da história. Nunca foi um álbum terminado. Era nossa própria produção e eu acho que estávamos orgulhosos daquilo. Nós o fizemos juntos. Mas estávamos rapidamente indo colina abaixo naquele ponto. Não digo como um grupo. Mas a saúde de Robin estava… você não conseguia falar com ele. Não existia comunicação entre ele, e eu e Maurice. Ele saiu de controle, arrumava discussões. Eram as pílulas falando, não éramos nós. Eram só estimulantes, mau humor e nervos. Abriu um buraco embaixo de nós”.

Apesar de tudo, Odessa foi um trabalho de destaque. A produção foi a melhor que os Bee Gees tinham dirigido até então, e era consideravelmente mais sofisticada do que o trabalho dos três primeiros álbuns. A música título, cantada em maior parte por Robin, é um dos mais importantes trabalhos do grupo. Uma das mais bonitas músicas que eles escreveram até hoje, “Melody Fair”, se tornou música-tema de um filme, “Melody”, e também chegou a primeiro lugar no Japão.

Foi o primeiro compacto do álbum, no entanto, que causou a maior briga até então. “First of May” foi lançada e Robin pensava que a outra música, “Lamplight”, é que seria o lado A do disco. Ele se sentiu desprezado, como se não estivesse tendo suficiente reconhecimento por suas contribuições artísticas. Novamente eram “as pílulas falando”.

A rapidez do sucesso dos Bee Gees provou ser demais. “Dava medo”, Maurice explica. “Nós estávamos muito assustados. Não sabíamos o que estava acontecendo. Isto causou a separação”. Robin: “nós estávamos aproveitando o sucesso, mas não estávamos juntos. Nós ainda éramos crianças e, de repente, com o sucesso, ficamos egoístas e mais sensíveis”. A nave que havia carregado os Bee Gees ao topo do mundo musical não podia sobreviver às tensões da fama. Em março de 1969, Robin deixava os Bee Gees, começando a parte negra das suas vidas e carreiras. Mais do que outra coisa, Barry culpa as drogas pelos problemas do grupo. “Robin passou uma fase de tomar estimulantes e tranquilizantes. Todas as nossas sessões, tudo o que fizemos em 1968, foi feito tomando estimulantes e comprimidos. Todos que conhecíamos faziam isso; era uma espécie de culto. Todos no ramo estavam usando pílulas. Se tornou normal, naquela época. Nunca tomamos LSD, o que é um milagre porque os Beatles influenciaram muitas pessoas a tomarem LSD. É de se espantar que nós não fizéssemos a mesma coisa, porque nós éramos influenciados pelos Beatles. Tudo que eles faziam, nós pensávamos que eles eram deuses. Mas nós só seguíamos o nosso coração”.

Como Maurice admite, “eu era o ‘maluco’, Barry era o cabeça e Robin o cabeça de pílulas. Era instabilidade. Tão difícil manter o sucesso repentino. Tudo estava acontecendo tão rápido. Um minuto, ‘Puf !’ você conseguiu isto; no próximo minuto, você pode comprar este carro ou esta casa. Vamos fazer isto e aquilo. Você chega a um estágio onde sai de controle e você tem que fazer alguma coisa para sair disto”. Barry: “realmente, isso estava sendo visto, o mal, em Robin. Robin sofreu muito. Eu queria perceber o que estava acontecendo e parei. Ele estava em seu próprio mundo, se tornou um recluso. E nós nos separamos”.

4 – Separação e volta

1969 e 1970 foram dois anos em branco na carreira dos Bee Gees pelo simples fato que o grupo realmente não existiu de março de 1969 até o outono de 1970. E mais doloroso que a separação do grupo, foi o fato que os Bee Gees não eram mais irmãos.

Barry: “Ficamos sozinhos, cercados de parasitas. Cada um tinha seu próprio grupo de ‘amigos’ que diziam que ele era o verdadeiro astro, que poderia seguir sozinho. Quando ficamos isolados, os problemas começaram. Paramos de ver uns aos outros como irmãos. Dentro de nós, sentíamos que éramos astros. A pressão e a fama foi pior para Robin. Ele é um pensador muito profundo, sério e sensível. Ele fica ‘aéreo’ por alguns momentos. Me lembro que pouco antes da separação em 1969, fui à casa dele, falar com ele, tentar esclarecer as coisas. Todas as pessoas estavam sentadas em volta dele. E toda vez que eu dizia alguma coisa, eles olhavam para ele como quem diz, ‘não o escute’. Isto estava acontecendo a uma família, não a um conjunto de rock. Era terrível. E eu não podia fazer como faz um irmão mais velho, dizer a todos para se acalmarem. Era impossível com toda aquela situação louca acontecendo”.

Robert Stigwood tinha um contrato de cinco anos com os Irmãos Gibb, então ele foi alvo de mais de um processo. Robert: “Começou quando Robin anunciou que ele estava deixando o grupo e indo para uma carreira solo. O que tende a acontecer, quando um novo grupo ‘estoura’ e se torna muito grande, todo tipo de parasitas chega perto deles. Então cada irmão tinha seu grupo de conselheiros que falariam a eles que deveriam fazer isto, aquilo e aquilo outro. Eles (Barry e Maurice) estavam tão desapontados pela partida de Robin que nós tivemos que tirar Robin da companhia. Esta realmente foi a parte mais difícil. Eu sempre soube instintivamente que eles se juntariam novamente – existe um grande vínculo entre eles como irmãos. Mas quando irmãos brigam, é realmente pior do que estranhos brigando”.

Robin estava requerendo sua liberdade, e ele e Barry trocaram palavras ‘quentes’ na imprensa. Como Maurice relembra, “eu estava no meio. Era sempre Barry falando algo sobre Robin, uma semana nas revistas musicais, e Robin respondendo a ele, e vice-versa. E eu falava, ‘alguém pode me dizer o que está acontecendo? ‘ Eu sempre estava no meio, então eu nunca fiquei envolvido na briga”.

Todos os choques de egoísmo e sucesso tinham dividido a família e levaria um pouco de tempo para juntar as peças novamente. Os acontecimentos que se seguiram à separação, como reportados obediente e alegremente pela imprensa, eram um pouco desagradáveis. O pior de tudo foi quando Hugh foi à justiça tentar e conseguir ter Robin declarado sob custódia. Hugh explica que “certas pessoas chegadas a ele estavam tentando separá-lo do grupo, mas ele não escutava. Eu podia ver o que estava acontecendo. Eles estavam tentando fazer de Robin um grande astro. Eu queria ele sob custódia da corte para sua própria proteção. Era o único meio que eu achei para que as pessoas não pudessem chegar a ele. Essa foi a única resposta, na época”.

Robin e Molly estavam casados há poucos meses quando a separação aconteceu, e ela estava em uma posição muito difícil. Olhando para trás com a vantagem de uma perspectiva de quase uma década, ainda é doloroso para Molly conversar sobre aqueles tempos. O que mais Molly expressa é sua devoção a Robin. “Eu acho que a coisa toda ‘explodiu’ fora de proporção. Robin tem seu próprio jeito de pensar, sempre teve. Ele queria deixar o grupo, e eu, como sua mulher, estava com ele. Se seu marido quer fazer alguma coisa, você não vai impedir. Ele queria fazer aquilo, então fiquei com ele, não importa como. Eu não sei porque sua família e as pessoas à sua volta, achavam que ele não era capaz de tomar suas próprias decisões. Foi quando aquela exaustão nervosa (da excursão anterior) voltou e podia ser vista nos nossos rostos. Fazer de seu filho um dependente da corte, quando ele é um homem casado, para mim, era absolutamente uma loucura. Aceitei isso porque sou esse tipo de pessoa. Era terrivelmente desagradável, e muito decepcionante para minha família. Somos somente uma família comum, para pegar os jornais e ler isto e aquilo. E, claro, não tínhamos dinheiro. Paramos de receber. A coisa toda era como um pesadelo. Tudo que Robin queria era ter mais reconhecimento de si como compositor e cantor, não como personalidade”.

Barry foi o observador mais interessado e aflito, o tempo todo, mas ele coloca tudo de um modo objetivo. “Papai e mamãe não tinham o ‘diabo no corpo’. Eles não tinham nada contra Molly. Eles só estavam tentando salvar Robin do que estava fazendo a si mesmo, por causa dos estimulantes. Eles tentaram parar com aquilo e trazê-lo a seu juízo perfeito. Eles pensavam que alguém estava fazendo tudo para ele. Robin não estava fazendo nada. Ele estava vegetando. Ele não sabia o caminho que queria seguir. Este era o modo que eu via aquilo. E, com certeza, afastou Molly de nossos pais”. Com grande tristeza em sua voz, Barry acrescenta, “Para sempre, suponho”.

Discutindo publicamente esta parte de suas vidas pela primeira vez, a família Gibb acaba conhecendo a existência de sentimentos que ferem. É claro também que o ditado “o tempo cura as feridas” parece estar funcionando. Barry expressa a esperança de que “eles todos finalmente vejam a razão e se juntem e discutam o que aconteceu. Se não for discutido entre mamãe, papai e Molly, nunca se tornará realmente uma calma total. E isto sempre existirá em algum lugar no fundo de suas mentes”.

Um dos eventos mais incomuns na história dos Bee Gees veio a seguir. Com a irmã Leslie no lugar de Robin, os Bee Gees fizeram um especial para a TV, “Talk of The Town”. Aquela foi a primeira e única vez que Leslie havia cantado publicamente com seus irmãos, e ela achou que “parecia ir bem, embora eu estivesse muito nervosa. Eu quase comecei a chorar quando tudo começou”. Como Barbara relembra, Leslie falou a ela depois do show que ela estava “rezando. Ela disse ‘era como um filme, estar naquele palco, esperando que, de repente, Robin entrasse’. Ela disse, ‘aquilo realmente teria sido o fim, se ele tivesse entrado’. E Robin estava sentindo aquilo também. Certamente, nunca aconteceu, mas teria sido demais”. Leslie nunca se apresentou novamente como um Bee Gee, embora tivesse considerado momentaneamente uma carreira de cantora. No último minuto, Leslie decidiu voltar à Austrália com seu marido e deixar o ‘show business’ para trás.

Ela deixou Barry, Maurice e Colin continuar os Bee Gees. Aquela formação não sobreviveria às gravações do primeiro filme dos Bee Gees. “Cucumber Castle”, nome de uma música do grupo, “deveria ter sido engraçado”, Barry relembra. “Foi terrível. Era um especial de TV de uma hora de duração. O script foi mudado por um diretor de TV muito tolo. Ninguém tinha um bom texto. Eu tinha feito um script com Robin que era, para mim, histérico, todo ele. E eles não queriam usá-lo porque não era tipo ‘pastelão’. Então acabamos atirando tortas um nos outros”. Maurice lembra que “foi muito engraçado de fazer basicamente por causa das pessoas que estavam nele… Vincent Price, Spike Milligan e Frankie Howerd, que fazia nosso pai no filme. Nós tivemos muita diversão, mais em fazer do que, eu acho, acabou aparecendo”.

Durante a gravação de “Cucumber Castle”, os irmãos e Colin tiveram uma discussão. Maurice explica: “Colin disse que não queria estar em nenhuma cena cômica. Ele só queria estar em números musicais. Então dissemos ‘ok, se é isso que você quer…’. No minuto seguinte, recebemos uma carta de seus advogados dizendo que ele não tinha muito a fazer no filme. Então Robert disse, ‘ok, ele está demitido’ “. Em um dos episódios mais absurdos da carreira dos Bee Gees, Colin processou Barry e Maurice, reivindicando que eles não tinham o direito de continuar a trabalhar como um grupo pop, usando o nome de Bee Gees. Um juiz estupefato tirou o caso da corte e os Bee Gees eram dois.

Os dois terços de Bee Gees gravaram um álbum com músicas para “Cucumber Castle”. Enquanto isso, Robin lançava seu primeiro compacto solo, “Saved By The Bell”. Ele chegou a 2º nas paradas britânicas. Mas, como Maurice nota, “nós estávamos gravando aquela música originalmente para o nosso álbum. Barry não pôde fazer a sessão, então nós a fizemos. Robin e eu. Então ele se separou e lançou mais tarde como compacto”. Discutindo aqueles tempos, Robin o resume com uma simples frase, “eu não sabia o que eu estava pensando na época, porque eu estava tão excitado”. O primeiro compacto dos Bee Gees, do álbum Cucumber Castle, “Don´t Forget To Remember”, seguiu o disco de Robin nas paradas, chegando a primeiro, mas aqueles seriam os últimos sucessos significativos que os Gibb teriam por mais de um ano.

No outono de 1969, tempo de estúdio estava agendado para um novo álbum dos Bee Gees, que Robert Stigwood havia sugerido fazer, mesmo que nem Barry nem Maurice realmente quisessem gravar. No primeiro dia das sessões, Barry relembra que “cheguei nos estúdios IBC. Maurice sabia muito bem sobre a gravação. E não havia ninguém lá! Então liguei para Robert e disse, ‘aonde está Maurice? Nos disseram para gravar um álbum’. Robert disse, ‘ele está na Austrália’. Eu disse, ‘Robert, você combinou tudo isto aqui, para irmos ao estúdio e gravarmos um álbum. Porque Maurice nem me falou que ele estava indo para a Austrália?’ E ele disse, ‘Bem, ele foi com Lulu, rapidamente. Tinha que ser feito rapidamente. Eles foram promover “Cucumber Castle” ‘. Eu disse, ‘o que?’. As coisas estavam bem loucas, mas não tanto quanto isto. Eu honestamente senti que estavam trabalhando contra mim. Então eu nunca realmente deixei o grupo. O grupo me deixou na mão”. Ao final de 1969, tudo o que restava dos Bee Gees era uma montanha de reais e ameaçadoras ações legais.

Andy Gibb, que desde 1976 tinha emergido como cantor e astro solo, era somente um adolescente quando seus irmãos mais velhos se separaram, mas ele ainda se lembra da dor. “Nossa família ficou muito abalada, porque era um ponto sensível. Meus irmãos não se falavam, e todos eles queriam falar, porque eles são muito chegados. Eles não passam uma semana sem falarem uns com os outros, e eles queriam falar, mas nenhum queria engolir seu orgulho e fazer isso. A família estava passando por um momento realmente difícil, porque aquilo afetou meus pais e tudo mais. Famílias se separarem, é realmente uma coisa estranha. Eu sabia que eles iriam voltar a ficar juntos novamente, e nossa família sabia. Não havia dúvida sobre aquilo, mas é difícil para o público saber isso”.

Era um tempo de depressão para os irmãos, e teve um efeito negativo em sua criatividade. Nem Barry nem Maurice fizeram algum compacto solo memorável e o LP solo de Robin, “Robin´s Reign” é um disco que Robin talvez esqueceria. “Para mim, não está terminado. Você tinha que ver quantas ideias eu tinha. A razão porque eu não o terminei, foi porque eu tinha muitos problemas legais na época para cuidar, como um dissidente dos Bee Gees. Todos tinham. Até que isso terminasse, eu não podia realmente me concentrar em gravar”. Ambos, Maurice e Barry, gravaram álbuns solo durante a separação, mas as fitas foram arquivadas quando o grupo se juntou novamente. Durante aquele tempo, Maurice também se apresentou no palco de Londres em um musical, “Sing a Rude Song”. “Foi uma experiência e eu nunca mais farei aquilo enquanto viver. Odiei aquilo… dançando como um palhaço”.

Em 1970, Robert Stigwood estava querendo tornar a RSO uma corporação pública e isso criou mais problemas para os irmãos Gibb. Como maiores acionistas na RSO, os Bee Gees se tornaram alvos de investidores anônimos que queriam tomar o controle da empresa. Barry relembra que “enquanto a batalha financeira acontecia, nenhum de nós era deixado em paz, noite e dia. Outras pessoas, outras pessoas importantes, estavam tentando comprar nossas ações. Eles estavam nos incomodando e perseguindo. Todo tipo de ameaça de morte, ameaças a nossa família, coisas como ‘venda suas ações, ou então…’ “.

De acordo com Barry “nós sempre tivemos dinheiro suficiente, então, durante a época em que a pressão existia, nós estávamos bem. Tomando providências para não dar chances àquelas pessoas, que ameaçavam violência física. Eles realmente não cometeram violência física, mas mandaram alguns pesadões baterem na nossa porta, só para nos assustar. Não para entrar, nem fazer nada, mas para nos dar medo. Eu não posso dizer quem os mandava… poderiam ser vários ‘grandes’ “. Robert Stigwood se lembra que Robin estava sendo pressionado porque ele “tinha o um por cento crucial do controle das ações, e ele foi ameaçado por alguns grandões para desistir”. Como Molly relembra, “eu acho que nos atingiu mais porque houve época que não havia dinheiro, e Robin não estava trabalhando, era como ‘o que nós vamos penhorar esta semana?’ “.

Barry aponta esse tempo inteiro de problemas como “uma fase de amadurecimento sem preço. Eu percebi que o trabalho não era somente sucesso e flores, ou como se falava na época, ‘paz e amor’. Não era tudo, certamente. Aquilo faz você ficar mais calejado, mais duro. Você não é enganado tão facilmente como você teria sido sob circunstâncias diferentes. Nós crescemos rápido naquele ponto”. Linda nota que os irmãos, “especialmente Barry, fizeram muitos gastos quando eles não tinham dinheiro em caixa. Eram adiantamentos e empréstimos, e, um dia, o escritório vem e te diz, ‘bem, você tem este débito conosco’, e de repente você é requisitado a pagar. Eu acho que aquilo fez com que todos pusessem os pés no chão”.

Em suas mentes, os irmãos estavam começando a pensar o que causou a separação, e foi este despertar as primeiras sementes de uma reunião. Robin relembra estar “em minha casa assistindo TV, se sentindo meio triste, porque eu sabia que o que estávamos fazendo ou o que nós tentávamos fazer separadamente, era o que nós podíamos todos fazer juntos. Barry estava na Espanha e eu telefonei para ele e disse, ‘vamos nos juntar e ir para os estúdios’. Ele disse que tínhamos que falar sobre isso quando ele voltasse a Londres. Não era tão fácil assim. Foi somente seis meses mais tarde que nós finalmente concordamos em entrar no estúdio”. Ser um artista solo, como Robin explica, não era tão divertido. “Quando você está fazendo algo sozinho e faz sucesso, você não pode realmente dividi-lo com ninguém. Nós estávamos acostumados a dividir nosso sucesso. Quando você é bem sucedido sozinho, você se vira e diz, ‘Êi, que tal isto?’ e não existe ninguém lá. Eu estava passando por casos na justiça e coisas assim, com contadores e outras pessoas. Todos estavam se processando. Eu não sabia o porquê de tudo aquilo. Todos estavam com faces horríveis e lá estava eu com um disco em 2º lugar. Então eu decidi que não era tão divertido assim”.

“Estava bastante desagradável a sala”, relembra Dick Ashby, “mas não eram os meninos. Robin tinha saído e estava fazendo um contato com a NEMS. Então os advogados da NEMS e os da RSO estavam tendo reuniões de muita discussão em nome de Robin, como se dividissem a mercadoria. Barry estava indisponível, em seu apartamento em Londres. Mas mesmo que os irmãos estivessem preocupados, não parecia importante, já que eles não estavam se encontrando. Existia algo acontecendo, obviamente, mas na época os garotos não estavam tão concentrados nos negócios. Então foi deixado para os advogados resolverem. A história mostrou se eles tinham bons ou maus advogados na época, a forma que saíram daquilo, a fatia que coube a cada um”. Foram eventualmente os negócios que fez os irmãos se juntarem. Dick Ashby: “Na época, a RSO estava se tornando pública, e com seus bens na companhia, eles estavam muito envolvidos financeiramente. Robert teve que juntá-los uma vez, para assinar papéis, discutir sua nova divisão de ações e suas novas porções na companhia. Eu acho, mais uma vez, que o responsável foi Stigwood. Ele lhes disse, ‘olha, nós estamos nos tornando públicos… que grande coisa seria se vocês lançassem a empresa através da imprensa, todos juntos”.

“Depois de um período de tempo, quando os nervos haviam esfriado, eu os fiz todos terem um encontro”. O empresário Robert Stigwood descreve a separação e como ele trouxe o grupo de volta. “Existiu um período onde os irmãos não estavam falando uns com os outros, e eu acho que eles ficaram mais velhos e um pouco mais sensatos. Foi muito difícil. Não esqueça que naqueles tempos Robin e Maurice eram adolescentes. Ser um sucesso como aquele, em tão jovem idade, é muito difícil de lidar com essa situação. Eu acho que eles realmente precisavam de tempo, e esse tempo fez a eles muito bem de várias maneiras, ter se separado e depois voltar novamente”. A reunião real, de acordo com Robert, “veio deles quererem fazê-la, e também, na mesma época, eu estava tornando a companhia pública na Inglaterra e era muito importante para eles participarem naquilo, então aquilo se somou à vontade de trabalharem”.

Relembrando as considerações sobre os negócios, Barry diz “aquilo foi tudo um jogo. Espiritualmente não tínhamos a cabeça nos negócios. Nós ainda estávamos desapontados com os outros. As coisas não tinham sido resolvidas. E Robert estava nos colocando de volta a seu modo, de um modo bom, certamente. Mas realmente, com a finalidade de ver a companhia voltar ao mercado. Tudo o que nós fizemos foi pela corporação. Eu honestamente acho que o desejo era de voltarmos novamente. Mas não acho que era a hora certa para nós. Foi tudo feito legalmente. Todos tinham seu advogado na sala e nada foi resolvido. O problema de Robin ainda estava lá. Naquele ponto existia uma batalha acontecendo sobre quem poderia ter a maior parte das ações, antes da companhia se tornar pública”. Além da Polygram/Polydor, que era a maior investidora na RSO, “eu acho que Robert e David (Shaw) tinham as maiores partes. Depois eu, Maurice e Robin e Eric Clapton, Jack Bruce, Ginger Baker e Frankie Howard, mais abaixo. O que estava acontecendo era uma batalha dos maiores acionistas. Os Bee Gees não poderiam sobreviver durante aquilo. Ninguém estava cuidando dos Bee Gees. Era uma luta financeira total. Exceto que você não podia ter colocado aquilo nas revistas. Ninguém teria escutado você”.

Não importando os motivos da reunião, “eu acho que a hora mais importante, que me afetou mais”, Maurice reflete, “foi quando nós três estávamos sentados no escritório em Londres. Nós tínhamos nos separado e os advogados e contadores estavam todos lá, tentando separar todos nossos compromissos com Robert. Nós olhamos uns para os outros como quem diz ‘que diabos estamos fazendo aqui?’ Todas aquelas pessoas estavam lutando sobre quem tem o quê, e quem conseguiu isto e aquilo, e nosso empresário sentado lá, tentando separar tudo. Nós estávamos lá na poltrona dizendo, ‘o que está acontecendo?’ Nós queríamos voltar a ficar juntos novamente. E, de repente, nós quatro, Robert também, descobrimos que aqueles caras estavam tentando nos separar, e não nos manter juntos. E quando chegamos à parte de Barry, eu me levantei e gritei, porque eu não podia acreditar quanto estúpidos nós tínhamos sido. Minha primeira mulher (Lulu) se sentou e me disse, ‘fique calmo’. Eu disse, ‘Eu não acredito na besteira que estamos fazendo. Nós temos tanto um para o outro, e nós estamos separando isso”. Robin: “Existiam todas aquelas pessoas nos dizendo ‘Não fale a ninguém antes de falar comigo’. Nós voltamos juntos porque queríamos”. O álbum solo de Robin tinha sido lançado, como Maurice se lembra, mas “Barry e eu dissemos ‘vamos deixar os nossos álbuns solo pra lá’. Decidimos não promover o dele nem lançar os nossos. Decidimos voltar ao estúdio, e gravamos o álbum ‘Two Years On’ “, o título sendo uma referência direta à duração da separação dos irmãos.

Uma vez tomada a decisão pelos Bee Gees, era necessário para eles voltar ao estúdio e recuperar sua magia. Embora eles tivessem sucesso imediato com as gravações, Maurice lembra, “levou uns bons 4 anos para voltar à forma original”. Barry: “nós sabíamos que levaríamos 5 anos para nos conhecermos novamente como irmãos. Nós certamente não éramos mais irmãos naquela época. Nós discutimos isso por um grande período de tempo, porque sabemos que nos importamos uns com os outros. No final, estávamos de volta ao ponto de antes da separação… de volta à realidade, com os nossos pés no chão”.

Notavelmente, a primeira música que eles gravaram, “Lonely Days”, se tornou o seu maior sucesso nos EUA até então, chegando a terceiro lugar na Billboard e primeiro na Cashbox, seu primeiro #1 nos Estados Unidos. Seu segundo compacto, “How Can You Mend A Broken Heart”, fez até melhor, se tornando número um em todas as paradas. Menos de um ano depois da reconciliação, os Bee Gees estavam fazendo sucesso novamente. No entanto, algo estava faltando, porque o sucesso acabou tão rapidamente quanto aconteceu e o período entre 1972 e 1974 foi de discos mal sucedidos. O sucesso pessoal também não foi facilmente encontrado.

Robin explica que “nós todos tínhamos um pedaço de orgulho para engolir. O que tinha acontecido não era realmente nada. Nós todos estávamos lendo artigos na imprensa sobre o que os críticos estavam falando sobre nós, e nós estávamos fazendo aquilo (separação), mas não era o que cada um de nós sentia. Acho que depois que começamos a trabalhar juntos novamente, descobrimos que era somente a imprensa que fez aquilo acontecer, não nós”. Ainda existem cicatrizes, Robin: “era assassinato, o maior pesadelo que eu passei e havia sido para nós três. A imprensa só fez da nossa vida um inferno e eles fizeram tão mal para nós… aqueles dias deixaram um tipo de marca em mim. Eu não podia entender porque as pessoas escreviam e diziam as coisas que diziam sobre nós, quando tudo o que fizemos foi nos separar”. Robert Stigwood aponta que “o público inglês não tomou facilmente a separação por causa da imprensa. Eles realmente tiveram trabalho com isso. Existiam muitos comentários desagradáveis de um irmão falando sobre o outro. Aquilo não ganhava a simpatia de ninguém. Por causa do ponto de vista do público, eles estavam no alto, ganhando muito dinheiro. E então, vendo aquilo acontecer, decidimos que a melhor coisa era ter atenção às suas gravações e não se preocupar com a publicidade”.

Aquelas primeiras sessões de gravação, de acordo com Robin, eram “nervosas. Existiam barreiras entre nós e tínhamos que derrubá-las”. Maurice nota que “quando voltamos, eu estava casado. Eu tinha minha casa e um carro, e só. Eu estava estável. Eu havia crescido. Barry, em especial, me fez crescer muito rapidamente porque eu o estava observando e dizia, ‘está certo’. E eu vinha com coisas para ele e ele dizia, ‘Cristo. Você cresceu, não?’ De repente nós três chegamos ao mesmo nível”. Molly fala para todos quando diz que se a separação “não tivesse acontecido naquela época, eles não estariam juntos agora. Estou convencida disso. O tempo afastados, deu a eles todos tempo para respirar, tempo para crescer. E para perceber que como um time eles trabalhavam melhor. Tudo tinha sido muito intenso. Eles tinham quase sido manipulados como bonecos. E eles tinham sido muito condescendentes. Eu acho que esse tipo de ruptura os fez perceber o que acontecia”.

Em 1971, os publicamente felizes Bee Gees embarcaram em uma excursão extensa que os levaria à América e de volta à Austrália pela primeira vez desde que tinham saído em 1967. No entanto, ainda existia mau tempo à frente, para os irmãos. Barry: “Robin ainda tomava estimulantes, estava indo para baixo. Chegamos em Greensboro, Carolina do Norte, uma noite. Na manhã seguinte, fui até o quarto de Robin e a porta estava meio aberta. Meu pai estava parado em pé no meio do quarto e Robin estava deitado na cama. Ele tinha tido um colapso. O cansaço do trabalho combinado com as pílulas foram muito para ele. Na verdade, tudo o que ele precisava era descansar e ‘limpar’ sua cabeça”.

Os Bee Gees cancelaram o show daquela noite, o primeiro show em suas vidas que eles perderam, mas era um pequeno preço a pagar pelo bem estar de Robin. Como Barry relembra, Robin passou cinco dias no hospital se curando e “em menos de cinco dias, Robin estava brigando com os médicos, se entupindo de hambúrgueres e querendo ter alta. Cinco ou seis dias depois, ele estava no palco conosco novamente. Era uma pessoa muito fraca, mal podia cantar uma nota. Mas o fato era que ele estava no palco! O público sabia que alguma coisa estava terrivelmente errada, porque a noite anterior nos apresentamos sem ele. Nós tínhamos anunciado que ele tinha tido que ir ao hospital, mas eles não sabiam porque. Muitas pessoas que vieram aquela noite também vieram na seguinte. Então eles sabiam que Robin não havia aparecido. Quando eles o viram no palco, se levantaram e o aclamaram, de pé. Molly veio da Inglaterra quando soube sobre o que tinha acontecido e estava com ele (na excursão) a partir de então. Ele começou a ganhar peso devagar, e ele veio amadurecendo durante os anos, e agora ele está bem. Ele se tornou um ser humano normal de novo”.
Este capítulo na história dos Bee Gees é crucial para entender a perseverança do grupo em permanecer juntos por mais de duas décadas. O esforço dos Bee Gees era muito mais do que uma luta por sucesso. Era uma batalha pessoal que só foi vencida por causa do profundo amor familiar.

Os primeiros anos da década de 70 não foram somente um tempo onde os Bee Gees tiveram poucos discos de sucesso e depois caíram no reconhecimento do público. Os anos entre 1971 e 1974 foram anos de crescimento e maturação, crescimento e transição. O sucesso internacional que tinha atingido a família Gibb como um raio, os tinha rompido totalmente como indivíduos e como família também. Cada irmão tinha seu próprio esforço em crescer. Barry, sendo o mais velho quando o sucesso chegou, teve mais facilidade. Sua vida era basicamente a mais estável. Maurice e Robin eram ainda adolescentes quando se tornaram milionários. Cada um achou dificuldade em lutar. Robin se refugiou nas pílulas, e Maurice na bebida. A história de Robin é a mais dramática das três, porque ele se prejudicou ao máximo, mas, no entanto, todos os problemas pessoais dos irmãos foram necessários. Para aprender como manejar suas vidas de astros pop, os Gibb estavam se preparando para o próximo encontro com o grande sucesso.

Na primeira era bem-sucedida do grupo, as músicas dos Bee Gees tendiam a ser sobre personagens. Os Bee Gees escreviam e cantavam as músicas através dos olhos dos personagens. Com a separação, um certo detalhe foi observado nas músicas. Depois da reunião, as letras mudaram, ficaram mais introspectivas. Barry acha que esta mudança foi o fator principal na falta de habilidade do grupo para sustentar o rápido sucesso de dois compactos colossais seguidos. “Eu acho que a maior besteira que você pode fazer ao gravar discos, é escrever sobre você mesmo. As pessoas não estão interessadas somente em músicas que falem sobre você. Eles também querem escutar suas histórias de fantasias. Logo que nós paramos de escrever sobre nós mesmos e passamos a escrever sobre assuntos externos, todos quiseram conhecer. Quando começamos a escrever ‘Nights On Broadway’, sobre uma garota que se tornou uma estrela, era nada mais que nós mesmos. Se você pode assumir uma identidade de uma outra pessoa para escrever uma música, você terá melhores condições do que se fosse falar sobre sua própria experiência”. Entre “Run To Me”, um sucesso moderado no verão de 1972, e “Jive Talkin’ ” e “Nights On Broadway” em 1975, os Bee Gees praticamente não tiveram ‘hits’.

“Nós não sabíamos para onde estávamos indo”, Barry relembra. “Por isso levou muito tempo para passarmos dessa fase. Nós acabamos fazendo baladas tristes e isto estava totalmente errado. Tínhamos um sucesso com a balada “How Can You Mend A Broken Heart”, e daquele momento em diante, a Atlantic não queria nada mais a não ser baladas. Parecíamos estar parados naquele estilo”. Mesmo naquele ritmo, os Bee Gees fizeram inúmeros álbuns interessantes e cada um continha no mínimo uma música de destaque, como “Saw A New Morning” de “Life In A Tin Can”. Outra entre as melhores músicas daquela época foi a música título do álbum “Trafalgar”. Para Maurice, aquele disco foi um ponto de virada. “Barry começou a me respeitar por meu desempenho no baixo, minha habilidade musical. O álbum ‘Trafalgar’ começou aquilo, porque eu escrevi o tema, ‘Trafalgar’, e a gravei eu mesmo. E então a toquei para ele e perguntei, ‘o que você acha?’, e ele respondeu, ‘você não tem o que mexer nela. Está mixado, gravado, terminado’. Eu me senti como ‘puxa vida, ele gosta da minha música’, foi quando eu comecei a me envolver mais em compor. Agora é completamente mútuo”. Tendo sido obscurecido no final dos anos 60 pelos seus irmãos, Maurice estava amadurecendo rapidamente como compositor e produtor no início dos anos 70. Um de seus trabalhos de produção solo, para o grupo Tin Tin, “Toast and Marmalade For Tea”, foi um grande sucesso nos EUA. “Tin Tin” incluía um rapaz chamado Steve Kipner. Os Bee Gees haviam se lembrado de outro amigo de seus dias australianos.

“Eu chamo aqueles dias de dias calmos para os Bee Gees, porque era nosso período de transição”, nota Robin, “nós não esperávamos um sucesso imenso, porque estávamos recomeçando. Nós estávamos jogando fora o velho Bee Gees, queríamos que o velho Bee Gees fosse embora. Nós só queríamos que as pessoas se esquecessem do velho Bee Gees. Era o único jeito de não nos sufocarmos. Nós tivemos dois álbuns de transição que não estávamos felizes com eles, nesse período de 1972 a 1974”. O grupo não estava se conectando tanto com o público assim como com suas raízes musicais. Para estes três artistas ambiciosos e de visão, era um período terrivelmente frustrante. Tom Kennedy havia trabalhado como empresário de viagem para os Bee Gees por quase uma década (quando substituiu Dick Ashby, que se tornou empresário pessoal do grupo), e Tom lembra aqueles tempos ruins. “Eles sabiam que estavam na calmaria, mas não queriam que falassem isso. O círculo imediato de pessoas podia falar sobre isso, que eles não se importavam, mas eles não queriam que alguém se levantasse e dissesse, ‘oh, deve ser horrível para vocês agora, ter sido tão grande antes e agora estarem lutando’. Isso os desapontaria”. Barry fala o que pensava: “Aqueles anos eram o inferno. Não existe nada pior do que estar no anonimato pop. É como estar no exílio. E os outros artistas tratam você como trapo. Eles dizem, ‘Hey, eu não sabia que vocês ainda estavam juntos’. É quando você percebe que eles não tinham pensado em você há anos. É tudo ego. Este negócio todo é ego”.

Se algum evento naqueles dias personificou os problemas do grupo, foi uma série de shows que eles fizeram no começo de 1974 no Batley Variety Club, no norte da Inglaterra, tocando seus maiores sucessos para uma multidão desatenta. Como Molly relembra, “eles estavam em um ponto realmente baixo em suas carreiras. Estavam começando a pensar ‘o que vamos fazer?’. Não existia um caminho, eles teriam caído em uma armadilha de fazer shows por uma noite, se tornar um grupo de nada e seguir lutando. Robin é uma pessoa que pensa positivo e não será derrotado. Se um disco não faz sucesso, não o vai fazer desistir. Ele estaria mais determinado que o próximo iria fazer sucesso. De qualquer modo, Dick Ashby deu a sugestão, ‘porque não fazemos uma ou duas datas no clube?’. Robin sempre havia odiado nightclubs por causa da Austrália. Eles não gostavam de ir a nightclubs e ver homens tomando cerveja e conversando e ignorando o que você está fazendo. Robin não estava muito satisfeito com a ideia, mas não existia nada mais acontecendo. Era um cachê bom, um dinheiro certo”.

“Depois que assinaram o contrato, Robin viu que era uma besteira e que não queria fazer aquilo. Ele faria qualquer coisa para não ter que fazer aquilo. De qualquer modo, eles foram em frente e se apresentaram. Ele realmente detestou cada minuto daquilo”. Robin: “Nós pensamos, ‘nós chegamos a isto…’, e saímos daquele clube e nunca olhamos para trás. Nós dissemos, ‘Isto nunca mais vai acontecer a este grupo’. Nós sabíamos que tínhamos muito a oferecer”. Barry sente que “nós tínhamos perdido o poder de escrever grandes músicas. Tínhamos o talento, mas a inspiração havia sumido”. Molly: “Robin disse, ‘nada mudou em se apresentar a público de nightclubs’. Ele voltou daquilo muito deprimido. Ele disse, ‘não podia ser assim. Não vai ser assim. Alguma coisa tem que acontecer. É melhor desistir do que ter que fazer aquilo de novo’. Foi como um pesadelo para ele”.

Tom Kennedy acha que mesmo depressivos quanto fossem aqueles shows, “era uma boa coisa, um modo de mostrar para eles o que poderia acontecer se eles não tentassem, aonde poderiam parar. Se você tenta, faz alguma coisa e não acontece, você acha que talvez seja o fim. E eu acho que eles talvez estivessem começando a aceitar isso quando Batley aconteceu. Aquilo foi tão ruim para eles, jovens comendo enquanto eles estavam tocando. Eles pensaram, ‘como alguém pode fazer isso?’. Daquele ponto em diante eles foram para o tudo ou nada, e fizeram um álbum que era digno de ser chamado de um álbum dos Bee Gees”, Mr. Natural.

Enquanto o grupo deixava Batley com uma lição humilhante aprendida e uma nova resolução de tentar com mais vontade, Maurice deixava o clube depois de conhecer sua futura esposa. Yvonne Spencely era a gerente do restaurante ao lado de Batley e conheceu Maurice na segunda noite da semana que os Bee Gees tocaram lá. Maurice “estava separado há um mês aproximadamente, estava tudo nos jornais, Lulu era a queridinha deles. Eu era o bastardo desprezível, que a tratava como ‘sh!t’, você sabe? E que dava de cinto nela. Acredite em mim, ela tinha um grande gancho de direita. De qualquer modo, Derek Smith, o empresário do Batley, veio ao camarim depois do show de terça-feira. E ele trouxe Yvonne para dizer olá. E ela só sorriu. E eu pensei, ‘que sorriso bonito!'”. Yvonne se lembra que, “na noite de sexta, ele me perguntou se eu queria morar com ele. Eu não iria de imediato. Eu saí com ele por poucos meses. Ele parecia realmente bom, uma pessoa muito afetuosa. Aquilo foi o que me conquistou, primeiramente. A primeira noite, tudo o que me lembro era ele só olhando para mim e conversando. Certamente, na época eu era mais quieta. Tudo o que eu fazia era sorrir”.

Com os problemas com os Bee Gees e em seu casamento com Lulu, Maurice era um homem-problema. Aqueles que o conheciam naqueles dias, falam, com respeito, das mudanças que aconteceram com Maurice depois que conheceu Yvonne. Maurice chama de “amor à primeira vista. Eu não podia acreditar naquele sorriso, aquele tipo de luz nos olhos dela, rindo com olhos chorosos. Quando ela sorri, você não sabe se ela está rindo ou chorando. Aquele sorriso me pôs realmente a nocaute. Eu pensei, ‘que garota encantadora’. Existia uma inocência pura nela, o que eu amava. Ela era algo que eu nunca pensei que cruzaria na minha frente. Eu estava entusiasmado. Mudou minha vida, tão rápido quanto chegou”. Yvonne e Maurice se casaram em 17 de outubro de 1975. Se existe um perfeito exemplo de “atração oposta”, Yvonne e Maurice são o casal. Enquanto Maurice é o mais extrovertido dos irmãos Gibb, Yvonne é a mais quieta das esposas Bee Gee. Em parte, porque ela é, comparativamente, a recém-chegada à família, e em parte porque ela é simplesmente uma mulher doce e tímida. Yvonne agora faz parte da família, e ela e Maurice estão muito felizes. De acordo com Yvonne, Maurice é assim, “às vezes eu me levanto de manhã e não estou sempre de bom humor. Eu digo a Maurice, ‘como você pode levantar de manhã sorrindo e brincando?’, e ele diz, ‘às vezes eu não estou de bom humor, mas é bom mostrar isso a todos, para que fiquem de bom humor também'”.

Os irmãos Gibb podem ter tido poucos discos de sucesso no começo dos anos 70, mas o grande fato pessoal foi terem se tornado pais. Robin e Molly tiveram um filho primeiro, Spencer, nascido em 21 de setembro de 1972. Em 1º de dezembro de 1973, Linda deu à luz o primeiro filho de Barry, Stephen. Spencer logo teve uma irmã com a chegada de Melissa em 17 de junho de 1974. Tom Kennedy: “nós estávamos no Record Plant, em Hollywood, e as notícias chegaram. Robin estava em casa, e quando entramos, ele estava dormindo no chão. Ele tinha ficado nos esperando só para nos contar sobre Spencer. Ele se levantou e estava realmente animado. A noite que o primeiro filho de Barry nasceu, ele ficou acordado a noite toda, telefonando para as pessoas”. O segundo filho de Barry e Linda, Ashley, nasceu em 7 de setembro de 1977. Barry estava lá nos dois nascimentos.

Maurice e Yvonne têm até agora (1979) só uma criança, mas Maurice trabalhou muito mais. Adam nasceu em 23 de fevereiro de 1976 e Maurice estava na sala de parto para ajudar. Yvonne relembra, “ele estava lá para o nascimento. Ele foi grande. Ele tinha trabalhado durante a minha gravidez. Estava fora há dois meses e meio, e eu ficando maior e maior. Eu não me importava realmente, porque ele costumava me telefonar toda noite. Ele retornou para casa mais ou menos três dias antes de eu ir para o hospital. Quando eu entrei na sala de parto, ele entrou de luvas. E ele cortou o cordão umbilical. E o doutor me disse, ‘Parabéns, você ganhou um filho’. E Maurice veio a mim e disse, ‘é um menino!'”. Para Maurice, o nascimento de seu filho foi a maior alegria de sua vida. “Eu o peguei assim que ele nasceu, e o doutor o pegou junto. E ele disse, ‘você corta ali’ e eu cortei o cordão. Eles o levaram a uma enfermeira, e nós o lavamos. Então eu vi que era um menino”.

Durante a primeira metade da década de 70, os Bee Gees passaram muito tempo excursionando, tentando reconquistar alguns dos velhos fãs e criar novos. E eles foram bem sucedidos. Com excursões frequentes e extensas nos EUA, Canadá, Austrália e oriente, os Bee Gees podem não ter tocado para uma multidão abundante, mas eles sempre tocaram e cantaram para fãs entusiasmados e críticos que louvavam a precisão e profissionalismo de suas apresentações ao vivo. Hugh relembra “uma das melhores coisas ditas sobre eles. Um crítico escreveu, ‘eles entram no palco parecendo com todas as fotos tiradas deles, e cantam como todo disco que gravaram'”.

A família Gibb também esteve muito na estrada nos anos 70. Parte da família morou em Ibiza, Espanha, por algum tempo, até que a repressão de Franco cresceu. Foi em Ibiza que Andy começou a cantar. Ele quase sempre aparecia em um clube local, somente com um violão, mas não era incomum ver Maurice e Barry se juntar a Andy, que estava a poucos anos do estrelato. Depois de Ibiza, os Gibb voltaram a Isle Of Man, mais por causa dos impostos. Só Robin aceitou a ‘mordida’ enorme do governo inglês, e ele e Molly moraram em uma bonita propriedade em Surrey pela maior parte da década.

Um dos aspectos mais notados da recente elevação dos Bee Gees ao status de super-astros, tem sido a boa banda com quem eles trabalham. Maurice nota que “quando voltamos juntos novamente, nós ainda estávamos precavidos uns com os outros no estúdio, sobre quem iria cantar o que, ou causar outra discussão sem razão. No final, isso nunca aconteceu. Tudo com que estávamos preocupados era ‘nós temos uma boa banda?’. Agora nós podemos dizer que conseguimos formar uma boa banda”. Devagar eles reuniram um bom elenco de músicos. Geoff Bridgeford foi o primeiro novo membro, se juntando como baterista. Geoff havia tocado no Tin Tin, assim como no australiano Steve and The Board. Ele também foi o último não-Gibb a se tornar um Bee Gee. Quando ele saiu, depois de dois anos, os Bee Gees se tornaram somente os três irmãos Gibb.

O membro há mais tempo na banda dos Bee Gees é o guitarrista principal Alan Kendall, que uma vez fez parte de uma banda inglesa chamada Toefat. Ele se juntou ao grupo em 1970. O próximo, Dennis Bryon, substituiu Bridgeford na bateria, e ele tem estado lá desde então. Dennis trouxe um velho amigo, o homem dos teclados “Blue” Weaver. Dennis e Blue haviam tocado juntos em dois grupos ingleses, Brother John & The Witnesses e Amen Corner. A última foi uma banda de muito sucesso no Reino Unido, embora nunca experimentassem sucesso internacional. Antes de se engajar nos Bee Gees, Blue também tinha sido membro de dois bons grupos de rock britânico, os Strawbs e Mott the Hoople. Estes três homens estão juntos há pelo menos quatro anos (em 1979), e tem sido esse tempo de compromisso juntos que os Bee Gees têm evoluído como banda, tanto no sentido musical, como pessoal.

Um elemento do som ao vivo dos Bee Gees, e que foi marca registrada dessa época, foi a presença de uma orquestra. Primeiro Bill Shepherd, e depois Geoff Westley, foram os diretores musicais do grupo nas viagens. Como os Bee Gees viajavam de cidade em cidade, o diretor musical reunia os melhores músicos de cada cidade e ensaiava com eles à tarde, antes do concerto. Então quando os Bee Gees entravam no palco à noite, suas baladas emotivas eram complementadas com o som comovente dos instrumentos de cordas. Como os sintetizadores de cordas evoluíram durante os anos 70, os Bee Gees passaram a usá-lo também nos shows ao vivo até 1976, quando descobriram que, como uma banda tocando ao vivo, eles eram melhores sem uma orquestra. Com certeza, as cordas são insubstituíveis, mas como Robin nota, “por anos as pessoas diziam aquilo, porque nós sempre tocávamos com uma orquestra, eles nunca sabiam se éramos bons como uma banda. Era tempo de deixar todos nos escutarem como uma banda, assim eles podiam julgar eles mesmos”. Como a música dos Bee Gees tem se tornado mais ‘funky’ com mais material R&B, os sintetizadores são o som perfeito.

A primeira metade desta década pode não ter sido um tempo de enorme sucesso internacional para os Bee Gees, mas foi mais do que grupos isolados de fãs, que os mantiveram em ação. O continente europeu e a Inglaterra não eram pontos “quentes”, mas eles podiam excursionar pelos EUA regularmente e saber que seguidores fanáticos estariam lá. Como Tom Kennedy aponta, “eles gostam de se apresentar. Eles são cantores que não se importam se o público é grande ou pequeno, se são 60 mil ou 3 mil, eles fazem o show muito bom de qualquer modo. Com aquela energia vindo do público, eles aproveitam para si mesmos, e o show será bom, noite após noite”. Aquele modelo de excelência em se apresentar se provaria sem preço durante aqueles anos ruins, porque os Bee Gees visitaram vários lugares incomuns.

Dick Ashby se lembra que “o mais esquisito de todos foi em Jacarta, na Indonésia. Fazíamos uma excursão pela Austrália e o promotor em Londres, que havia negociado a excursão inteira, nos perguntou se gostaríamos de fazer umas poucas apresentações no oriente, no caminho de casa. Eu, embora tivéssemos que fazer escalas no vôo de volta, e eles, parecíamos um pouco excitados em conhecer lugares como Indonésia, Hong Kong. O única informação que eu tinha sobre esta cidade da Indonésia era que o estádio se chamava Senegahn Stadium, que era coberto e tinha 10 mil lugares, então nós acertamos o preço de acordo. Quando chegamos a Jacarta, fomos procurar o estádio antes da banda chegar, para aprontar o palco e tudo mais, juntos. O motorista do taxi nos levou a um lugar bem maior, enorme, do tamanho do estádio de Wembley (um estádio de futebol inglês que tem perto de 100 mil lugares). Então eu disse, ‘não, isto não pode estar certo’, mas com certeza absoluta existia um palco lá. Para nós, aquele negócio, de alguma forma, tinha que ser mudado. Houve muita tensão durante o dia, eu tentando mudar o preço, e o equipamento, que estava sendo difícil de montar no palco, então tivemos um dia difícil naquele lugar. Então, quase uma hora antes do show estar pronto para iniciar, começou uma chuva torrencial e todo o equipamento teve que ser escondido debaixo do palco – desastre total.

“A essa hora, todas as pessoas estavam chegando, incluindo o Primeiro Ministro da Indonésia, que estava na tribuna real. Tom veio a mim e disse, ‘olha, estou com medo que o grupo toque; está molhado, se uma guitarra encostar em alguma coisa, alguém será eletrocutado’. Então eu voltei ao hotel com isto em mente, e falei ao promotor que nós não nos apresentaríamos. A mulher do promotor começou a chorar, dizendo que devíamos continuar, a família real estava lá. Então, no fim, o promotor me disse: ‘Se o grupo de abertura se apresentar e não se matarem, vocês se apresentam?’. O que eu poderia dizer depois disso? Quando o show começou nós tínhamos três microfones ligados. Toda vez que Maurice se movia de seu microfone em pé, para o piano, alguém tinha que entrar no palco e levar seu microfone até ele. Foi um som agradável, foi um bom show”.

Naquela mesma excursão, Ashby relembra “duas outras datas na Indonésia, Surabaya e Medan. Acho que não haviam carros na cidade, as pessoas eram puxadas em riquixás e coisas assim. Tom e eu fomos ao local à tarde e era um mercado. As pessoas estavam comprando vegetais e coisas semelhantes. E era lá onde iríamos nos apresentar. Então mandei Tom de volta para o hotel e disse, ‘diga para todos não descerem até a noite’. Logo que a noite chegou, os vegetais tinham sumido e as luzes diminuído, e não parecia tão ruim quando a banda chegou. Até que começou a chover. E eles estavam cantando embaixo de uma cobertura metálica estilo dossel. O barulho da cobertura era horrível. Provavelmente o pior lugar onde nos apresentamos até hoje”.

No extremo oriente os Bee Gees nunca pararam de ter sucesso. “Melody Fair”, do álbum Odessa, foi um grande sucesso, e compactos como “My World” e “Wouldn´t I Be Someone” eram primeiro lugar em lugares como Hong Kong. Por alguma razão, possivelmente pela barreira da linguagem, os Bee Gees pareciam fazer as coisas mais excêntricas no Japão. Linda relembra como alguns membros da excursão tornavam as coisas mais interessantes. “Dennis (Bryon), Barry e eu decidimos que faríamos alguma brincadeira, porque era a última noite da excursão”. Na tarde do show, os três conspiradores conseguiram pacotes de arroz e farinha. Então eles pegaram toalhas de papel, colocaram arroz nelas para que ficassem pesadas, depois colocavam uma mão cheia de farinha dentro e fechavam com elásticos. Centenas de bombas de farinha foram feitas, e quando Alan Kendall descobriu o plano, ele fez seu próprio estoque. Linda: “Todos tinham essas pilhas de bombas de farinha”.

Naquela excursão, Linda relembra, “Robin sempre esteve vestido de preto. Durante um show, ele sua bastante, então ele leva uma toalha para a bateria e se seca. Naquela última noite, Linda pegou a toalha de Robin e passou farinha nela, dobrou-a cuidadosamente e a colocou no lugar de costume, perto da bateria de Dennis. “Quando Robin a abriu naquela noite”, Linda conta rindo, “a farinha foi toda sobre ele. Todos estavam histéricos no palco. Os japoneses não sabiam o que estava acontecendo, pensavam que éramos estúpidos. E Robin disse, ‘do que vocês estão rindo?’ E só então é que ele olhou para si mesmo”. De acordo com Linda, Robin imediatamente censurou o ato, pensando que eles estavam indo à desforra por alguma brincadeira anterior. “Enquanto eles (um grupo japonês) estavam cantando ‘It Never Rains in California’, nós entramos no palco. Dennis tinha um tambor, alguém tinha um triângulo e eu tinha um tamborim. Nós entramos no palco cantando e eles pensaram que éramos do coro. Mais tarde, no show deles, nós vestimos roupas de auxiliares de palco e começamos a martelar enquanto eles estavam cantando. Então Robin achou que deviam ser eles que tinham pregado essa peça nos Bee Gees. Ele saiu correndo do palco, caçando esse grupo japonês por todo lugar”.

Naquele ponto, Alan Kendall começou a ‘bombardear’ e “elas estavam indo em todas as direções. Barry estava cantando ‘Words’, e Dennis estava atrás dele, atirando bombas e baquetas da bateria. E enquanto Barry cantava ‘it´s only words’, ele abaixou sua cabeça e uma flecha de borracha foi por cima de sua cabeça para o meio da platéia, então ele se levantou e cantou ‘and words are all I have’ “. Durante a blitz das bombas de farinha, “Robin não voltaria ao palco. Dick teve que conversar com ele por no mínimo duas ou três músicas, antes que ele fosse finalmente convencido a voltar ao palco. Naquela hora, o bombardeio já havia acalmado um pouco. O estoque estava terminando”.

Aquela viagem foi também a primeira excursão de Yvonne com os Bee Gees, e como Linda relembra, “ela estava muito quieta. Nós estávamos tentando fazê-la entrar em uma caixa e durante o ‘medley’ no show, sair e atirar confete em Maurice. Fizemos Maurice falar com Yvonne para fazer isso. Falamos para ela que só iríamos empurrá-la através do palco para o outro lado, e nós daríamos um tapa na caixa quando fosse hora dela sair. Mas nós a deixamos dentro da caixa no palco, e, certamente, nunca demos um tapa na caixa. E ela ficou lá. Finalmente ela saiu, e estava muito envergonhada, porque ela era uma garota muito tímida”. Maurice relembra aquele último show em Saporo, “eles estavam doidos. Sabe Deus o que o público deve ter pensado de nós”.

Enquanto estas excursões eram financeiramente bem sucedidas, e algumas vezes muito alegres, os Bee Gees não estavam satisfeitos como artistas. Era mais do que a carência de discos de sucesso que era desencorajante. Eles pareciam estar presos a uma regra de excursão-disco-excursão. Depois de um tempo, parecia como se eles estivessem ‘patinando’. E então, a última gravação do grupo, “A Kick In The Head Is Worth Eight In The Pants”, foi rejeitada pela Atlantic Records. Foi um pouco chocante, como Dick Ashby relembra: “Depois de todos aqueles anos, mandar um álbum para o escritório e vê-los dizer ‘Desculpe amigos, mas não está suficientemente bom'”. Barry: “Tinha alguma música boa, mas totalmente em uma linha pop. Elas eram tristes, escritas sobre nós mesmos e coisas assim”. O disco nunca foi lançado.

No ponto onde parecia que seus dias como compositores estariam terminando, Robert Stigwood veio com a ideia que mudou a carreira dos Bee Gees. “Eu sabia que Arif Mardin era um produtor extraordinário. Eu o conhecia por causa da nossa conexão com a Atlantic. Eu perguntei a ele se ele viria e começaria a gravar com eles, e eles fizeram ‘Mr. Natural'”. Aquele disco não foi um sucesso. “Nós simplesmente não estávamos dedicando tempo suficiente para nossos álbuns”, Maurice aponta. “Nós gravamos ‘Mr. Natural’ durante uma excursão. Toda vez que tínhamos uns dias de folga, voávamos para Nova York para fazer umas poucas músicas. Quando finalmente terminamos, sabíamos que poderíamos ter feito um trabalho melhor”. Barry acrescenta, “nós queríamos mudar para um estilo de ritmos mais fortes e melhores, e nos tornar, mais do que três irmãos, uma banda”. De acordo com Robin, Mr. Natural “foi somente uma transição. O próximo álbum, Main Course, foi o completo cruzamento de todas as direções que queríamos seguir, que era a música negra, R&B”.

No álbum “Mr. Natural” existem muitas músicas boas, especialmente a música título, “Dogs” e “Charade”. Mas o público não estava escutando o grupo. Ou talvez fosse o contrário. Talvez os Bee Gees precisassem escutar o que estava acontecendo na música popular.

5 – RESSURREIÇÃO

Em retrospecto, o período de transição pareceu suave e natural, mas é importante lembrar que a mudança de um grupo originalmente de baladas para uma banda de R&B não era uma mudança óbvia ou fácil.

Em “Mr. Natural”, em músicas como “I Can´t Let You Go” e “Down The Road”, os Bee Gees estavam cantando e tocando com mais vigor do que em todos os anos anteriores. Para Robin, a mudança para R&B já deveria ter acontecido antes. “Nossas raízes eram a música ‘Rhythm and Blues’, mas não sabíamos qual a melhor direção a seguir. Então, em ‘Main Course’ haviam muitas direções, ‘country’ como em ‘Come On Over’ (um grande sucesso de Olivia Newton-John) e R&B com músicas como ‘Nights On Broadway’ e ‘Jive Talkin´’. A coisa mais positiva que apareceu naquele álbum foi a influência do R&B. Aquilo realmente pavimentou o caminho todo. Era o que nós queríamos fazer, e nós agradecemos a Deus que as pessoas aceitaram aquilo que estávamos fazendo”.

Para a gravação de “Main Course”, os Bee Gees moraram no 461 da Ocean Boulevard, em Miami, uma casa famosa por causa de Eric Clapton, que colocou o endereço como nome de um álbum seu. Eles também começaram a gravar perto, no Criteria Studios, o lar de alguns dos maiores sucessos do R&B durante anos. Como Linda Gibb relembra, as coisas não estavam indo bem. “Eles estavam no estúdio terminando algumas gravações. Dick (Ashby), Tom (Kennedy) e eu estávamos acompanhando e nos olhávamos pensando, ‘não é isto o que está acontecendo (na música) agora. Eles têm que escrever algo mais acelerado'”. Aqueles eram tempos difíceis para o grupo. Robin relembra que “Ahmet (Ertegun, o cabeça da Atlantic Records), foi muito rápido em virar para nós e dizer, ‘é isto?’. Nós pensamos que eles nem mesmo nos iriam dar uma chance. Eles estavam nos sepultando. Somente Arif, de todas as pessoas da Atlantic, acreditava em nós”. De acordo com Barry, foi aí que Arif disse, “se vocês vão fazer alguma coisa diferente, agora é a hora. Pensem nisto. Olhem o que está acontecendo agora, e não o que está acontecendo a vocês. Suas mentes parecem estar fincadas no vazio”.

Não era somente o pessoal da Atlantic que não estava gostando das músicas que os Bee Gees estavam fazendo. Robert Stigwood também se preocupava. “Quando eles começaram o segundo álbum com Arif, eu não gostei de muitas músicas. Voei até Miami e falei para eles que eu queria jogar fora muitas das coisas que eles tinham feito, e que eu gostaria que eles começassem de novo. Eu cobriria os custos, que eles não se preocupassem, mas que abrissem realmente seus ouvidos para descobrir, em termos contemporâneos, o que estava se passando”. Arif Mardin relembra que “quando eles se mudaram para o 461 em Miami, eles escutavam o Top 40 e estações de FM todo o tempo. Não que eles estivessem fora do assunto antes, mas eles tiveram uma atitude mental, uma relação mais íntima com o que estava acontecendo no mundo das músicas Top 40”.

Isto pode parecer como se os Bee Gees se sentassem e fizessem músicas de modo calculado para serem sucessos. É mais complexo que isso. Os irmãos admitem abertamente que eles tentaram ser contemporâneos, mas, como Robin explica, “nós não nos sentávamos para decidir alguma mudança radical”. Os Gibb tinham sempre mostrado forte interesse pessoal em artistas negros como Otis Redding e Stevie Wonder. Barry acha que “pessoas como Otis, Sam e Dave, suas habilidades nos influenciaram. Queríamos ter aquelas habilidades nós mesmos, treinamos nossas vozes durante anos e agora temos. Nós não tínhamos há 5 ou 6 anos atrás. Nós não conseguíamos isso. Eu acho que somente o desejo de tentar voltar de novo tinha nos dado novas habilidades. Não fazíamos vozes em falsete até dois ou três anos atrás. Elas não existiam. Não podíamos cantar em falsete para salvar nossas vidas. De onde ela surgiria?”

O modo de cantar dos Bee Gees sempre foi emocional, mas nos dias pré “Main Course”, o som tendia a ser muito “branco”. Era como se eles estivessem cantando com algum tipo de bloqueio mental que dizia “nós não somos negros. Quem somos nós para cantar como eles?” O que Arif Mardin os ajudou a fazer foi derrubar todas as barreiras em suas mentes e nos estúdios de gravação. “Arif Mardin é um produtor fantástico”, diz Barry. “Ele tira o melhor das pessoas. Trabalhar com ele é só tentar e o satisfazer. Ele faz você saber que ele sabe o que está fazendo, sem ser ‘pesado’ com você. É um caso de persuasão gentil”. Do outro lado dessa sociedade de admiração mútua, Arif aponta que “existem certos artistas para quem tudo é sagrado, mas os Bee Gees não são tanto assim. Eles estão abertos para sugestões. Por exemplo, eu poderia dizer, ‘porque não começamos com o coro, é uma linha melódica mais forte’. Eles diriam que estava certo. É realmente uma certa atitude criativa no estúdio, quando a pressão está atuando, o que leva a um alto grau de profissionalismo, onde eles podem escrever melodias bonitas em um instante. Uma música seria formada em cerca de cinco a dez minutos. Um deles viria com uma ideia. Então, de repente, a coisa toda daria uma virada de 180 graus”.

Uma vez que os Bee Gees sentiram que um som R&B era o que eles sempre quiseram, a música em suas mentes explodia nas fitas. Todos os três irmãos perceberam que, pela primeira vez, eles estavam criando a música que sempre admiraram, mas tinham evitado de fazer eles mesmos. Barry acha que “nós sempre fomos capazes de escrever aquele tipo de música, mas tínhamos medo. Nós não tínhamos a confiança que podíamos tocar tão bem ou melhor que os outros. Eu acho que a lição principal que aprendemos com Arif foi que nossa música tinha que ser vibrante. Ela tinha que ter magia. Ele trouxe a nossa magia de volta. Nós sabíamos que não podíamos entrar lá e fazer outro álbum que não fosse sucesso”.

O primeiro degrau na direção R&B foi uma música chamada “Wind Of Change”. Barry lembra que “uma das primeiras quatro música que fizemos e tocamos para Arif foi “Wind Of Change”. Ele levou aquelas músicas para a Atlantic e as tocou, e eles não gostaram delas. Nós dissemos que eles deveriam esperar até que elas estivessem terminadas. A Atlantic não estava preparada de todo para esperar, porque nós não tínhamos tido álbuns de sucesso por cerca de quatro ou cinco anos. Então fomos trabalhar com Arif, e ele disse, ‘Eu vou viajar por uma semana, e eu quero que vocês escrevam enquanto eu estiver fora’. Durante a semana que ele esteve fora, nós escrevemos “Jive Talkin´”, “Nights On Broadway”, “Edge Of The Universe”. Todas aquelas músicas nós escrevemos em uma semana, simplesmente porque queríamos aquilo. Se este álbum não acontecesse seria realmente o fim da nossa carreira”. Para outro grupo qualquer, escrever aquelas músicas de qualidade em tão curto espaço de tempo, poderia ser uma questão quase impossível, mas os Bee Gees são compositores muito rápidos e prolíficos. Ainda assim, aconteceu um acidente estrutural para apontar o grupo na direção certa.

“Nós costumávamos passar por esta ponte toda noite no caminho do estúdio”, Linda relembra. “Eu costumava escutar este ‘chunka-chunka-chunka’ como se estívessemos passando sobre trilhos de trem. Então eu disse a Barry, “Você já escutou aquele ritmo quando passamos na ponte, à noite?”. Ele só olhou para mim. Aquela noite, nós estávamos passando sobre a ponte, e eu disse, ‘Escute’. E ele disse, ‘oh, sim’. Era o ‘chunka-chunka’. Barry começou a cantar alguma coisa e os irmãos se juntaram”. Naquele exato momento estava nascendo “Jive Talkin´”, a música que fez os Bee Gees iniciarem uma das voltas mais incríveis na história do show-business.

“Até o álbum Main Course”, Barry explica, “nós ainda não estávamos criando do modo que deveríamos estar. Quando chegamos ao Main Course, nós finalmente conseguimos um modo de pensar que satisfazia nós três, o que queríamos fazer, e o que iríamos fazer de qualquer jeito. Estávamos sempre discordando, desde a separação. Nunca pudemos decidir realmente qual caminho seguir. Essa foi a razão das músicas erradas aparecerem, todas as decisões erradas foram tomadas. Tudo era deixado sempre para alguém dizer ‘Ótimo!’. Os Bee Gees nunca disseram se estavam gostando do que estavam fazendo. Era sempre alguém dizendo ‘Uau!’. E eles sempre estavam dizendo ‘Uau’ sem razão. As músicas não eram bem sucedidas, e chegamos ao ponto de pensar que nós tínhamos que fazer discos com que nós estivéssemos satisfeitos, e que as outras pessoas pudessem escutá-los. É o que tem sido feito desde Main Course”.

Para “acordar” os Bee Gees, Arif Mardin fez importantes contribuições musicais. Maurice nota que “Arif me ensinou áreas do baixo que eu nunca pensei que pudesse tocar. Ele me dava ideias e eu dizia ‘é muito engraçado, nunca toquei assim antes’. De repente descobri que podia tocar”. Para os irmãos, Arif era como um tio na sala de controle, os ajudando a produzir novos sons que fizessem o público perceber novamente a existência dos Bee Gees. Mas esta não era uma questão fácil.

Quando os Bee Gees terminaram Main Course, o grupo se viu cara-a-cara com o problema de como conseguir com que as pessoas escutassem a nova música dos Bee Gees. A gerência do grupo recorreu a um truque de oito anos de idade. “Jive Talkin´”, assim como “New York Mining Disaster 1941”, foi enviada às estações de rádio em discos com selos brancos que não identificavam os artistas. As estações de rádio e seus ouvintes não sabiam quem eram os cantores, mas eles certamente adoravam o som. Removendo o que tinha se tornado o estigma do nome Bee Gees, o grupo estava apto a despontar com seu maior sucesso desde “How Can You Mend A Broken Heart”.

Para os Bee Gees no entanto, o sucesso não foi esmagador ou imediato. Dick Ashby relembra a tour do grupo nos EUA em 1975, como o ponto baixo absoluto na história das excursões do grupo pelos EUA. Existiram mais lugares vazios naquelas apresentações do que em qualquer outra anterior. O fato não foi tão doloroso quanto poderia ter sido, porque o grupo sabia que as coisas iriam melhorar logo. “Jive Talkin´” estava subindo nas tabelas em seu caminho para o 1º lugar.

“Quando ela se tornou um sucesso”, Barry relembra, “as pessoas começaram a dizer que nós tínhamos decaído para um grupo discotheque, o que era um tipo de falta de consideração para a música ‘disco’ também. Nós não achamos que a música ‘disco’ seja ruim. Achamos que é alegre e agrada a todos. É para as pessoas dançarem. E isso é tudo o que ela é”. De acordo com Barry, os fãs estavam desapontados “porque era uma despedida do estilo de baladas a que estávamos mais associados. Nós recebemos cartas de fãs de todo o mundo, dizendo ‘nós odiamos o novo som’. Logo no início, os fãs não queriam saber de nós. Eles condenaram os falsetes. Você se vê constantemente acalmando as pessoas que estavam apoiando você, e de um modo certo, mas algo tem que acontecer para você mostrá-los algo mais que você está fazendo. Os fãs acham que se eles gostam de ‘Massachusetts’, eles irão gostar de outro ‘Massachusetts’. Mas eles não vão aceitar isso. Então, eles dirão, ‘oh, vocês estão fazendo a mesma coisa de novo’. Você tem que dar a seu público cerca de setenta por cento do que eles querem e cerca de trinta por cento se torna forma de arte. Tem que ser deste modo. Você tem que trabalhar para um público em geral. O que se procura ter é a aceitação deles. Mas aonde você traça uma linha entre a arte e o que eles querem? Quando eles querem, eles querem tudo junto. E é aí que a coisa funciona”. Embora para os críticos, os Bee Gees só estivessem seguindo a moda da ‘disco music’, Robin nota que “quando ‘Jive Talkin´’ aconteceu, a música discotheque não era muito difundida, então como nós poderíamos ter pensado em capitalizar com ela? Quando muito, nós contribuímos para a popularidade da discotheque, fazendo ‘Jive Talkin´’ “.

Os Bee Gees rapidamente provaram que “Jive Talkin´” não foi um golpe de sorte. O Compacto seguinte, “Nights On Broadway”, foi 10º lugar nos EUA. É também uma música que inclui o primeiro trabalho sério do grupo com o falsete. Barry credita a Arif Mardin. “Arif nos ajudou a descobrir nossas vozes em falsete e o ritmo funky. São variações do que vínhamos fazendo antes. Foi também, em parte, uma mudança natural. Era o que estava acontecendo, aí chegou Arif”. De acordo com Robin, “Nights On Broadway” foi a primeira música a conseguir uma reação dos chamados “poderosos” de Nova York. Eles estavam sentados atrás da mesa, como sempre fazem, e Arif costumava voltar para ver sua família todo final de semana. Ele deixava algumas fitas para pessoas que estivessem interessadas em ouvir. “Nights On Broadway” produziu o primeiro entusiasmo; as primeiras adrenalinas fluíram. Robert Stigwood nos telefonou e disse, ‘esta é grande, escrevam alguma coisa no meio, uma parte lenta’. Ele disse que seria só um retoque. Então nos sentamos e escrevemos um trecho separado e o colocamos no meio”.

Ao olhar para trás na mudança do seu estilo musical, Maurice relembra que ” ‘Jive Talkin´’ me dava medo. Mas não tínhamos nenhum falsete nela. Eram todas vozes normais. Quando ela fez sucesso, todos diziam, ‘quem é? Não é os Bee Gees. Você está brincando!’. Mas aquela música começou uma nova carreira para nós novamente. Então, em ‘Nights On Broadway’, Barry estava treinando os ‘Blamin´ it alls’. E ele começou a gritar neles, e Arif disse ‘continue assim, é fabuloso’. E nós continuamos. Uma vez que tínhamos aprendido aquilo, de repente, estávamos fazendo coisas em falsete. Barry, até então, nem sabia que ele podia cantar daquele jeito; nem Robin. Nós só pensamos, ‘nossa! não é só gritar, está no tom’. A primeira vez que eu tinha ouvido alguém gritar no tom foi Mc Cartney em ‘I´m down’. Barry fez a mesma coisa, e nós todos fomos à sala de controle e dissemos, ‘Isto parece incrível’. Então nós o usamos e funcionou. A mesma coisa em ‘Fanny’, músicas como aquelas. Foram tantas delas que nós até abusamos dos falsetes”.

O álbum “Main Course” produziu um terceiro compacto de sucesso, “Fanny”, chegando a 12º nas paradas. Foi certamente uma volta inacreditável para o grupo, com o estilo R&B, mas não se deve esquecer a diversidade do álbum. Existe uma parte de R&B, certamente, mas também existem boas músicas dos ‘antigos’ Bee Gees. Músicas como “Come On Over” e “Edge Of The Universe” são tão bonitas quanto qualquer balada que o grupo havia feito antes. A mistura ajudou a fazer do álbum dos Bee Gees, o primeiro disco de platina deles. É difícil de perceber, especialmente agora que “Saturday Night Fever” já passou das mais de vinte milhões de cópias vendidas, mas “Main Course” foi o primeiro álbum dos Bee Gees, exceto álbuns de coletâneas de maiores sucessos, a vender mais de meio milhão de cópias nos EUA. Obviamente, a volta dos Bee Gees foi sólida.

Logo que 1976 começou, os Bee Gees se dirigiram de volta ao estúdio para gravar o sucessor de “Main Course”, e foi quando o desastre aconteceu. Em 1973, Robert Stigwood havia estabelecido a RSO Records e feito a distribuição da RSO através da Atlantic Records. Ao final de 1975, ele decidiu deixar a Atlantic e fazer a venda pela Polydor. Arif Mardin era um produtor “da casa” na Atlantic, e, por causa disso, a Atlantic disse a ele que ele não poderia ser mais o produtor dos Bee Gees. Foi uma bomba devastadora, Barry lembra, mas “nós tínhamos que ir com Robert porque nossa lealdade exigia isto. Nós tínhamos que perder Arif, e nós não queríamos aquilo. Nós só teríamos que deixar isso acontecer e não falar nada. Eventualmente nós falávamos com Arif pelo telefone. Ele disse que estava com o coração partido por não ser possível trabalhar conosco, e que nós trabalharíamos novamente no futuro, se pudéssemos. ‘Mas’, eu disse, ‘e o próximo álbum, Arif? Quem você acha que pode continuar quando você sair?’. Ele disse, ‘Ouçam. Eu tenho trabalhado com vocês, rapazes. Vocês podem fazê-lo. Vocês não precisam de ninguém mais. Vão em frente e façam, do mesmo modo que fizeram em ‘Main Course”. Eu realmente não acreditava naquilo. Nós estávamos desapontados, e não gostamos daquilo porque nós só tínhamos um álbum bem sucedido depois de anos, e não queríamos ter que começar a procurar por outra pessoa que fosse compatível conosco”.

Então, foi com muita apreensão que os Bee Gees foram para o estúdio com um novo produtor, Richard Perry, um dos mais bem sucedidos gravadores de discos dos anos 70. Aquela experiência foi um desastre artístico para o grupo, e o pequeno trabalho que eles fizeram com Perry foi descartado. Barry relembra que o grupo chamou Mardin e disse, “Arif, nós já vimos Richard Perry, e não serve. Nós realmente não queremos trabalhar daquela forma’. Arif disse, ‘Vocês têm que fazer sozinhos. Vocês sabem o que querem’. Então foi o que fizemos. Foi muito difícil. Nós sabíamos o que queríamos, mas não sabíamos como consegui-lo tecnicamente”. Como Maurice reconta, “Todos na Atlantic estavam falando para Arif, ‘eles não vão fazer nada sem você’. E Arif dizia, ‘não se preocupem, aqueles rapazes vão conseguir'”.

Para tornar o mais fácil possível, os Bee Gees se cercaram de lugares e rostos familiares. Querendo captar a magia de “Main Course”, os Bee Gees retornaram ao Criteria Studios para começar a trabalhar no seu novo álbum, o primeiro que eles iriam produzir totalmente sozinhos, com uma pequena ajuda de um amigo. Karl Richardson tinha sido o engenheiro de “Main Course”, e para o novo álbum, ele assumiu o papel duplo de engenheiro e co-produtor. Não demorou muito para que uma outra pessoa fosse acrescentada ao time. Karl: “Fizemos duas faixas básicas antes de Albhy começar. Eu estava tendo muitos problemas em manter minhas mãos nos botões e conseguir os sons que eles queriam, e eles estavam tendo tempos difíceis em comunicar aos músicos o que eles queriam realmente. Então vi a necessidade de ter alguém mais na sala de controle. Albhy era meu melhor amigo há muitos anos. Ele foi para a Escola de Música de Berkeley. Ele é um músico formado, e conhece as notas”. Com a adição de Albhy Galuten, os Bee Gees tinham agora o time de produção que iria se tornar um dos mais bem-sucedidos na história da música. O trabalho de Albhy era agir como um intérprete musical, e era justamente o que os Gibb, que nunca haviam estudado música, precisavam. Barry: “Albhy é um músico. Nós vínhamos com a música e ouvíamos o disco terminado nas nossas mentes antes de ser feito. Nós transmitíamos aquilo para Albhy, que transmitia em termos musicais para a banda. O próximo passo seria, Albhy se viraria para Karl e diria, ‘me consiga este som’. Karl é um brilhante homem técnico, quase ao ponto de ser um físico nuclear. E existe uma ciência para o que fazemos no estúdio. Karl pode conseguir para Albhy qualquer som que nós quisermos”.

Karl, Albhy e os Bee Gees se acertaram quase imediatamente, Karl relembra. “Quando Albhy entrou, todos estavam contentes em vê-lo, porque eles o tinham conhecido antes, em ‘Main Course’. Assim que ele começou, algumas das ideias de Albhy eram realmente boas para algumas das músicas em que estávamos trabalhando. Então o relacionamento começou. Eles reconheceram a necessidade de alguém mais na sala de controle, alguém que pudesse interpretar musicalmente o que eles estavam tentando dizer. Dá certo como um time, porque quando eles criam alguma coisa, Albhy pode dizer aos músicos, ‘vamos tentar desta forma’. Os músicos prestam muita atenção ao seu instrumento, o que ele está tentando tocar, ele não está pensando na música, nem em dizer algo, de fato, os irmãos é que estão pensando na música. Eles não estão tocando os instrumentos, então eles não têm a técnica de tentar conseguir um determinado som daquele instrumento. Eu estou encarregado de tentar gravar o som, na fita. Então, Albhy é realmente a mão extra, porque ele pode interpretar o que está acontecendo”.

Maurice explica que Karl e Albhy conseguiram melhorar ainda mais o que os Bee Gees começaram a desenvolver com Arif. “Nós estávamos com um pouco de medo, porque estávamos acostumados a trabalhar com Arif. Agora eu tenho um grande respeito por Karl e Albhy também. As coisas que Arif conseguiu de nós, eles têm aperfeiçoado e melhorado ainda mais. Nunca tínhamos feito experiências antes. Agora nós podemos fazer as harmonias em vozes normais, dublá-las em falsete, todo tipo de coisas para obter um tom diferente. Nós somos perfeccionistas ao extremo e Albhy e Karl são dois perfeccionistas também. Eu não acho que exista alguém que possa vencê-los hoje”.

O resultado do trabalho em conjunto, o álbum “Children Of The World” foi o segundo disco de platina seguido do grupo, e produziu mais três sucessos, incluindo o hino da discotheque, “You Should Be Dancing”. Aquela foi a segunda música a ficar em primeiro lugar nos EUA, depois de vários anos; junto com “Jive Talkin´”, foi o segundo disco Top 5 do grupo depois do seu retorno internacional. Aqueles eram os primeiros sucessos britânicos dos Bee Gees desde 1972, com “Run To Me”. De fato, eles foram os dois primeiros compactos dos Bee Gees nas paradas da Inglaterra, desde “Run To Me”. O novo sucesso dos Bee Gees, primeiro um fenômeno nos Estados Unidos, estava agora começando a explodir no mundo todo. Desta vez, eles estavam cruzando o Atlântico em uma direção diferente.

Então, quando os irmãos Gibb embarcaram em sua excursão americana no outono de 1976, foi uma experiência totalmente nova e excitante. Os fãs dos Bee Gees agora enchiam todos os maiores ‘halls’, e em lugares como o Inglewood Forum, de Los Angeles, os Bee Gees estavam aptos a pendurar a placa de “Esgotado”. Mais importante do que os lugares lotados, era o fato que seus fãs não estavam somente aplaudindo os antigos sucessos. Havia agora uma meia-dúzia de novos sucessos para cantar, e eles eram agradecidos com histeria. Mesmo músicas que não estavam nos compactos de “Main Course” e “Children Of The World” tiveram aplausos entusiasmados. Os antigos seguidores dos Bee Gees estavam lá também. A música deles tinha atingido, com sucesso, várias gerações, e eles eram também populares com o público de brancos e de negros, um feito raro na história do rock. Nenhum grupo tem experimentado tanta popularidade de massa assim, com um público tão diverso.

Os Bee Gees estavam gostando de tudo isso. Dick Ashby relembra como o grupo estava emocionado de deixar de “tocar em casas pela metade, 5 mil pessoas ou até menos que aquilo, para tocar no Madison Square Garden pela primeira vez em suas vidas. Ou no Los Angeles Forum. Era como um sonho tornado realidade”. Tom Kennedy diz que o show do Forum é “o meu favorito porque foi o melhor show que nós já fizemos. Estávamos todos ligados, ‘vai ser bom hoje à noite’. Os shows do Forum e do Garden foram um grande ‘estouro’. O fato de preenchermos aqueles lugares sem problema algum foi um grande impulso”. Uma medida de sua humildade foi o fato de que, até aquela excursão, os Bee Gees ainda não se consideravam um sólido sucesso na América. Robin nota que “eu nunca realmente pude dizer que nós fizemos sucesso nos EUA até possivelmente 1976, quando fizemos o Madison Square Garden”. Maurice: “Nós todos prometemos um ao outro que nunca trabalharíamos no Madison Square Garden a não ser que o lotássemos. Mas eu nunca pensei ‘Agora finalmente conseguimos nos EUA’. Porque foi os EUA que nos fizeram, o público americano nos tem em alta consideração. Nós estamos contentes que temos sido uma parte de suas vidas”.

A melhor parte de seu novo sucesso foi que ele não trouxe novos choques de ego ou gastos excessivos. Como adultos, os irmãos estavam verdadeiramente aptos para saborear o seu retorno ao estrelato. E tendo tido uma vez e perdido a magia, os Bee Gees estavam determinados que aquilo não aconteceria de novo. Desta vez eles não iriam só tomar do público, eles iriam dar realmente alguma coisa de volta. Sempre preocupados com os problemas das crianças, os Bee Gees têm contribuído consistentemente durante os anos para a caridade infantil. A cidade de Nova York, que tinha trazido inspiração para muitas músicas como “Nights On Broadway” e “Stayin´ Alive”, recebeu a primeira grande doação. Em 2 de dezembro de 1976, o concerto dos Bee Gees no Madison Square Garden foi em benefício de uma associação que vinha tendo problemas financeiros, a Liga Atlética da Polícia de Nova York. Os irmãos sentiram que Nova York tinha dado a eles tanto, que este foi um pequeno pagamento em retorno. Aquele benefício da P.A.L. foi somente o primeiro passo, mas antes dos Bee Gees descortinarem seu plano principal, eles tinham um pouco mais de gravações a fazer.

As vendas de discos têm feito dos Bee Gees um dos mais populares grupos do mundo, mas esse não era o caso quando 1977 começou. Os Bee Gees já eram grandes, mas o impacto dos dois álbuns anteriores era somente um prelúdio para o evento principal. Tanto “Main Course” quanto “Children Of The World” foram gravados em Miami, no Criteria. Após o lançamento daqueles álbuns, eles fizeram a mais bem sucedida tour de suas carreiras. Querendo manter o padrão de excelência daqueles dois discos, os Bee Gees nem pensavam em tirar férias. Eles tinham esperado muito para ter sucesso novamente, para somente se sentarem e relaxarem. Tendo por duas vezes conseguido e perdido a simpatia da massa, o grupo não queria deixar a oportunidade escapar uma terceira vez. Para enviar o golpe de nocaute, os Bee Gees se dirigiram à França.

Em 1972, o álbum “Honky Chateau”, de Elton John, tinha feito famoso um novo estúdio fora de Paris. Quando os Bee Gees estavam prontos para gravar seu próximo álbum, Maurice relembra, eles foram para a França “para tentar o estúdio Chateau, que tínhamos ouvido falar muito. Quando Elton fez seu álbum, o estúdio tinha acabado de ser construído, e era fabuloso. Na época que fomos lá, nos sentimos como se esperássemos os americanos virem para nos libertar. O lugar tinha ficado decadente e o estúdio em si não tinha atmosfera. Nós começamos a gravar nosso álbum com uma faixa chamada “If I Can´t Have You”. Cerca de uma semana depois de chegarmos lá e começarmos a nos esquentar e ficar acostumado com o estúdio, Robert nos telefonou”. Aquela ligação iria mudar a vida de todos.

Em junho de 1976, a capa de uma revista de Nova York mostrava uma cena do mundo da discotheque. Sob o logotipo da revista estava o título, “Ritos Tribais das Novas Noites de Sábado” por Nik Cohn. Robert Stigwood se lembra que “cerca de seis meses antes da história ser publicada, Nik veio até mim. Eu o tinha conhecido na época da Inglaterra. Ele me disse que queria escrever um filme, ou escrever uma estória para um filme, então eu disse ‘ok, se você tiver uma ideia, venha e me encontre novamente e nós falaremos sobre isso’. Seis meses mais tarde, eu peguei uma revista de Nova York e vi esta história da capa e o nome de Nik. Então a li imediatamente e pensei, ‘é um tema maravilhoso para um filme’. Então telefonei para Nik e disse, ‘você é doido. Você me falou sobre escrever uma estória para um filme. Aqui está ela’. E eu fiz um contato com seu agente em 24 horas para adquirir os direitos”. Robert Stigwood é um dos poucos executivos no “show business” que trabalha com instinto e sentimento interior, e sua sensação sobre a estória de Nik Cohn estava certa. “Quando a li, pensei que seria um filme perfeito, particularmente com a loucura da discoteca começando a varrer o país. Eu estava certo que iria pegar”. O próximo passo foi um “script”, e Nik fez “o primeiro esboço, e então Norman Wexler entrou e escreveu o script final”.

A escalação de John Travolta e o uso da música dos Bee Gees foram os elementos inspirados que fizeram este filme ‘disco’ funcionar. Robert Stigwood relembra como aquilo aconteceu: “eu tinha visto John Travolta quatro ou cinco anos antes. Ele fez testes para “Jesus Cristo Superstar” (a primeira grande produção de Stigwood) na Broadway. Nós não o aproveitamos porque achamos que ele era muito jovem para combinar com o resto do elenco. Mas eu me lembrei do seu nome, e fiquei intrigado poucos anos mais tarde, ao vê-lo estourar em “Welcome Back Kotter”, como Vinnie Barbarino. Eu podia ver o crescente potencial dele, então ofereci um contrato de três filmes, com garantia de um milhão de dólares. Não se fazia aquilo. Ele fez uma grande declaração para a imprensa quando seu contrato foi anunciado, ele disse, ‘eu me apresentei para ele cinco anos atrás, e agora tive retorno'”.

De volta aos estúdios Chateau D´Herouville, os Bee Gees estavam trabalhando no seu novo álbum. Barry: “Robert telefonou e disse, ‘esqueçam o novo álbum, o álbum ao vivo está quase saindo'”. Poucos dias mais tarde, o telefone tocou de novo, e era Robert Stigwood com um novo pedido. “Robert disse, ‘queremos quatro músicas para este filme’. Nós nunca vimos o script. Ele disse, ‘é sobre uma turma de amigos que vivem em Nova York’. E ‘Night Fever’ foi uma das nossas sugestões para o nome do filme, mas Robert não gostou, dizendo que era muito pornográfico”. Robert fez um pedido específico, como Maurice relembra: “Ele tinha escutado uma música que cantamos nas Bermudas uns anos antes. Nós a chamamos ‘Saturday Night, Saturday Night’, que era a original ‘Stayin´ Alive'”. Barry explica que Robert queria que os Bee Gees gravassem uma versão daquela música “que tivesse oito minutos, e ele queria que nós escrevêssemos uma balada no meio, saindo e chegando a um frenesi no final. Originalmente, seria para a cena da dança”. Robert prometeu que viria ao Chateau em poucas semanas com um ‘script’ e mais detalhes da estória.

De acordo com Maurice, os Bee Gees nunca viram o script. “Robert tem essa maneira engraçada de nos dar um desafio. Usando suas informações, escrevemos todas as músicas em um tempo muito curto. Não era diferente de gravar um álbum, mesmo que, ao mesmo tempo, tivéssemos que manter na mente os personagens e o enredo básico que nos tinha sido dado. Estou um pouco orgulhoso de ‘Stayin´ Alive’. Eu acho que ela realmente captura um sentimento neste país”.

A primeira música que os Bee Gees escreveram depois do telefonema de Robert foi “How Deep Is Your Love”. Inicialmente, a música havia sido escrita para Yvonne Elliman, mas Robert insistiu que os Bee Gees a gravassem eles mesmos. Um aspecto interessante da gravação da música é que, de acordo com Albhy Galuten, os Bee Gees nunca recapturaram o som e o sentimento emocional da primeira ‘demo’ que eles gravaram no Chateau. Eles chegaram perto, embora ela seja uma das mais bonitas músicas pop já gravadas. É também válido notar que os Bee Gees não escreveram a música para “Saturday Night Fever”, eles nem sequer sabiam que havia uma cena de amor no filme.

Quando Robert Stigwood chegou no Chateau, Maurice relembra, “Robert nos esclareceu sobre este jovem rapaz, que todo final de semana gasta seu salário em uma discoteca no Brooklin. Ele tem uma verdadeira família católica, e tem um bom trabalho, mas ele gasta seu salário toda noite de sábado. Ele tem suas amigas com ele. Então ele volta e começa a semana de novo, e isto acontece todo sábado à noite. Mas é justamente esta noite de sábado que é filmada. Então, era tudo o que sabíamos, menos que seria John Travolta que iria fazer o personagem. Tínhamos feito ‘If I Can´t Have You’ e ‘How Deep Is Your Love’, e estávamos pensando, ‘uau, é um filme de discoteca. Vamos fazer algumas músicas boas de discoteca’. Levou cerca de duas semanas e meia para escrevê-las e aprontá-las como demos. Quando Robert as ouviu, ele disse ‘vocês acertaram direto na mosca. Está perfeito. Mas porque vocês estão cantando “Stayin´ Alive, Stayin´Alive” quando deveria ser “Saturday Night, Saturday Night”?’. Nós explicamos que era porque existiam várias músicas chamadas ‘Saturday Night’. É ultrapassado, é um título terrível”. Como Barry lembra, “nós dissemos, ‘ou é Stayin´Alive ou nós guardaremos a música'”.

Albhy Galuten estava no Chateau para a composição e gravação das demos de “Fever”. “Eles gastaram muito tempo pensando nos nomes, que seriam evocativos e representassem a cena de rua de Nova York. Foi de onde ‘Stayin´ Alive’ e ‘Night Fever’ vieram. Esses eram dois títulos potenciais para o filme, que representavam bem o sentido do filme. Tinham esse objetivo”. Quando Stigwood ouviu “Night Fever”, sua reação foi de mudar o nome do filme. Maurice: “Quando escrevemos ‘Night Fever’, ele disse, ‘nós o chamaremos de Saturday Night Fever’. Então dissemos, ‘bom para você, Rob, mas nós ainda não vimos um script. Fizemos as cinco músicas, todas como demos, as gravamos todas lá, mas nunca vimos um script'”. Aquelas demos foram usadas para a filmagem real.

Enquanto o filme “Saturday Night Fever” estava sendo filmado em um continente longe, os Bee Gees estavam ocupados gravando suas músicas. Olhando o filme como um todo, o aspecto principal é o perfeito entrosamento entre a música e a ação no filme. “Mesmo para nós”, Maurice admite, ‘era agradável ver como as letras todas se ajustaram. Quando vimos o filme, dissemos, “Meu Deus!”. Nós não sabíamos. Era somente uma daquelas coisas afortunadas que atravessam nosso caminho”. Sorte e muito trabalho difícil.

Por exemplo, Travolta passou cinco meses treinando e praticando sua dança para o filme. Ele ensaiou com “You Should Be Dancing” dos Bee Gees. Quando a filmagem começou, ele pediu que a música da cena de dança fosse “You Should Be Dancing”. De acordo com Maurice, “ele não queria ensaiar outro número, não queria começar a fazer a mesma rotina de dança para uma música diferente. O planejado era ser ‘Night Fever’ naquela cena, mas não nos importamos, e Robert também não. Era um velho sucesso nosso, mas ele fez a música reviver novamente para nós, com aquela rotina de dança”.

A primeira vez que um dos Bee Gees viu a música e o filme juntos, foi na festa de “Grease”, outra produção de Robert Stigwood (para a qual Barry escreveu a música título, que se tornou primeiro lugar em 1978 com Frankie Valli). Pelo fato de que a música usada era uma faixa mal feita de demonstração que os Bee Gees haviam cortado, eles estavam um pouco temerosos com determinadas notas. Maurice relembra que “estávamos sentados com John Travolta e Olivia Newton-John e John Badham (o diretor de “Saturday Night Fever”) assistindo esta primeira edição crua. Logo de cara toca “Stayin´ Alive” e John está andando no ritmo dela, e o diretor está descrevendo pequenas coisas aqui e lá. Robert também sentou-se lá, descrevendo coisas. Eu pensei, ‘não é a maior estória do mundo, mas é um filme excitante’. A linguagem estava um pouco boa. Existem algumas palavras fortes nele, mas muitas foram cortadas eventualmente. Ele parecia um filme classificado como X, e eles queriam um PG, mas conseguiram uma classificação R por causa dos palavrões”.

Na época, ninguém envolvido com o filme tinha alguma ideia de que ele seria um marco. Agora que o sucesso de “Fever” aconteceu e tem sido largamente imitado, parece óbvio. Em meados de 1977, no entanto, não havia indicação de que ele seria um arrasa-quarteirão. O fundamental no sucesso do filme, Maurice acha, “foi a combinação de John Travolta com a música. Aquilo fez o filme. Todos estavam querendo ver o primeiro filme longa-metragem de John Travolta, mesmo embora ele já tivesse feito “O rapaz na bolha de plástico” para a TV. Na parte que ele fez, ele estava perfeito. A música fez o filme, e ele fez o filme. O público ia ver este rapaz, John Travolta, e a música com que ele dançava era boa. Eles adoraram a música, então iam e compravam o álbum. Era um triângulo, com Robert Stigwood bancando o filme, tendo John como o ator principal, que era uma ótima escolha, e nós escrevendo a música”. De Miami, eles foram para Los Angeles para começar a trabalhar em um filme que foi anunciado como “a última fantasia”: “Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band”.

A ideia de trazer o álbum clássico de 1967 dos Beatles para o cinema, tinha sido um projeto de estimação de Robert Stigwood por muitos anos. Trazendo o antigo crítico de rock Henry Edwards como escritor do filme, Stigwood reuniu um time inteiro de virtuais recém-chegados à indústria dos filmes. Edwards nunca havia escrito um roteiro de cinema, o diretor Michael Schultz nunca tinha dirigido um musical e os Bee Gees e Peter Frampton nunca tinham atuado no cinema antes. Para todos os envolvidos era uma oportunidade excitante. Era também uma chance de criar um filme de fantasia sobre um dos melhores álbuns de rock já lançados, “Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band”.

A estória do filme se centraliza na força mágica da música, e embora não aparente ser sobre alguém ou algo em particular, é sobre todos e tudo no mundo da música.

It was twenty years ago today (Foi há vinte anos atrás)
Sgt. Pepper´s taught the band to play (Sargento Pepper ensinou a banda a tocar)
They´ve been going in and out of style (Eles tinham estado dentro e fora da moda)
But they´re guaranteed to raise a smile (Mas eles garantem conseguir um sorriso).

Como Barry admite, “nós estávamos quase escutando nossa própria história. Não é bem a mesma, não tão gloriosa. Mas é a estória de um grupo que chega ao topo. Nós éramos capazes de reconhecer alguns pequenos fatos na estória”. Maurice explica que Robert “sempre nos viu como sendo a banda. Na época que estávamos no elenco do filme, Peter Frampton era a ‘propriedade mais quente’ (baseado no sucesso fenomenal de seu “Frampton Comes Alive”, o mais popular álbum ao vivo já lançado). Ele se tornou o neto do Sgt. Pepper. Eram os Bee Gees e Peter; nós iríamos nos tornar a Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band. Na época que terminamos o filme, nós tínhamos nos tornado a banda”.

Os Bee Gees certamente já eram uma banda. A questão em suas mentes era como eles fariam com Peter. Aquela resposta veio rapidamente. Para Maurice, “Peter estava perfeito no papel de Billy Shears e além disso, nós sempre tivemos um grande respeito mútuo, porque conhecíamos Peter há anos. Foi ótimo fazer o filme com ele. Quando o elenco foi formado, nós só esperávamos isso, e ele mesmo nos disse isso, que nenhum de nós havia mudado após todo o sucesso. Eu pensei, ‘eu só espero que ele seja o mesmo amigo que eu conheci na Inglaterra em 1972’. E quando nós chegamos às filmagens, ele era o mesmo cara. Ele tinha tido seus altos e baixos; nós tínhamos tido nossos altos e baixos. Era ótimo porque nós quatro seguimos como se estivéssemos dentro de uma casa em fogo. Nós tivemos maus momentos durante o filme, mas não entre nós quatro”.

O processo inteiro de filmagem era estranho ao que os Bee Gees estavam acostumados. Quando os Bee Gees faziam um álbum, eles costumavam ficar acordados durante toda a noite no estúdio de gravação. Quando eles chegaram a Los Angeles para quatro meses de trabalho em “Sgt. Pepper”, eles descobriram seu mundo virar de cabeça para baixo. Em vez de irem dormir às 4 da manhã, eles quase sempre eram chamados para trabalhar nesse mesmo horário. Felizmente, Maurice relembra, seus papéis não estavam exigindo muito. “Nós desenvolvemos todos os personagens e tudo mais. Owen Roizman, que era o diretor de fotografia, era quem me deixava à vontade. Toda vez que ele vinha daquela correria diária, ele estava rindo de alguma coisa. Ele dizia, ‘Aquela foi uma parte ótima que você fez. Vai ficar magnífico’. Orin e Michael Schultz sempre nos deixavam bem à vontade, então nunca sentimos alguma tensão estando em frente à câmera. Se fosse algum tipo de drama ou uma comédia que precisasse de ‘timing’, aí era outra história”.

A gravação da música para o filme foi também significante para os Bee Gees. Com exceção do início da carreira na Austrália, eles não haviam mais gravado músicas que não haviam escrito. Certamente, se eles fossem gravar músicas de alguém mais, não havia grupo mais apropriado do que os Beatles. Tanto os Bee Gees quanto Frampton são grandes fãs dos Beatles, então seu trabalho foi muito mais do que um trabalho; era mais um trabalho com amor. Nos primeiros dias de trabalho com Peter, Barry relembra que “nós estávamos precavidos um com o outro. Ele estava preocupado em cantar conosco, porque nós tínhamos cantado juntos toda nossa vida. E ele não sabia se combinava. Então, muitas de nossas sessões foram feitas separadamente”. Na época que a filmagem começou, o nervoso havia sumido e os Bee Gees e Peter se acostumaram juntos e se tornaram uma banda. Maurice: “De fato, na época que terminamos o filme, nós estávamos nos chamando pelos nossos nomes no filme. Como, ‘ei, Bob, o que você está fazendo?’. Nós éramos a banda do Sgt. Pepper”.

No filme, as posições dos três Bee Gees, do ponto de vista instrumental, é que foram um pouco incomuns. Peter, certamente, toca a guitarra principal, mas Barry se viu com um baixo pendurado em volta do pescoço, o instrumento de Maurice. Robin tinha uma guitarra e estava tocando o ritmo, o que normalmente é Barry que faz. E Maurice estava na bateria. “Barry me nomeou como o baterista. Ele disse que eu faria bem feito. Robin sabia que ele mesmo não seria um bom baterista porque ele é muito duro, enquanto eu sou bem solto. E eu poderia seguir a batida, porque sendo um baixista, você sempre segue muito a bateria. Eu pratiquei cerca de uns dois meses com um kit de prática, com Bernie Purdy que toca a bateria na trilha sonora. Ele tem no sangue, ser um bom baterista, e foi muito difícil. Quando eu me encontrei a primeira vez com ele, eu disse ‘você é o cara mais difícil de imitar que eu já cruzei’. E ele disse, ‘eu estou contente que eles mantiveram você, porque na última filmagem você não perdeu uma batida, e você bateu toda batida minha quando eu gravei’. Eu estava muito impressionado com seus elogios. Ele é um dos melhores”.

Com a incumbência de gravar toda a música para o filme estava George Martin, o homem que havia produzido todos os álbuns dos Beatles. Ele se viu na difícil posição de regravar sua própria obra-prima. “Quando chegou na hora do trabalho real e difícil de montar as faixas musicais”, Martin explica, “os Bee Gees sempre estavam à mão para ajudar. Como super-astros que são, eles poderiam simplesmente fazerem seus solos e deixarem os outros terminarem, mas não. Eles estavam ansiosos para ajudar de algum modo, cantando as músicas em qualquer parte do filme que eu precisasse. Somando-se ao seu entusiasmo e capacidade para trabalhos difíceis, estava a sensibilidade musical, o que eu tenho raramente encontrado. E seu senso de humor me deu uma sensação fantástica de ‘deja vu’ em mais de uma ocasião. Eles são, simplesmente, super”. Os Bee Gees, que no início tinham conseguido fama internacional como os “novos” Beatles, estavam no mesmo time do produtor dos Beatles para criar um disco do qual todos eles pudessem ficar orgulhosos.

Em novembro de 1977, durante as filmagens de “Sgt. Pepper”, o sucesso fenomenal de “Saturday Night Fever” começou a acontecer nos EUA. “How Deep Is Your Love” foi lançada como compacto poucas semanas antes do filme estrear e começava sua ascensão ao topo das paradas. Escorado naquele sucesso e na popularidade do filme, a trilha sonora de “Saturday Night Fever” estava vendendo bem. Talvez fosse por causa da época do Natal, mas mais do que isso, era a “atração universal. De vez em quando”, Robin nota, “uma música acontece quando tem isso. Pode estar na letra ou na música, mas existe alguma coisa na letra que tem uma atração universal automática, toda vez que alguém a escuta. É uma música que você ouve e nunca se cansa dela. Mesmo embora eu seja co-autor, eu acho que ela é uma dessas músicas que você pode ouvir repetidamente”. Em meados de dezembro, ela chegou a número 1 e ficou por três semanas.

Por volta de fevereiro de 1978, os Estados Unidos tinham a “Fever”. Dick Ashby: “nós não tínhamos nenhuma ideia se ‘Saturday Night Fever’ seria um bom negócio até que as vendas do álbum ultrapassou os dois milhões. Quando vimos o filme pela primeira vez, a reação inicial, principalmente de algumas esposas, era, ‘que linguagem horrível’. Você sabe, palavrões”. A única praga que podia ser ouvida em Hollywood vinha dos executivos que não tinham pensado em fazer um filme e um disco sobre a ‘disco’ primeiro.

Sentindo o impacto que o filme e a trilha sonora estava produzindo, a RSO Records lançou vários compactos, incluindo: “Stayin´ Alive” e “Night Fever” dos Bee Gees, a versão de Yvonne Elliman de “If I Can´t Have You” e a gravação de Tavares da composição dos irmãos Gibb, “More Than A Woman”. Os resultados deixaram todos perplexos. “Stayin´ Alive” foi primeiro lugar o mês inteiro de fevereiro. Quando ele saiu do primeiro posto, foi substituído por “Night Fever”, que ficou em primeiro lugar por oito das doze semanas seguintes. Quando não estava, invariavelmente outra música dos Gibb era número um. “If I Can´t Have You” se tornou o quarto número um do álbum, mais do que qualquer outro álbum tinha conseguido em toda história, com exceção de coletâneas de maiores sucessos, álbuns ao vivo e alguns álbuns que continham músicas que haviam sido sucesso antes em compactos. Enquanto isso, o álbum “Saturday Night Fever” foi número 1 por vinte e quatro semanas consecutivas, o mais longo período que algum álbum duplo tinha ficado na primeira posição.

Os Bee Gees se tornaram os primeiros artistas a ter três compactos número 1 consecutivos em oito anos. Seu domínio nas tabelas só tinha um precedente, a chegada dos Beatles nos Estados Unidos em 1964. Durante fevereiro e março de 1978, os Bee Gees colocaram duas vezes três compactos no Top 10. Por cinco semanas, em março e abril, eles tinham o primeiro e o segundo lugares simultaneamente, com “Stayin´ Alive” e “Night Fever”. “How Deep Is Your Love” esteve no Top 10 por dezessete semanas, de 2 de novembro de 1977 até 4 de março de 1978. Era o primeiro compacto em vinte anos de história da Billboard Hot 100 a aparecer tantas semanas consecutivas no Top 10. “Stayin´ Alive” vendeu mais de três milhões de cópias, sendo um de apenas quatro compactos a conseguir isso nos últimos cinco anos. “Night Fever” vendeu mais de dois milhões. Este disco esteve oito semanas em primeiro lugar e é um dos três discos nos últimos dez anos a liderar as paradas por este período de tempo. De 23 de novembro de 1977 a 6 de maio de 1978, os Bee Gees tiveram no mínimo um compacto no Top 3 da Billboard. Por um período simultâneo, mas longo, de 28 semanas, eles sempre tiveram um disco ou mais no Top 10. “Saturday Night Fever” vendeu mais de dezesseis milhões de discos duplos somente nos EUA e as vendas no mundo todo certamente se aproximarão de 25 milhões por volta de 1979. Isto significa vendas de cerca de um quarto de bilhão de dólares só por este álbum. Nenhum outro álbum vendeu nem mesmo metade das cópias deste, e tem sido previsto que a venda de “Fever” irá eclipsar os totais dos três maiores vendedores anteriores na história, combinados.

Enquanto os Bee Gees estavam quebrando todos os recordes de vendas, o irmão Andy emergia como um astro solo. Usando o time de produtores, o irmão Barry, Karl Richardson e Albhy Galuten, Andy gravou dois álbuns que foram platina, e os três primeiros compactos que ele lançou tinham ido a primeiro lugar, a primeira vez que algum artista conseguiu isto. O primeiro sucesso de Andy, “I Just Want To Be Your Everything” foi escrito por Barry. Seu segundo, “(Love Is) Thicker Than Water” foi co-autorado por Barry e Andy. O terceiro, “Shadow Dancing”, foi escrito por todos os quatro irmãos Gibb. Em um show em Miami, em 1978, os Bee Gees cantaram em background em “Shadow Dancing” com Andy, a primeira vez que os quatro haviam cantado e se apresentado juntos. Foi também a única apresentação ao vivo dos Bee Gees desde a excursão de 1976.

Somando-se a todo o sucesso obtido pela família Gibb, outros artistas têm usado o som dos Bee Gees para chegar ao topo das tabelas. “Emotion”, uma música que Barry e Robin esboçaram em cerca de dez minutos, foi uma música que chegou a número 1 com Samantha Sang, uma cantora que Barry havia produzido em 1969 com um compacto chamado “Love Of A Woman”. “Emotion” foi um pouco mais longe. O disco vendeu mais de dois milhões de cópias, um dos quatro discos que o time Gibb-Galuten-Richardson produziu a alcançar platina dupla durante o primeiro semestre de 1978. Barry, trabalhando sozinho como compositor, escreveu a música título da versão cinematográfica de Robert Stigwood da peça da Broadway “Grease”. Gravado por Frankie Valli e Four Seasons, “Grease” foi um compacto número 1 durante o verão de 1978.

Em um determinado período em 1978, os Irmãos Gibb tinham composições nos quatro primeiros lugares das paradas e em cinco dos dez primeiros. Os dois casos não tinham precedentes. E o sucesso dos Bee Gees não era somente nos EUA. Em praticamente todos os países do mundo onde se vendem discos, “Saturday Night Fever” e os compactos originados dele têm vendido em quantidades recordes. “How Deep Is Your Love” foi lançado antes do filme em todos os países. Foi sucesso em todo lugar e estabeleceu um padrão: compacto de sucesso, lançamento do filme e álbum de trilha sonora chegar à platina. Um dos maiores gratificantes sucessos foi conseguido na Inglaterra. “Night Fever” se tornou o primeiro disco número 1 deles lá em dez anos.

O impacto revolucionário desse álbum na indústria da música tem sido, obviamente, enorme. Além de todas as paradas e recordes de vendas que os Bee Gees demoliram, de maior importância tem sido o crescimento do público ouvinte e comprador de discos. Desde “Saturday Night Fever”, pessoas que nunca compraram discos antes têm se tornado fãs regulares. Um público novo foi conseguido. Foi “Fever” que abriu as portas e mostrou o caminho. Só as estatísticas cruas não explicam o impacto dos Bee Gees. Os irmãos Gibb tinham tido discos de sucesso antes, mas pela primeira vez em suas carreiras eles estavam tendo um efeito cultural no mundo. A ‘disco’ havia se tornado legítima. A música alegre e dançável que os Bee Gees produzem não está limitada à música ‘disco’, mas não existe um som melhor para combinar com o piso dos salões de dança no mundo. Em 1976, os Bee Gees cantaram “You Should Be Dancing”.

Por volta de 1978, todos estavam.

6 – COMPOSITORES SUPERSTARS

Enquanto todo o sucesso de “Saturday Night Fever” estava acontecendo, trabalhar era comum para os irmãos. Depois que eles terminaram as filmagens de “Sgt. Pepper”, o grupo voltou para casa na Flórida para começar a trabalhar no seu próximo álbum, “Spirits Having Flown”.

Foi com uma curiosa mistura de orgulho, medo e intensa expectativa que os irmãos entraram no Criteria Studios. O novo álbum tinha que ser mais do que somente um bom álbum. Ele tinha que ser um digno sucessor do disco de maior venda de todos os tempos. Ninguém esperava que ele fosse duplicar as vendas de “Fever”, mas como os Bee Gees são artistas vaidosos, eles só achariam que tinham sido bem sucedidos se eles criassem um álbum que fosse musicalmente melhor que seu predecessor. “Faltava muito para cumprir o prometido”, Barry admite. “Nós entramos no estúdio com umas poucas ideias. Escrevemos estas músicas e sabíamos como elas deveriam ficar quando estivessem terminadas. Naquela altura, nós não sabíamos ainda o que tínhamos avançado em relação a “Saturday Night Fever”, ou se tínhamos avançado. Depois que chegamos a cerca de dois terços do final do álbum é que percebemos que ele iria ser melhor, mais brilhante e mais interessante”.

Esta não havia sido a primeira vez que os Bee Gees tinham feito um álbum sob pressão. Maurice explica que “quando nós fizemos “Children Of The World”, tínhamos perdido Arif Mardin como nosso produtor. E eu pensei, ‘Meu Deus, nós temos um grande álbum para bater’. Então “Children Of The World” saiu, e então dissemos, ‘nossa, nós temos um grande álbum sucessor aqui’. Depois o álbum ao vivo saiu, e depois dele veio “Saturday Night Fever”. Então nós temos um grande álbum para bater. Mas estávamos fazendo exatamente da mesma forma quando fizemos “Fever”. Estamos sempre pensando assim. Estamos fazendo as músicas melhores, e naturalmente está levando um tempo maior porque queremos agradar o público. Nós queremos escutá-la no rádio sabendo que não existe nada errado naquela faixa. Queremos fazer as músicas muito bem feitas. É por esse motivo que nós levamos muito tempo nelas. Realmente, somos perfeccionistas. Esse é o nosso maior problema”.

“Compor é a chave”, Robin acredita. “É esta habilidade que nos mantém durante os tempos difíceis, e é a habilidade que cria os bons momentos”. O trabalho dos irmãos como compositores tem sempre sido a base da carreira dos Bee Gees. Para Robin, os Gibb são “primeiramente compositores e gravadores da nossa música. Se apresentar é a última coisa… nós não queremos ter a maior apresentação do mundo no palco. Não dependemos de grandes equipamentos no palco. Nós simplesmente vamos ao palco e fazemos o melhor de nossa habilidade, cantamos a música que escrevemos e temos sucesso com ela”. Este sucesso, Barry acha, é devido ao pensamento positivo. “Hoje eu acredito no que comecei a perceber uns quatro ou cinco anos atrás. Existiu um período quando não estávamos tendo nenhum sucesso, e uma característica que eu notei sobre nós, na época, era que nós éramos muito negativos nos nossos pensamentos. Eu acho que isso mudou os Bee Gees, nós estávamos em uma rotina. A pior parte daquilo é que nós recusávamos sair dela. Nós fechávamos a porta a todos, dizendo ‘nós gostamos do que estamos fazendo, vá embora!’ Aquilo nos fez muito mal. Quando os Bee Gees notaram o que o pensamento negativo estava fazendo ao seu trabalho, nos esforçamos para sair daquilo. Pensamento positivo significa sucesso. As únicas pessoas que têm sucesso em alguma coisa que fazem, são as pessoas que são positivas naquilo que estão fazendo”.

Desde seu retorno à Inglaterra em 1967 e durante doze (indo para treze) álbuns de estúdio, os Bee Gees nunca gravaram uma música que não fosse escrita por um de seus membros, uma realização notável e sem precedentes. Sua arte tem sempre sido baseada em seu talento como compositores, a habilidade para criar músicas e letras com características inconfundíveis dos irmãos Gibb. Ao mesmo tempo eles têm mostrado um crescimento consistente no significado de suas músicas, no que eles esperam que elas transmitam.

Como os Bee Gees escrevem músicas? Realmente, é muito simples. Não é para desmerecer o resultado; é que compor, para os irmãos Gibb, é um exercício costumeiro tão automático quanto acordar. “O que nós fazemos”, Robin explica, “é só sentar e tocar até que alguma coisa aconteça. Nós não planejamos músicas. Nós levamos uma ideia tão longe quanto pudermos, até chegar a um ponto aonde parecemos estar bloqueados, e então voltamos atrás, e de novo tentamos trabalhar através disso”. Barry aponta que “após chegarmos ao nosso primeiro bloqueio, nós aparecemos com um título e, de repente, ele nos dá outra direção para seguir. Um título pode sempre inspirar um compositor. Nós escrevemos vários títulos e damos a eles várias ideias. Às vezes estamos sentados lá e não conseguimos pensar em alguma coisa, e ela simplesmente aparece. Nós só a deixamos com espaços em aberto, tocamos e quando é a hora de fazer aquela linha, às vezes alguns de nós cantamos a mesma linha. E não só é uma boa linha, é uma linha agradável. E nós olhamos uns para os outros e falamos ‘bem, Jesus, de onde isso veio?'”.

Robin explica que as linhas sempre aparecem. “Ela simplesmente vem. E, às vezes, nos surpreendemos quando alguém diz, ‘ponha aquela linha aqui’. É como se a tivéssemos pegando de algum lugar, como se alguém estivesse tentando nos ajudar, nos dizendo que aquela é a linha para usar. Nós também escrevemos por ritmo. Nós podemos estar sentados em algum lugar e pode até parecer estranho porque nós podemos bater nossas mãos contra nossas pernas e trabalhar uma música sem instrumentos. Pessoas que não estão no mundo da música nos olham e pensam que estamos prontos para a internação”. A música terminada fica na cabeça dos irmãos, Barry diz, ‘e nós não a escrevemos até que a estrutura esteja pronta. Nós levamos a música até o ponto onde podemos mais ou menos ouvi-la pronta nas nossas cabeças. Nós podemos escutar o que queremos nela, então o trabalho de produção se torna mais fácil. E quando vamos ao estúdio, sabemos o que precisamos”. Para Barry, o processo inteiro “é automático. Acontece dentro do meu cérebro. Uma vez que a ideia se desenvolveu, então eu tenho um quadro completo… é como technicolor… de como o disco deve ser”.

Não só atualmente, quase sempre, as ideias de Barry são o germe de uma música, mas a composição dos Bee Gees é mais um processo colaborativo entre os três irmãos. Eles se trancam em uma pequena sala, Barry e Maurice com violões acústicos e eles mostram as ideias e escrevem músicas. Compondo as músicas para o novo álbum, Maurice relembra a noite mais difícil. “Nós nos sentamos no estúdio por meia hora, e nenhum de nós disse uma palavra um para o outro. Mas estávamos sentados lá. De repente, Barry pegou seu violão e eu o meu, e nós terminamos esta música, na qual já vínhamos trabalhando, “Reaching Out”. Depois daquilo, fizemos outras quatro músicas”. O baterista Dennis Bryon tem visto esse processo. “Quando eles pegam um verso que gostam, eles ficam falando um para o outro o tempo todo, como estudantes”. Quando as coisas não estão saindo, os Bee Gees apenas esperam acontecer. Os métodos criativos que eles usam, quase sempre têm pequenos bloqueios, mas durante suas carreiras é a composição que os tem levado adiante. Eles estão, de fato, entre os mais prolíficos times de compositores dos últimos doze anos (1979). Ignorando seu recente domínio das paradas, os Bee Gees podem ostentar centenas de versões de suas músicas por um diversos grupo de artistas que inclui Elvis, Janis Joplin, Sarah Vaugham, Glen Campbell e vários outros. Os irmãos Gibb estão entre os compositores atuais que tiveram suas músicas mais utilizadas por outros cantores.

Depois de duas décadas compondo juntos, a telepatia entre eles está mais afiada, então não é difícil para eles escreverem o mesmo verso de uma música ao mesmo tempo. Barry aponta a vez que “nós dois aparecemos com o mesmo verso, ao mesmo tempo, em ‘Love So Right’… ‘I thought you came forever / But you came to break my heart’. Já tinha acontecido antes. Por exemplo, no dia que eu e Robin escrevemos ‘Massachusetts’. Uma música estava passando pela minha cabeça, e eu de alguma forma sabia que Robin estava trabalhando na letra. Quando ele apresentou para mim o que ele havia feito, eu realmente surpreendi Robin por ter pronta a música especialmente para sua letra, letra que eu estava vendo pela primeira vez. Isto acontece mais comigo e Robin, do que com Maurice”.

Suas composições são a forma deles capturarem seus sentimentos, como diz Albhy Galuten. “Eles têm uma sensação. Eles acham um verso ou um trecho de melodia que expresse esse sentimento, e ela sai. Eu tenho visto isso inúmeras vezes. Eles se sentam, espontaneamente, e começam a fazer uma música”. Karl Richardson: ” O que eles fazem é sentir a emoção do ‘la la la’ e depois irão descobrir um bom grupo de palavras que combine com o que eles estão tentando dizer. Mas eles ainda irão manter aquela emoção. Para eles é mais importante ter um espaço do ‘la la la’ e depois preenchê-lo com as palavras certas, do que ter as palavras e depois tentar visualizar o que vai à volta delas”. Albhy nota que “as linhas do refrão são quase sempre e invariavelmente escritas logo no início de uma música. Esta é chave para o início da música. Eles sabem o que estão tentando colocar na música, e mesmo que muito sentimento seja passado pela melodia, eles não dão como encerrado até que as palavras os satisfaçam também”. Como Barry explica, “nós não dizemos ‘aqui está uma ideia, vamos construir sobre ela’. Nós não trabalhamos muito dessa forma. Nós sentamos e tocamos e conseguimos uma melodia, e é um tipo de tentativa de todos nós. Isto faz nossas músicas mais cantáveis por outras pessoas. Nós começamos providenciando uma boa melodia. O segredo é que você tem que eliminar todo o ‘ego’, porque ele é a base de todos os problemas entre os grupos”. Maurice: “Nós temos muito respeito pelas ideias dos outros no estúdio, no palco, em todos os lugares. Nós podemos nos olhar uns aos outros e sabemos exatamente o que sentimos, ou o que o outro irmão irá fazer em seguida. Temos uma grande telepatia”.

Essa telepatia se estende além da composição. Barry descreve esta “sensação que tenho que algo está errado, alguma coisa está acontecendo. É como uma onda e você tem essa sensação. Eu senti isso quando Robin estava no trem que se acidentou”. Por um lado mais positivo, Barry nota que “estávamos andando na rua juntos e começamos a cantar ao mesmo tempo a mesma música e o mesmo trecho dela. Alguém que testemunhe isso pode achar que foi planejado, mas isso acontece sem querer. É meio assombroso”.

Embora os irmãos quase sempre componham juntos, a ideia da música sempre acontece quando estão separados. Molly: “Às vezes estamos fora com amigos e, de repente, eu sei que uma parte dele (Robin) não está conosco, ele está ‘longe’ criando uma música”. Linda: “Barry pode sentar e assistir televisão, seguir conversando e escrever músicas ao mesmo tempo. Pode estar em uma sala cheia de gente conversando e ele diria, ‘acabei de escrever uma música’. Ele diz que as músicas já estão prontas, e ele só tem que sair e colocá-las pra fora”. Albhy: “Barry diz que existe um pequeno barril dentro de sua cabeça, e quando ele precisa de ideias ele vai até o barril e tira alguma coisa”. Karl: “Ou ele diz que existe uma tela de cinema na sua frente, e muitas vezes esta ideia aparece na tela. De onde isto vem, quem sabe? É um talento. Eles são muito bons nisso. Existem várias músicas que eles escreveram que nunca gravamos ou sequer fizemos uma demo”. Albhy intervém: “As músicas que são descartadas, as que nós rejeitamos, outras pessoas arrancariam seu coração para tê-las. A quantidade de talento é inacreditável”. Karl: E é uma coisa de cada vez, eles se sentam e começam a cantar o refrão, alguma mensagem que eles têm que por para fora. Eu acho que é porque eles são tão dedicados e trabalham duro. Eles têm que tirar aquilo de si mesmos. Não para fazer músicas de sucesso, nem para fazer álbuns de sucesso. Eles têm aquela voz de dentro que os diz para fazerem isto”.

Mesmo que a família Gibb seja tão unida, existe alguma coisa entre os irmãos que ninguém mais na família pode penetrar. Linda acha “que somente os irmãos realmente sabem ou têm alguma coisa entre eles. Eu tenho notado que mesmo com sua mãe e pai, mesmo eles não passam daquele ponto. Quando você está falando com eles, você só pode ir longe com algumas coisas, especialmente se é sobre sua música”. Barry acrescenta, “nós temos estado ‘sacudindo’ uns aos outros e fazendo isso por vinte anos. Depois desse tempo todo, aprendemos muito sobre escrever músicas. Se tornou instintivo”. Barry fala por todos os três irmãos quando diz, “minha música favorita é sempre aquela na qual estamos trabalhando. Existem várias direções novas para seguir com nossa música, então recusamos a ficar parados em um só lugar. Se você tentar repetir ou manter uma fórmula bem sucedida, você morre. Nós estamos sempre mudando. Eu acredito existirem uma dúzia de maneiras de se usar o falsete que ainda não tentamos. Acredite em mim, eu vou achar cada um deles que falta”.

O mais recente grupo de músicas dos Bee Gees foi o que tomou todo o tempo de trabalho de suas vidas em 1978. Os Bee Gees levaram mais de dez meses criando o novo álbum. De acordo com eles, esta devoção à realização de discos é algo que eles sempre quiseram fazer, mas nunca realmente tiveram tempo ou dinheiro para alcançar a quase perfeição que eles agora procuram. Robin aponta o “nosso especial orgulho. Nós trabalhamos muito duro mesmo, nos nossos discos. Nós somos um dos grupos que mais trabalham, no ramo. Trabalhamos duro para conseguir o que queremos. Nós sempre tivemos o talento, mas o tínhamos reprimido. Aí nos convencemos a nós mesmos que iríamos o mais longe que pudéssemos. Quem é que diz que você não pode derrubar barreiras e ultrapassar as estrelas? Pensamento positivo é elétrico. Ele faz as coisas acontecerem. Em nossas vidas não achamos que exista uma coisa chamada “queda”. Barry e eu podemos escrever um sucesso como “Emotion” em uma tarde”.

Molly às vezes acha que as metas de Robin passam do perfeccionismo. “Ele sempre diz que o dia que ele realmente ficar contente com 100% de uma música, aquele será o dia onde ele começará a escorregar e o padrão se iniciará. Logo que ele finaliza uma música, ele estará se empenhando na próxima, e esta terá que ser melhor. Ele é um total perfeccionista. Todos estes anos que o conheço, sempre me pareceu ser uma corrida contra o tempo. Uma loucura. Ele tinha dezessete anos quando o conheci. Tem sido assim desde então, como se ele tivesse vivido uma vida inteira e o tempo estivesse acabando. Eu sinto como se alguma parte dele estivesse sofrendo muito. Quase como se ele tivesse vivido aquilo antes. Existe alguma coisa no que ele esboça suas letras, esboça sua força, que é uma parte dele que ninguém consegue penetrar. As coisas em que ele esboça suas letras são tão profundas, de tanto sentido e tão chocantes também, como se existisse uma grande dor lá”.

Enquanto os Bee Gees têm sempre sido ambiciosos, foi somente no último ano e meio que eles começaram a conseguir o tipo de sucesso que fará desta banda de irmãos um dos grupos lendários na história da música popular. Mas eles ainda não saíram da pressão. Sua carga de trabalho é enorme; eles sempre parecem estar envolvidos em um disco de sucesso. Ainda é muito mais que a habilidade de fazer discos de sucesso que faz os Bee Gees especiais. Mais do que tudo, os discos dos Bee Gees têm um sentimento maravilhoso. Maurice explica que, no estúdio, eles se empenham “em cantar as canções do modo que sentimos quando nós as escrevemos. Cada vez que fazemos um álbum, é ele que estamos tentando terminar. Quando cantamos, nós lembramos o que fizemos e como nos sentimos quando a escrevemos. ‘Yeah! É isso, nós conseguimos!’ Quando o sentimento nos acerta no estúdio, é justamente o que nós buscávamos”.

A criação daquele sentimento é um trabalho laborioso e meticuloso que combina sua arte ao conhecimento de como fazer músicas que, de acordo com Albhy, “parecem não ter paralelos. Eles são muito mais talentosos na sua habilidade em fazer música e passar essas mensagens da melhor forma, do que alguém com quem eu já trabalhei antes. A única pessoa que eu acho que chegou perto desse ponto seria Stevie Wonder, e, às vezes, Paul Mc Cartney. Eu acho que eles estão milhas à frente desse ponto. ‘Saturday Night Fever’ viu seu florescimento como produtores. Eles têm sempre sido capazes de ouvir a diferença, mas agora eles têm mão ativa por estarem envolvidos. Eles têm tido tempo para fazer do modo correto, realmente ouvir a diferença em vez de dizer ‘oh, está bom’. Nós somos todos músicos realmente. Nós amamos conseguir o certo, e para nós é um luxo poder ter esse recurso de poder ter esse tempo, um luxo dos homens ricos. É o que queremos fazer, e talvez algumas pessoas lá fora estejam realmente ouvindo a diferença, que toda música, uma após a outra, sejam grandes músicas, que todos os vocais são bons, que tudo está em sintonia, e não existe nada jogado fora”.

O que os Bee Gees estão fazendo é o resultado de anos de experiência e de experimentação. “No início”, Barry relembra, “nós não sabíamos o que era um disco de sucesso. Agora sabemos. Eu não posso colocar os elementos em palavras, mas nós temos o conhecimento sobre o que brilha em uma gravação que faz sucesso. Aonde subir, aonde descer, aonde você coloca suas cores e tudo aquilo. Nós trabalhamos em todos os detalhes, o que nunca havíamos feito antes. Agora pensamos, ‘temos que conseguir ficar animados com a trilha de fundo e todos os instrumentos utilizados nela’. Fazemos um instrumento de cada vez até conseguir o objetivo, como se fosse uma gravação inteira. Então colocamos todas as partes juntas e é agradável”. Quando Barry, Robin e Maurice vão para o estúdio, eles já têm uma ideia de como a música vai ficar quando estiver gravada. E eles tentam passar essa visão para os músicos Karl e Albhy. Como Albhy explica, “eu tento sintonizar todo o tempo com os compositores, e a música que estão procurando. Eu só tento ser uma ponte entre a mensagem da música e os músicos da banda”.

É verdadeiramente um trabalho de equipe, o que torna os pedaços de música em uma peça inteira. Karl e Albhy, a banda dos Bee Gees, os irmãos… no estúdio todos os dias, transformando as novas músicas, de uma pilha de pedras brutas em uma polida coleção de ouro. Karl afirma que “nós fazemos o que for necessário para conseguir o que queremos. E nunca é o que já foi feito antes. Muitos álbuns são realizados usando os mesmos sons, os mesmos músicos, o mesmo arranjo básico, a mesma forma de cantar. Nós não fazemos isso. Nós vamos para uma música e gravamos o que for necessário para fazer aquela música acontecer, emocionalmente ou musicalmente”. Nem tudo o que eles fazem funciona, mas nada é tão incomum que não seja tentado. Não é raro, para o time de produção, passar uma noite inteira trabalhando, batendo palmas, para a introdução de cinco segundos de uma nova música. Nenhum aspecto da música dos Bee Gees é tão insignificante para não ser perfeito. Barry: “Logo que percebemos que alguma coisa está errada, em vez de sentar e lamentar, nós falamos, ‘bem, vamos, existe outro modo. Vamos fazê-lo. Vamos continuar arando’. É como estar no escuro. Nós só ficamos procurando pela coisa certa. E ela vem. Ela sempre vem”.

A gravação dos vocais para qualquer álbum dos Bee Gees é obviamente o elemento mais crucial, já que é o vocal deles a marca registrada de sua música, mesmo em uma balada antiga como “NY Mining Disaster” ou em um sucesso mais recente como “How Deep Is Your Love”. De um ponto de vista técnico, Karl tenta “conseguir alguma clareza deles, porque quando você tem letras como as que eles estão tentando cantar, às vezes eles cantam tão alto, tão cheio de alma, que é difícil entender o que eles estão dizendo. Então eu busco a clareza; esta é a coisa mais difícil de fazer”. Enquanto Karl senta na sala de controle virando botões, trabalhando no balance, o eco, etc., Albhy se senta à sua esquerda, ouvindo toda frase, procurando pelas boas notas e pelas más, decidindo quais partes da música precisa de mais trabalho, seja ela uma expressão diferente ou uma combinação diferente ou a qualidade tonal das vozes dos irmãos. Mais importante, é que os próprios Bee Gees é que fazem os vocais ficarem tão bem. Como qualquer mágico falará para você, parece tão fácil porque eles trabalham duro. Também, eles têm muito cuidado para não retrabalhar seus vocais ao ponto onde se começa a perder a emoção. Como Albhy explica, “nós sempre vamos para a emoção primeiro. Tudo tem que ter sentimento. A música é baseada em comunicar uma emoção, um sentimento. É de onde começamos, e não podemos deixar nós mesmos esterilizar isso. O tempo extra que nós temos não é tanto para eliminar aqueles detalhes com que músicos paranóicos se preocupam, mas para conseguir a mensagem emocional, gastar mais tempo tentando capturar aquela que você sente que está certa”. Para fazê-la perfeita, os Bee Gees até chegaram a sobrepor uma respiração a uma faixa do vocal.

Vocalmente, Karl aponta que “eles todos sabem aonde está seu alcance vocal. Robin ficará com a nota mais alta, Barry com a melodia e ‘Mo’ com as notas mais baixas. Geralmente é assim. Eles têm feito harmonia por tantos anos que não existe realmente um problema sobre ‘quem vai ficar com o que’. Eles tentam ensinar um ao outro como eles gostariam de ver aquilo cantado, e eles todos chegam a um acordo sobre ‘oh, vamos torcer o final da nota’. E eles farão daquele modo, os três”. O vibrato, que é também parte da identidade dos Bee Gees, está ainda presente em tudo, desde suas baladas até “Stayin´ Alive”. Albhy: “Suas vozes impactam bastante – escutem ‘Stayin´ Alive’, aquilo está tocando como um sino – mas faz parte da intensidade da música. Se eles cantassem no tom normal poderia parecer pouco astuto. O vibrato faz parte da urgência”.

Maurice nota que “nós sentimos isso automaticamente porque, depois de 23 anos cantando juntos, é normal. Nós nos sentimos como deveríamos sentir a música, como deveríamos cantá-la… pesada ou sussurrada, suavizando as harmonias, fazê-las mais sexy ou de outra forma mais. Isto é uma coisa que aprendemos. Outra é que, antes costumávamos ficar desapontados se um de nós dissesse, ‘você está desafinado’. ‘Eu não estou desafinado’. ‘Sim, você está’. E nós teríamos uma discussão. Nós nunca chegamos a nos esmurrar, mas verbalmente tivemos tempos quentes. Agora temos um relacionamento real onde alguém pode chegar e dizer, ‘Oh, não. Parem. Sou eu. Eu desafinei’. Antes ninguém admitiria isso. Nós nos sentaríamos e diríamos, ‘Ok, está certo. O arranjo vai cobrir isso’, ou alguma coisa assim. Agora não. Nós limpamos toda faixa e temos certeza que está boa. Quando estamos contentes com ela, então começamos a fazer os vocais. Naturalmente levamos um tempo maior nos vocais porque eles são a parte mais importante. As pessoas não vão se sentar e ouvir guitarras no fundo. Elas estarão escutando vocais todo o tempo”.

Um aspecto inovador nos recentes discos dos Bee Gees, Barry detalha, é que “passamos a sobrepor harmonias, o que nunca fizemos antes. Nós fazemos camada sobre camada de harmonias em diversas partes da gravação, o que é algo novo para nós. Elas são muito mais complexas do que costumávamos fazer. Elas ainda estão reconhecíveis, no entanto, provavelmente por causa do tom. Nós faremos tudo o que pudermos. É como escultura ou pintar um quadro. Não costumava ser. Ser perfeccionistas parece ter nos ajudado. Toda vez que procuramos por algo melhor, parece acontecer. Eu acho que quando mais duro você trabalha, maiores serão as recompensas. Quanto menos você coloca em alguma música, menos ela te dá de volta. Nós nos escravizamos naquelas faixas de “Saturday Night Fever”, da mesma forma como nos escravizamos no novo álbum”.

Os egos exaltados que costumavam causar tanta discórdia na primeira fase do grupo não estão mais presentes, tanto em suas vidas pessoais quanto na atmosfera criativa. Quando uma vez era importante quem cantava ou escrevia cada nota, agora é tudo Bee Gees. Como Maurice relembra, “As pessoas costumavam dizer ‘porque você não faz o vocal principal, às vezes, nos álbuns?’. Eu digo ‘para mim isso não importa, ainda são os Bee Gees, amigo!’. Isto é aonde estamos tentando chegar. Ninguém tem nenhuma animosidade em quem faz isto ou aquilo. Se serve para a voz de Barry, eu quero que Barry a cante. Se serve para Robin, Barry dirá ‘Robin, você deve cantar esta’. Ou Robin diria, ‘Barry, você deveria fazer esta’ e (Maurice intervém brincando), ‘Eu tentarei!’. Mas isso não me aborrece. Eu quero que nossos álbuns sejam grandes. Eu não ligo pra quem faz o vocal principal”.

Assistindo os Bee Gees gravarem vocais é como assistir Houdini e os Irmãos Marx ao mesmo tempo. As brincadeiras entre os irmãos são cruciais para manter o ânimo. Barry aponta que “tudo faz parte do equilíbrio de não ficar cansado quando você está lá e não ficar chateado. Tanto Robin fará uma brincadeira, ou eu farei. Tudo faz parte das nossas defesas. Se todos nós pudermos dar uma gargalhada, a próxima tomada será geralmente melhor. Nós fazemos aquilo para nos sentirmos melhor. Subconscientemente nós não notamos isso. Brincamos porque estamos tensos, e isso nos ajuda a relaxar. O objetivo, todas as vezes, é conseguir o sentimento certo, a velocidade certa e a excitação certa para as harmonias. As brincadeiras são parte do processo, você não vai somente e faz”.

“Sempre que colocamos um microfone lá”, Karl diz, apontando para o estúdio D no Criteria, “eu sei que vou escutar alguma coisa engraçada. Eles vêm, e antes de estarem prontos para cantar, leva uns dois minutos para tudo ficar ajustado. Eles não estão prontos para começar a gravar logo que entram, então, consequentemente, eles farão pequenas piadas todo o tempo que estiverem se aprontando. Algumas delas são hilariantes. Como ‘Os Episódios Contínuos de Sonny Jim’. Barry é Sonny, Robin é o entrevistador e Maurice faz os efeitos sonoros. É como uma série de rádio, ‘Sonny Jim vai para o Himalaia’. É tudo muito engraçado”.

Durante 1978, os Bee Gees seguiram uma rotina muito simples. Todo dia de semana, desde três da tarde até meia noite, eles estavam no Criteria Studios trabalhando. Desde 1976, Barry tem tido um sério caso de febre de estúdio. Entre os álbuns dos Bee Gees e seu trabalho com o irmão Andy, Samantha Sang, Terri de Sario e Frankie Valli, Barry não tem visto muito a luz do dia. E ele adora isso. “O estúdio é minha nave espacial. Eu perco toda a noção do mundo exterior. Eu me viro totalmente para a música. Me deixa muito satisfeito. Eu acho que tenho a personalidade do estúdio, a paciência e o perfeccionismo. O prazer de escrever uma música em um violão acústico e assisti-la crescer, melhorando até que pareça como imaginei que deveria ser, isso é o que me mantém lá noite e dia. Aquele momento quando a música é completada é o meu pagamento”. Os Bee Gees realmente não têm tido tempo “para aproveitar alguma coisa do sucesso que aconteceu. Aquilo nos fez trabalhar ainda mais duro. Mas não temos sido capazes de nos sentar e dizer, ‘Jesus, o ano passado foi agradável'”. Linda acha que “porque eles tiveram um tempo ruim com a imprensa durante anos, subindo e descendo, eu acho que aquilo faz eles trabalharem mais duramente. E não é só isso; eles sempre querem fazer melhor. Eles terminam um álbum, e sempre falam ‘Este tem que ser melhor ainda’. Está no sangue. A música é parte deles”.

Maurice explica que todo o trabalho duro “é para o público e para nós. E se estamos felizes com o disco, sabemos que o público também estará. Queremos dar às pessoas um álbum que é sucessor de um álbum incrível, então eles vão escutar e dizer ‘Uau!’ e não simplesmente ‘está bom, não está?’. Eu sempre sei quando está bom, quando eu posso tocar várias e várias vezes e não me encher dele. Isso acontece quando eu sei que tudo está certo. Tem que te acertar como um tijolo. É o que sentimos quando escutamos as mixagens. Mas também pode nos acertar desse jeito, mas não ao público, que poderia dizer ‘oh, meu Deus, o que é isso?’. Você poderia se arruinar em certo ponto, em lançar no tempo errado. A noção do tempo é o mais importante”. Ao antigo produtor dos Bee Gees, Arif Mardin, foi recentemente atribuído ter dito que “em algum lugar durante o caminho, Barry se tornou completamente em sintonia com os tempos. Este é o fenômeno. Não tinha acontecido muitas vezes antes, mas ele tem se ‘trancado’ totalmente no que as pessoas estão escutando. E no que elas querem escutar. Este é certamente o seu tempo”. Para Barry, estes elogios servem para o grupo todo. “É um caso de ter chegado ao presente. Nós sempre tínhamos feito coisas nas nossas vidas, fora do tempo. Nós estávamos trabalhando em nightclubs quando devíamos estar tocando para garotos. Nós sempre fizemos as coisas um pouco estranhamente. Finalmente, estamos fazendo as coisas em uma esfera totalmente atual”.

“É difícil saber o que é um superastro”, Barry reflete. “Nós nunca nos vimos assim porque temos estado fazendo isso por muito tempo. Nós ainda somos as mesmas pessoas. Já passamos por tudo isso antes, não um super-estrelato, não neste nível, mas estamos aptos a lutar contra isso agora por causa daquelas experiências. Só estamos tentando aproveitar isso, porque nunca aproveitamos na primeira vez. Nós éramos muito paranóicos. Agora estamos aproveitando. Estamos tendo o tempo de nossas vidas. Estamos na idade certa; estamos em festa. Não é uma coisa real, é a única maneira de ver isso”.

Provavelmente o melhor crítico dos Bee Gees durante os anos tem sido Robert Stigwood. Em todas as fases da carreira deles, exceto durante um breve período nos anos ruins, Stigwood tem apoiado o grupo espiritualmente e financeiramente. Seu papel na gravação mudou consideravelmente, e ele não é mais o produtor do grupo. Como Barry explica, “nós somos deixados à vontade para fazer nossos discos. Ele não interfere naquilo agora. Ele só escuta a coisa terminada. Uma coisa que temos ganho com Robert e com muitas outras pessoas, é que ninguém questiona o que gravamos. Exceto Robert que diz, ‘eu acho que este fará sucesso’, ou ‘eu acho que aquele será sucesso’. Ele escolhe os primeiros três compactos do álbum, e geralmente o seguimos. Ainda é uma decisão do grupo. Nós nos reunimos e discutimos isso adequadamente. Existe uma boa comunicação entre nós”.

O nível de realizações que os Bee Gees têm conseguido é tão alto que pouquíssimos artistas conseguiram em suas vidas. Para os Bee Gees a razão do que é hoje uma longa e distinta carreira, é que os sucessos têm dado a eles a chance de criar o tipo de arte que eles sempre tiveram em suas mentes, mas não eram capazes de colocá-las em suas gravações. Às vezes parece que eles têm o vício de trabalhar, mas este é o resultado da tremenda motivação e orgulho que os irmãos têm. Com a exceção de seu trabalho, eles sempre estão com suas famílias. Às vezes, no entanto, ainda não é o suficiente. Linda: “Stevie (seu filho mais velho) não tem visto muito Barry. Ele fica muito desapontado. Ele se senta comigo à noite, antes de ir para a cama. Barry tem sempre levado Stevie para a cama desde que ele era um bebê, como Ashley. O desapontamento de Stevie é que seu pai não está aqui para colocá-lo na cama. Ele diz, ‘eu tenho que arrumar um novo papai! Já sei. Vou conseguir dois. Um para você, mamãe, e um para mim’. Ele diz, ‘eu não sei o que está acontecendo. Nós nunca vemos papai'”.

Até certo ponto, os Bee Gees estão presos ao seu sucesso. Eles sabem que precisam criar mais trabalhos que possam ser comparados favoravelmente a Saturday Night Fever. Ainda mais, o reconhecimento dos últimos anos tem alimentado seu orgulho. Tem sido uma emoção real para Maurice, “ter novamente o reconhecimento por Fever após todos estes anos. É como se alguém levantasse uma pedra e dissesse: ‘oh, aqui está os Bee Gees. O que é isto?’. Ter aceitação novamente é o maior chute que já dei”. Junto com a aceitação da massa, tem vindo uma série interminável de comentários depreciativos da imprensa do rock, particularmente da revista Rolling Stone. Maurice brinca dizendo que “se nós acreditássemos em tudo que temos lido, terminaríamos tendo abalos nervosos, provavelmente na harmonia”.

Robin, que é o mais sensível dos irmãos, especialmente em termos de sensibilidade artística, não vê nenhuma graça nas críticas que dizem que os Bee Gees pularam no vagão da discotheque. Robin: “É R&B, não música disco. Aquelas pessoas, as pessoas na imprensa do rock são tão ignorantes e estúpidas. Elas não parecem estar escrevendo para as pessoas que compram. Elas parecem estar escrevendo para si mesmas todo o tempo, o que é ridículo. Elas parecem querer destruir tudo, em vez de construir. Não oferecem nenhuma crítica construtiva. O que diabos a palavra disco quer dizer? Ela significa músicas que você pode dançar. Para mim, rock and roll é uma gíria; rock é tanto uma tendência musical como qualquer outra forma de música. O que há de tão grande sobre a música do rock que estes chamados críticos de rock devem alardear? É uma música que certo número de pessoas podem gostar, o mesmo que com qualquer outro tipo de música. Porque eles se colocam contra a R&B? O que eles sempre esquecem de ver é que as pessoas estão saindo e comprando os Bee Gees, então o que eles estão fazendo é indo contra as pessoas. Eles falam sobre música disco, mas como pode ‘How Deep Is Your Love’ ser considerada uma música disco? Aquelas pessoas têm algodão em um de seus ouvidos. Elas só escutam o que querem escutar, só dizem o que querem dizer”.

Como Barry acrescenta, “eu acho que o público é o único crítico real que você tem. Mas você tem que passar por alguns críticos antes de chegar ao público. Eu não quero ser sempre criticado. Somos somente um grupo. Nós trabalhamos somente para o público. Nós estivemos no topo e de volta ao fundo, aonde nossos tão chamados amigos que estavam conosco quando estávamos por cima, nos deixaram. As pessoas que estão conosco hoje foram as únicas que ficaram por perto. Eles sabiam que existia mais em nós e nos deram crédito. Acho que temos convencido poucas pessoas que nunca pensaram que tínhamos muito mais em nós. Acho que surpreendemos muitas pessoas com este novo álbum”.

Stigwood não é um homem conhecido por suavizar suas declarações, tanto faladas como escritas, e como um consultor da carreira dos Bee Gees, ele não elogia seu trabalho a não ser que ele queira. E quando Robert Stigwood ouviu o novo álbum pela primeira vez, ele ficou espantado. “Não só penso que é o melhor álbum que vocês já fizeram”, Robert exclamou em julho de 1978, em Miami, “mas eu acho que é o melhor álbum que eu já ouvi”. Robert assinalou duas faixas em particular, “Too Much Heaven” e “Tragedy” como faixas que pensou serem especialmente cheias de força. Na época, o álbum estava terminado somente em dois terços.

Durante o verão de 1978, os Bee Gees pararam de gravar por duas semanas para fazer parte da celebração acerca da première de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Embora o filme não tenha recebido grandes elogios da crítica, deve ser lembrado que a mágica só funciona para crianças de todas as idades que escutem a música. Em sua maior parte, a imprensa só atacou os Bee Gees, Peter Frampton e Robert Stigwood, dizendo que o propósito do filme era de fazer muito dinheiro vendendo álbuns de trilha sonora. Uma crítica de Charles Young na revista Rolling Stone, teve o título “Pepper é o fim!”. O artigo em si tocou na “implacavelmente estúpida procura do óbvio. Você fica gargalhando e pensando que não pode ser pior. Mas é. O filme violou seu próprio mundo de fantasia e se tornou desonesto, além de vazio. Tanto que provavelmente conseguirá milhões”. O filme é uma apresentação visual de uma fantasia utilizando as músicas dos Beatles. Para aqueles que perderam aquela mensagem, perderam.

Logo que 1979 começou, “Too Much Heaven” chegou no primeiro lugar. Em 10 de janeiro, o show “Music For Unicef” lançou oficialmente o Ano Internacional da Criança, em um espetáculo de 90 minutos na emissora NBC. Outro especial maior de tv estava programado para mais tarde no mesmo ano. Em fevereiro, o esperado “Spirits Having Flown” foi lançado enquanto planos estavam sendo concluídos para uma excursão em 50 cidades americanas, a começar em junho.

Dick Ashby acha que até esta excursão os Bee Gees não haviam percebido o alcance do seu sucesso e impacto. “Este é o momento que eu estava esperando”, exulta Ashby. “Aquela primeira vez que eles entraram no palco. Eu não acredito que até esse momento algum de nós tinha percebido o que estava acontecendo”.

É muito cedo para projetar algo para depois dessa excursão, mas todos os três irmãos Gibb guardam ambições pessoais que por enquanto eles têm que esquecer. Tanto Maurice quanto Robin querem estar envolvidos com filmes. Maurice completou o trabalho na trilha sonora de “The Uri Geller Effect”, um filme baseado na história de Uri Geller. Maurice quer “fazer muito trabalho na frente das câmeras, antes que eu considere ficar atrás delas”. Os talentos cômicos de Maurice são agradáveis e qualquer um que tenha visto seus filmes caseiros sabe que atrás daquele rosto sorridente se esconde um sorridente diretor de filmes. “Fazer ‘Sgt. Pepper’ foi uma preocupação excitante, educacional. Agora eu sei como um filme maior funciona, e eu sei que quero mais disso. Mesmo quando garotos, Barry, Robin e eu costumávamos fazer filmes caseiros e eu sempre dirigia. Nós fizemos um, chamado “Million Dollar Cop”, que eu gosto muito”.

O trabalho de Robin nos filmes provavelmente será mais sério do que o de seu irmão mais novo, embora não seja possível colocar algum limite no que Robin pode conseguir. Como Barry insiste, “Robin é um ser humano brilhante. Ele tem milhões de pensamentos o tempo todo. Ele é realmente uma pessoa que pensa profundamente, mas ele tem também um agradável senso de humor, que é totalmente diferente do de Maurice. É um humor frio, que beira o obsceno. É muito incisivo, muito fino”. Barry aponta que “a inteligência de Robin não é analisável de pronto. Ele está constantemente escrevendo coisas, só para lembrar delas, constantemente pensando. Às vezes isso me deixa maluco. O ponto é que todos nós dividimos o mesmo objetivo. Nós sabemos o que estamos fazendo, juntos. Não temos rumos diferentes”. O que Barry está dizendo é que, mesmo que os Bee Gees tenham projetos individuais, eles sempre continuarão a trabalhar juntos.

Barry também acha que os irmãos poderiam “ser empresários de alguém. Nós gostamos de fazer as coisas acontecerem. Pessoalmente, eu teria meu passatempo em fazer coisas acontecerem para outras pessoas. Eu tenho tido sucesso por muito tempo. Eu gostaria de ser alguém como Robert (Stigwood) e fazer a carreira de alguém acontecer”. O ídolo Barry parece nunca ter sido notado pelos ansiosos produtores de Hollywood, mas Barry insiste que, atualmente, ele não tem ambições para se tornar um astro de cinema. Os irmãos, no entanto, estão planejando fazer outro filme juntos, e será um pouco diferente de “Sgt. Pepper”. Esta vez, os irmãos farão personagens que tenham diálogos consideráveis, e então eles estarão ampliando seus talentos como atores. É provável também que seja uma companhia de produção dirigida pelos irmãos num futuro não tão distante. Aquela companhia, possivelmente chamada Irmãos Gibb, poderia ter sua própria divisão de discos.

Cada um dos irmãos também planejam passar mais e mais tempo com suas famílias. Tanto Barry quanto Robin têm relacionamentos com suas esposas que têm florescido nos últimos doze anos. Maurice e Yvonne são comparativamente os recém-casados, e todos compartilham as maravilhas da família em seus casamentos.

Enquanto a primeira incursão de Maurice no casamento o tinha levado à bebida, na segunda vez ele é um inacreditavelmente feliz homem casado. Maurice: “Eu sempre havia esperado, parece uma vida inteira, por um ano como este. E não é sobre dinheiro. É porque meus irmãos estão comigo para compartilhar o sucesso. Depois de minha esposa e filhos, meus irmãos são as pessoas mais importantes na minha vida”.

Para Robin, 1978 tem sido mais difícil pessoalmente porque ele tem estado trabalhando fora da Inglaterra. Isto quer dizer que ele raramente tem visto sua família desde abril de 1978. Dick Ashby simpatiza com a separação que Robin está vivendo e nota que Molly “construiu uma fundação para Robin na Inglaterra com as crianças e a casa. Aquele garoto não vê a hora de voltar lá, todo o tempo”. Robin: “Quando crianças nós nunca vivemos em um lugar mais do que poucos anos. E como resultado não tivemos uma infância. Nós não queremos isso para nossas famílias”. Robin ainda passa muito tempo nos EUA, trabalhando nos projetos dos
Bee Gees e alimentando sua quase obsessão com as paradas de discos. Robin é o monitor-chefe dos discos dos Bee Gees. É uma faceta de sua personalidade que não parece combinar muito com seu romantismo, mas Robin é um artista que conhece o seu ramo. Com o que ele conhece sobre fazer discos, e o que ele sabe sobre como tornar aqueles discos sucessos, não seria uma surpresa ver Robin dirigindo uma companhia de discos algum dia.

Olhando o passado, no entanto, Robin não está de todo interessado em discutir seus trabalhos. “Eu sou uma pessoa muito contemporânea, todos nós três somos. Hoje e amanhã. O passado é uma coisa que você nunca mais pode ver ou tocar novamente, só lembrar. Eu fico frustrado quando as pessoas podem quase felizmente viver de seu sucesso passado. Nós não somos assim, nunca temos sido assim. E isto porque tivemos que retificar coisas em nosso período ruim. Meu conceito atual de vida é mudar. Eu sei tanto sobre a vida… nosso conhecimento de música é mais vasto e mais profundo do que era antes. E isto faz todas as músicas do passado parecerem brandas e superficiais. Para muitas pessoas elas significam muito, então eu não vou fazer nada para mudá-las. Comparando o que os Bee Gees eram, este é um grupo inteiramente diferente agora. Nós tivemos aqueles dias, mas aqueles dias agora já se foram”. Como Barry explica, “pessoas costumavam dizer que nós nunca teríamos uma influência marcante na música. Nós realmente odiávamos aquilo. Nós sempre soubemos que podíamos criar músicas que poderiam ficar e ter influência em outras pessoas”. Quando perguntados sobre como eles gostariam de ser lembrados, Maurice responde expressando a esperança “que possamos ser lembrados por contribuirmos muito musicalmente, como três pessoas que fizeram muitas pessoas felizes com a música e dá-las adoráveis lembranças”. Barry quer “ser lembrado por nossa versatilidade mais que tudo, e por nossos vocais. Tudo o que pudemos fazer, eu espero que sejamos lembrados por isso”. Como para Robin, “não existe lugar para ser somente uma parte do ontem. Queremos ser uma parte do hoje e queremos continuar o que estamos fazendo agora até que caiamos”. Robin não pensa em monumentos. Ele só quer continuar fazendo músicas bonitas.

A história dos Bee Gees foi, uma vez, preenchida com desgosto, que tão frequentemente vem com o sucesso. Não mais. Agora, é uma história que parece com outro conto de fadas. Estes são artistas que estão crescendo, mas eles também são artistas que têm sido reconhecidos como os melhores. Com este reconhecimento, eles têm permanecido totalmente despretensiosos, têm crescido elegantemente com seu sucesso e não têm se afundado com as recompensas. E, através disso tudo, eles têm mantido um notável senso de perspectiva. Em todos os seus contatos diários, o que aparece é o notável amor profundo e respeito que têm entre si como seres humanos. Maurice: “Eu tenho grande respeito pelo que preservamos. Além de estar naturalmente amando meus irmãos, eu respeito sua paciência e humor”. Os Bee Gees não têm chefe, e embora Barry possa ser considerado um líder não oficial, este é um relacionamento totalmente igual. Linda está falando sobre Barry quando diz, “ele nunca procurou ser o número 1, eu não acho que ele faria isso”, mas ela poderia também estar falando sobre os outros irmãos. Como Linda adiciona, “Barry sempre procurará o melhor para todos eles. Eu acho que nesse ponto Barry é um pouco especial, porque ele não está pensando só em si. Mesmo que ele não faça parte do que os irmãos estejam fazendo, ele ainda quer conseguir o melhor para eles. Todos os irmãos não são afetados pelo sucesso. Eles têm os pés no chão”.

Barry só espera que ninguém vá beliscá-lo ou acordá-lo do sonho. “Quando éramos crianças, sentávamos cada um nas suas camas todas as noites e planejávamos nossas carreiras. Nós decidimos que, quando chegássemos ao topo, teríamos nosso próprio escritório. Queríamos chegar ao ponto onde não teríamos que trabalhar mais e então poderíamos nos sentar e aproveitar tudo o que tínhamos conseguido. Até poucos anos atrás aquilo parecia estar fora de alcance para sempre. Às vezes eu acho que estou vivendo aquele sonho agora. Nós nunca realmente chegamos a isso antes. Se isto é o topo, então é melhor do que havíamos imaginado. E é muito divertido”.

Tendo conseguido todo o sucesso que eles sempre sonharam, e um pouco mais, os Bee Gees agora estão trabalhando duro para dar alguma coisa de volta.

1979 foi o Ano Internacional da Criança, e os Bee Gees estavam à frente do movimento que, eles esperam, irá ajudar todas as crianças necessitadas do mundo. Em 1976, como Maurice relembra, “nós começamos com o projeto em benefício da Liga Atlética da Polícia em Nova York, basicamente porque Nova York nos tem dado muita inspiração para escrever”. Em julho de 1978, a première de “Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band” em Nova York foi em benefício da P.A.L.. Quando eles ganham um prêmio como o Ampex Golden Reel, os Bee Gees têm direcionado o dinheiro dos prêmios para a caridade das crianças. Seus esforços em benefício das crianças têm sido menores comparados ao ambicioso programa chamado “Music for UNICEF”.

Barry explica que “está sempre no nosso instinto, que as únicas pessoas realmente necessitadas no mundo são as crianças. É vital. Nós todos fomos crianças e conhecemos aquele sentimento de quando as pessoas não se importam. Os adultos podem sempre se defender de um modo ou de outro. Quando você lê artigos e vê
coisas como Biafra e todas as outras coisas onde só crianças parecem estar envolvidas e sofrendo, aí é onde você tem que colocar seu coração”. Maurice aponta que se os Bee Gees escolheram a “UNICEF é porque é dirigida pela ONU e não é só para um país. É internacional”.

“Nossa motivação é realmente que nós todos amamos nossa família”, Barry diz. “É em apreciação do que temos sido capazes de prover a eles, que temos tentado ajudar crianças necessitadas que são muito menos afortunadas. Pessoas jovens têm continuamente nos apoiado, e ‘Música para UNICEF’ e nossos outros esforços são nosso modo de dizer ‘Obrigado'”. Os Bee Gees estão nessa enorme tarefa, de acordo com Robin, porque “todos vêem aquilo tudo na televisão e dizem, ‘oh, isso é terrível’ e então desligam a televisão, fazem um pouco mais de café e começam a falar de outras coisas”.

O programa que os Bee Gees têm colocado em ação é um ataque triplo que eles esperam que não somente levante milhões de dólares, mas nas palavras de Barry, “irá alertar o mundo inteiro à causa das crianças”. Maurice detalha como o grupo doou os ganhos de uma música, “Too Much Heaven”, e que “estamos tentando conseguir outros nove artistas a se juntarem a nós e fazerem a mesma coisa. Então colocaríamos todas as músicas em um álbum e o lançaríamos como “Música para UNICEF” e deixá-los conseguir todo o dinheiro”.

Todos os três Bee Gees são pais orgulhosos, e eles acham que, como foram abençoados com o sucesso que os torna capazes de cuidar de suas crianças, eles devem ajudar aquelas de menos sorte. Barry: “Aquelas crianças são os adultos de amanhã. Nós todos queremos que eles cuidem de nós. Você tem que pensar no futuro, mais do que no passado. Existem milhões de crianças morrendo de fome, e se você pode fazer alguma coisa por elas, você deve fazer isso. Mas tudo que as pessoas fazem é falar. Você tem que criar algo concreto de fazer isso. Que seja transparente e você veja o dinheiro. Não é alguma coisa que você só dá e não sabe o que aconteceu com o dinheiro”. Apontando para as complicações legais do resultado do benefício de George Harrison para Bangladesh, os Bee Gees sabem que o seu trabalho e o de outros grupos não será perdido. Aí é que a terceira parte do seu plano aparece. Com David Frost, os Bee Gees combinaram de fazer um certo número de especiais para a televisão, nos quais eles viajariam pelo mundo para ver o efeito que o dinheiro teve. Os irmãos Gibb irão direto às crianças para descobrir se elas estão sendo mesmo ajudadas. “Crianças necessitam muito de amor”, Maurice nota, “mas elas também necessitam de muita retaguarda financeira para dá-las amor. É ótimo amar suas próprias crianças, mas é um amor muito diferente dar alguma coisa para ajudar outra criança que não seja a sua”.

Henry La Bouisse, o diretor executivo da UNICEF, acha que ” ‘Música para UNICEF’ é uma ideia única e contínua de levantamento de fundos que trará somas substanciais para crianças necessitadas. Esta ideia muito original impulsionada generosamente pelos Bee Gees, abre a porta para todo o envolvimento pessoal de todos os grandes compositores musicais na nobre questão de ajudar crianças, o elemento do nosso futuro”. Na conferência de imprensa que anunciou o programa, David Frost exclamou que só a contribuição dos Bee Gees é de cerca de cem milhões de dólares.

Para Barry, Robin e Maurice, “Music For UNICEF” é o primeiro degrau para conseguir chegar à sua meta de ajudar todas as crianças necessitadas no mundo. Isto é tudo o que importa para eles. Os Bee Gees esperam que a magia que é a sua música, possa e faça deste mundo um lugar melhor.

Com a ajuda de alguns amigos os Bee Gees verão isso.

Like a bird in the wind
Like a tree in a storm
Like the breath of a child
From the moment he´s born
Til the very last day
When the curtains are drawn
We are children of the world

FIM

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